O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ética à colher para uma Classe política enfartada e amoral

Talvez os travesseiros tenham propriedades mágicas conhecidas, mas não explicadas. Talvez seja o olhar fixado no tecto do quarto. Talvez seja o silêncio da noite. Talvez seja por tudo ou por nada disso. O facto é que o encontro da cabeça com o tecido macio do travesseiro faz pensar. Projecta, como um filme, os pensamentos, acções e lembranças.

É nestes momentos de reflexão que se mede a distância entre a intenção e o facto. Reflecte-se sobre o certo e o errado. Analisam-se os fins e os meios. O travesseiro, ao contrário do que dizem, não é conselheiro. É juiz!



Muitas vezes, refere-se aos fins e aos meios como eticamente contraditórios. Os meios são apresentados como algo que necessariamente deve ser justificado por fins que busquem um bem maior ou um mal menor.

Os meios são as escolhas que se faz para atingir um (ou vários) fim (ou fins). Estas escolhas não são necessariamente dilemas éticos. Para ser um dilema ético, as opções disponíveis devem colocar em oposição ideias e valores morais que sejam eles também eticamente correctos, mas que estão num caso especifico, em contradição. Daí o dilema ético.

Escolhe-se entre dois caminhos correctos que não podem ser tomados simultaneamente. Por outras palavras, escolhe-se entre dois “certos”. Não existe dilema se uma das alternativas não é eticamente aceitável. Um dilema ético, por definição, envolve a escolha entre duas alternativas eticamente correctas, mas que se excluem mutuamente.

Não existe regra que resolva dilemas éticos. As escolhas dependem da cultura, da personalidade e das crenças de quem esta decidindo. Algumas pessoas favorecerão decisões que beneficiem o maior numero de pessoas. Outras adoptarão o valor ou principio que julgam mais importantes. E outras ainda farão aquilo que gostariam que fosse feito com elas nas mesmas circunstâncias.

Seja lá como for, se é impossível resolver dilemas éticos com clareza e antecipação, é pelo menos possível evitar o ético do antiético. Rushworth Kinder, do Institute for Global Ethics propõe três testes. Basta responder a três perguntas sobre a alternativa de acção.

Ela cheira mal?

Como você vai sentir-se se todos souberem do que você fez?

O que diria sua mãe disso?

Dilemas éticos ocorrem com qualquer um e fatalmente cobram preço impossível de evitar. Falhas éticas, entretanto, podem ser evitadas com o olfacto; um pouco de imaginação; e as sempre valiosas lições ensinadas pelas mães.

Baseado no livro: Kidder, Rushworth M. 1996. How Good People Make Tough Choices – Resolving the Dilemmas of Ethical Living. New York: Simon & Schuster

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