O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Entrevista a um candidato diferente(Parte I)



Iniciamos hoje a transcrição da entrevista com um, ainda potencial, candidato à Junta de Freguesia de Armação de Pêra, conforme prometido.
Dada a sua extensão publicamo-la fraccionadamente correndo o risco de assim se esbater o interesse jornalístico da mesma.
O “candidato” escolheu manter o anonimato, o que respeitámos e designamo-lo por Snr. “X”. “BC” designa, naturalmente o Blogue Cidadania!

BC- Boa noite senhor X! Agradecemos a sua presença no BC.
X – Boa noite, eu é que agradeço a oportunidade que o BC me deu de poder divulgar os meus pontos de vista à comunidade.

BC- Já decidiu candidatar-se à Junta de Armação, com tanta antecedência?
X – Para ser objectivo, ainda não. Apesar do impulso que tento controlar pela via da racionalidade, ainda não tomei a decisão definitiva.

BC – Então o que fazemos aqui, hoje?
X – As circunstâncias verdadeiramente indecentes criadas pela gestão autárquica, no seu todo, em Armação de Pêra, indignam qualquer cidadão minimamente preocupado. A questão que se coloca a muitos deles é a de saber se têm efectivamente condições de dedicar à salvaguarda dos interesses comunitários todo esse tempo.

BC – É só uma questão de tempo?
X – Claro que não!

BC – Então que mais?
X – Outra questão, não menos importante, é se podemos viver com o ordenado que o Orçamento de Estado prevê para o cargo. Se o orçamento pessoal permite ser ajustado a tal rendimento.

BC – Pois, pois, aí reside um dos problemas da classe politica! Os mais qualificados não se sentem atraídos pelo rendimento de um cargo público?
X – Muitos dos que poderiam vir por bem, não podem aceitar reduzir drasticamente o orçamento das suas famílias. Outros ou não vêm por bem, ou já são ricos.

BC – Quer dizer que só poderemos ter políticos competentes e sérios se forem ricos?
X – Nada disso. O problema não se pode reduzir a uma síntese dessa natureza e sobretudo desse teor.

BC – Então em que ficamos?
X – Ficamos em que muitos dos que podiam ajudar nas áreas de maior exigência técnica, e que são realmente necessários se quisermos dar um salto qualitativo, só pagos a peso de ouro! Outros, pelas suas competências especificas, não são “controláveis” nem sequer “partidarizáveis”, nada vocacionados para “YES MAN”, não se encontram, desde logo, no espectro do convite para tais incumbências.

BC – Mesmo ao nível local, a dinâmica das coisas é essa?
X – Ao nível local, tudo se passa como no Portugal dos Pequeninos. O sistema ajusta-se à dimensão das coisas, e o principio aplica-se mas em ponto pequeno.

BC – Essa “leitura” esgota o tema?
X – Claro que não! Pois o que sucede é que a ausência no jogo do poder de cidadãos mais capazes deixa o campo livre aos mais poderosos, qualquer que seja o domínio multifacetado das expressões do poder. Pode até ser o poder de dispor do seu tempo. Abrir diariamente uma sede partidária em “Freixo de Espada à Cinta” e servir os cafés à meia dúzia de militantes que lá aparecem semanalmente, pode conduzir alguém à Assembleia de freguesia, municipal ou até à Assembleia da República.

BC – E quem tem esse tempo para dar ao Partido?
X – Desde logo quem estiver desocupado, ou quem tiver muito pouca ocupação!

1 comentário:

Anónimo disse...

Grande monólogo
Parabéns

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