O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

CUSPIR NA MAÇÃ


As reacções em Portugal à recente decisão da Comissão da União Europeia de perseguir o Governo irlandês e a Apple por concessão de vantagens fiscais são uma boa ilustração dos motivos pelos quais a economia portuguesa está condenada há décadas a um miserável crescimento.

No dia seguinte à divulgação da noticia, o Ministério das Finanças português reagiu célere, anunciando a sua intenção de secundar a Comissão, investigando a situação da empresa em Portugal. Depois, vários comentadores pronunciaram-se sobre o assunto, quase todos apoiando a perseguição à Apple e ao Governo irlandês.

Devo recordar um ponto importante-porventura decisivo-do contexto em que esta questão está a ser agora levantada. Os serviços estatísticos irlandeses revelaram, recentemente, que a economia irlandesa confirma a sua espectacular recuperação da crise financeira de 2008, registando as maiores taxas de crescimento da União Europeia. Acresce que – escândalo supremo – os últimos valores do crescimento do PIB atingiram o nível de dois dígitos. A surpresa – e a inveja!- foi tal que chegou a ser posta em causa a veracidade dos valores, obrigando o Governo irlandês a detalhar e confirmar a exactidão dos números.

O que está em causa são vantagens fiscais concedidas entre 2003 (!) e 2014. As vantagens resultam de decisões tomadas em 1991(!) e 2007. Não é uma decisão recente que é criticada – é uma política antiga e estrutural que é, de novo, contestada.

De facto, não é a primeira vez que é intentada esta perseguição ao Governo irlandês. Esta é a última de uma série que regista, desde 2001,, os seus episódios mais virulentos. Lembremos a resistência heroica e vencedora aquando da negociação nos finais de 2010, do resgate com a troika.

(Onde estaria agora a Irlanda se tivesse cedido? Talvez como Portugal ou a Grécia que se arrastam numa crise sem fim.)

Esta disputa tem que ver connosco.

Está em causa a procura de factores de competitividade adaptados às economias europeias médias/pequenas, periféricas e atrasadas. Estas economias, como mostra a experiência recente não conseguem crescer e convergir sem factores de desequilíbrio que atraiam grandes investidores que, caso contrário, afluirão ou às grandes economias do centro europeu ou mesmo para fora da Europa. Os pequenos e médios investimentos, focados ingenuamente por muitos, não passam de folclore sem efeito significativo no crescimento, quando não integrados em redes dinamizadas por grandes empresas.

Este ataque ao Governo irlandês e à Apple visa condenar uma política vencedora que deveria inspirar os decisores portugueses. Estes, pelo contrário, colocam-se ao lado da burocracia comunitária ao serviço das potências centrais, contra um pequeno e valente país que mostra o caminho do crescimento aos países periféricos e atrasados da Europa. (Lembremos que nos anos 1960 a Irlanda ainda tinha um PIB “per capita” inferior ao português.)

Os episódios de maior crescimento português ocorreram por via da atracção do capital externo atraído por várias e generosas vantagens, incluindo fiscais. Não há investimento estrangeiro significativo sem estas vantagens. É assim em toda a parte, foi assim em Portugal nos períodos de maior crescimento. Lembremos por exemplo, a Renault e a Autoeuropa.

A concorrência fiscal é uma arma decisiva de que não podemos prescindir. Os interesses da economia portuguesa exigem a sua tolerância na União Europeia e o envolvimento inteligente dos decisores nacionais nesse processo.

Na vida, cuspir na sopa não é bonito e não traz bons resultados. Em política económica também.

Avelino de Jesus (Economista e professor do ISEG) in: Negócios de 12.09.2016

Wolfgang Münchau: Um Alemão para ser lido!

Os chineses falam do cérebro de macaco como sinónimo de uma incapacidade de concentração. Nós, no Ocidente, temos o conceito de transtorno do défice de atenção. Ambas são descrições apropriadas para o estado da discussão sobre o futuro da UE em geral, e a cimeira da última sexta-feira, em Bratislava, em particular.

Os nossos líderes estavam desorientados - mais desconcentrados do que nunca. A UE tem ainda uma crise financeira não resolvida; uma união monetária inacabada; uma união bancária incompleta; grandes e crescentes desequilíbrios internos e externos; muito pouco investimento; taxas de juro negativas; e, em partes da união, rendimentos reais em queda.

E no entanto, em Bratislava, os nossos líderes decidiram, essencialmente, que era hora de seguir em frente, deixar para trás tais realidades desagradáveis e centrar as atenções na coordenação de outras áreas políticas. Tendo destruído a economia nos últimos 15 anos, voltam-se agora para a segurança.

A verdade é que a UE não vai fazer nada antes das eleições cruciais do próximo ano em França e na Alemanha. Depois disso, iremos assistir a uma maior integração, não por opção, mas por necessidade.

Houve um tempo, há duas décadas, em que as coisas eram diferentes. Em seguida, o debate passou a ideológico: era-se integracionista europeu, eurocético ou qualquer coisa entre os dois. Há vestígios deste debate nos países que não pertencem à zona euro, mas com a chegada do euro a 19 dos 28 Estados que ainda são membros da UE, a maior parte já não se podia dar a esse luxo. O grau de integração já não é determinado por aquilo em que se acredita, mas por aquilo de que se precisa. Sim, há diferenças ideológicas entre ordoliberais alemães e keynesianos italianos. Mas poucos acreditam, mesmo na Alemanha, que uma união monetária possa ser deixada à sua própria sorte. A maioria concorda que a UE precisa de mais integração para fazer funcionar a zona euro.

A razão política simples é que, de outra forma, acabam a empobrecer um número crescente de eleitores. Isso já aconteceu em Itália e na Grécia. Mesmo na Alemanha, existe agora um forte partido antissistema. No Reino Unido, o brexit mostra o que pode acontecer aos políticos quando os rendimentos reais caem durante longos períodos. O agregado familiar médio britânico sofreu uma queda efetiva dos rendimentos reais com o aumento dos custos da habitação ao longo de 13 anos, de acordo com dados oficiais. Esta insurreição aconteceu por uma razão.

O que vai fazer avançar a integração europeia é a próxima crise e as que vierem a seguir a essa. Um dos gatilhos pode ser o enorme excedente da conta-corrente da Alemanha. Neste ano aproxima-se dos 9% do produto interno bruto. Os excedentes de poupança do país são reciclados no frágil sistema bancário da zona euro.

Isto não importaria se acontecesse num contexto fora da esfera nacional, com um esquema europeu de seguro de depósitos central e um apoio orçamental igualmente central. Mas não é. Também não o será tão cedo. Se ou, melhor, quando a próxima crise bancária chegar, a zona euro vai enfrentar um momento de verdade. O Estado italiano é grande de mais para resgatar, mas também grande de mais para falir. Alguma coisa terá de ceder.

A combinação de uma não resolução de ativos tóxicos em alguns bancos alemães, de crédito malparado nos livros dos seus parceiros italianos, de uma recuperação económica em Itália que não está a ir a lugar nenhum e de taxas de juro negativas poderá fazer perder o equilíbrio. A necessidade de corrigir esse problema, ou de o evitar, é o que vai determinar a próxima etapa da integração europeia.

Na primeira crise da zona euro em 2010-2012, os Estados membros criaram relutantemente o Mecanismo Europeu de Estabilidade, um apoio anticrise. Eles introduziram novas regras de coordenação económica, incluindo sistemas de alerta precoce. O Banco Central Europeu ampliou o seu conjunto de instrumentos de política, incluindo uma rede de segurança e de flexibilização quantitativa. Poderíamos ir mais longe. O eurobond, um título de dívida europeu emitido em conjunto, pode muito bem estar a uma, duas, ou três crises de distância.

Não estou a prever que a zona euro vá, indubitavelmente, em direção a um futuro brilhante, aumentando cada vez mais, passo a passo, a integração. É apenas um cenário concebível. A julgar pelo seu desempenho atual, parece mais provável que os líderes europeus fiquem parados a meio do caminho. Nesse caso, seria razoável esperar que a zona euro acabasse por se desmoronar sob a pressão dos seus desequilíbrios opressivos e bancos não rentáveis.

Embora não possamos prever as escolhas exatas que os líderes farão, podemos dizer que se eles alguma vez acabarem por tomar as decisões certas, tê-lo-ão feito com relutância, encostados à parede. Eles não vão planear com antecedência. O próximo passo em direção à integração não será o resultado de uma sessão de debate de ideias, mas sim de alguma reunião de emergência após a meia-noite durante um fim de semana.
É por isso que as cimeiras de debate informais como a realizada em Bratislava são um desperdício de tempo. Não é assim que a próxima etapa da integração europeia vai acontecer. Como vimos a 23 de junho no referendo no Reino Unido, agora são os eleitores que conduzem o processo. A nossa maior esperança é que esta mudança acabe por servir para melhorar o défice de atenção dos líderes europeus.
In: DN de19 DE SETEMBRO DE 2016
Por: Wolfgang Münchau

domingo, 18 de setembro de 2016

As esquerdas e o dinheiro

Sempre se disse que as esquerdas têm um problema com o dinheiro. A começar pelo facto de não o terem. É natural. Tivessem dinheiro e talvez não fossem esquerdas. Com algumas excepções, as pessoas de esquerda não têm muito. Por isso, quando estão no governo, têm uma atitude ligeira com o dinheiro dos outros. Querem promover a educação, a saúde, a segurança social e as obras públicas, o que é excelente, só que para isso, que custa tão caro, faz falta o dinheiro. Mas, convencida de que a direita tirou aos pobres para dar aos ricos, a esquerda também quer reverter e devolver aos pobres... No entanto, dar é uma coisa. Crescer e distribuir é outra, bem diferente e mais difícil. Mas a verdade é que uma e outra, esquerda e direita, desde 2000, não conseguem investir nem crescer.

Nos bons tempos, gasta-se o que se tem. Nos anos difíceis, gasta-se o que não se tem. Depois, é necessário encontrar dinheiro. As soluções: fazê-lo, pedi-lo emprestado ou ir buscá-lo onde ele está. Portugal está a viver um período desses, dos maus. Só que não se pode fazer dinheiro, o Banco de Portugal e a Casa da Moeda já não servem para isso. Pedir emprestado, é o que se vai fazendo, mas está cada vez mais caro. E quem tem dinheiro ficou exigente: ou não empresta ou impõe condições proibitivas. O que se deve é tanto que só os juros levam os recursos para investimento. Foi aliás por causa de se ter pedido a mais que chegámos onde estamos.

Sobra, portanto, a última hipótese. Ir buscá-lo onde ele está. Em primeiro lugar, entre os capitalistas do mundo inteiro, para investir. Seria o ideal. Só que Portugal não oferece hoje, nem sequer nos últimos anos, boas condições. Não sabe criar incentivos nem atrair investimento. Se não há capitalistas lá fora, é preciso ir ter com os de cá de dentro. E levá-los a investir. Só que... Já não há! Ou quase não há! O capitalismo português acabou. Sobravam uns banqueiros, umas empresas e umas famílias: faliram, estão depenados, levaram o seu dinheiro para outros países ou não têm confiança no regime e no governo. O dinheiro dos bancos já não existe ou está preso pelo BCE. Os bancos já não têm que chegue e precisam dos contribuintes!

Há, evidentemente, o dinheiro dos turistas, mas não é suficiente. Há o dos emigrantes: é bom, apesar de já não ser o que era, mas também não chega para as encomendas. Há finalmente os dinheiros europeus, os famosos "fundos". Esses são excelentes, essenciais há mais de trinta anos, mas o montante já não é o que era. Além disso, estão sob controlo europeu cada vez mais apertado e presos na tenaz burocrática portuguesa. E também em risco de suspensão, dado o mau comportamento financeiro do governo e do país. Os fundos já não são a solução!

Se o que havia fugiu e se não se atrai o que está lá fora, só resta mesmo ir à receita miraculosa dos comunistas, do Bloco e dos socialistas mais nervosos: ir buscá-lo onde está! É há anos a receita infalível. Os dirigentes políticos dos novos aliados do PS sempre o disseram. Ir buscá-lo onde? Aos ricos. Às contas bancárias. Às empresas. Às casas.

O problema é que não há ricos. Ou antes, não há ricos que cheguem. Os que tinham dinheiro já o puseram a recato. E o dinheiro já não chega. Por conseguinte, vamos aos que se seguem, todos os que têm alguma coisa. Passam a ser todos ricos. Por exemplo, para já, aos que têm património de mais de 500 mil euros... Faz-se uma lei sem saber quantas pessoas, quantas casas, qual o rendimento... Não se faz a mínima ideia, o governo não define o que é um rico nem um pobre. É quem convém. E se não chega, arranjar-se-á mais, com os impostos indirectos, antes de se passar aos directos. E a tudo o que vive. Tudo o que tem ou ganha qualquer coisa. Até se chegar aos remediados. Até deixar de haver ricos. Mesmo que então já só haja pobres...

Por:António Barreto in DN

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Geração Phonix +Zonix + vodafnix + Uzix + Tmnix+optimix

Texto verídico retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa, realizada por um aluno do 9º ano, de uma Escola Secundária (para ler, estarrecer e reflectir...!!!

REDAXÃO

'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, quês ver???

O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O Brasil, as galinhas e a economia

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.

(L - Ladrão; D - Delegado)

D - Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!

L - Não era para mim não. Era para vender.

D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!

L - Mas eu vendia mais caro.

D - Mais caro?

L - Espalhei o boato de que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.

L - Os ovos das minhas eu pintava.

D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...)

D - Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio...

D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?

L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

L - Às vezes. Sabe como é...

D - Não sei não, Excelência. Me explique.

L - É que, em todas essas minhas actividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.

D - O que é isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.

L - Mas fui pegado em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes... e respectivas equivalências....Prof. DOUTOR...preso?... Nem pensar!

Por Luís Francisco Veríssimo

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O que se aprende com os miúdos do 2.º ano

- Antigamente na França os criminosos eram executados com a Gelatina...

- Em Portugal os homens e as Mulheres podem casar. A isto chama-se monotonia.

- Em nossa casa cada um tem o seu quarto. Só a mamã é que tem de dormir sempre com o papá.

- Os meus pais só compram papel higiénico cinzento, porque já foi utilizado e é bom para o ambiente.

- Adoptar uma criança é melhor! Assim os pais podem escolher os filhos e não têm de ficar com os que lhe saem.

- As vacas não podem correr para não verterem o leite.

- Um pêssego é como uma maçã só que com um tapete por cima.

- Eu não sou baptizado, mas estou vacinado.

- Depois do homem deixar de ser macaco passou a ser Egípcio.

- A Primavera é a primeira estação do ano. É na primavera que as galinhas põem os ovos e os agricultores põem as batatas.

- A minha tia tem tantas dores nos braços que mal consegue erguê-los por cima da cabeça e com as pernas é a mesma coisa.

- Um círculo é um quadrado redondo.

- A terra gira 365 dias todos os anos, mas a cada 4 anos precisa de mais um dia e é sempre em Fevereiro. Não sei porque. Talvez por estar muito frio.

- A minha irmã está muito doente. Todos os dias toma uma pílula, mas às escondidas para os meus pais não ficarem preocupados.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Ninguém morre de véspera

Regressemos ao final de 2015, ao momento em que António Costa surpreendeu o país com o acordo parlamentar que proporcionou a "geringonça" que nos tem governado. Lembremo-nos do tom patibular de Cavaco Silva, da deselegância política com que reagiu ao entendimento parlamentar que reconduziu a esquerda ao poder. Recordemos o "roadshow" revanchista que a antiga maioria promoveu pelo país, tentando incendiá-lo politicamente contra a nova solução governativa. Elenquemos as "cassandras" (nas quais me incluo) que davam por certa a incompatibilidade entre socialistas e os companheiros da "frente popular". Tenhamos presente as previsões que garantiam que Bruxelas, que detesta ver a "esquerda da esquerda" perto do poder, iria fazer vergar o primeiro orçamento, esmagar com sanções o défice herdado dos seus "amigos" e criar uma guerrilha permanente que transformasse este num verão em que do calor não resultassem só incêndios. E quantos não foram, à pressa, reler a detestada Constituição, tentando perceber os meses que faltariam para que o futuro presidente de direita dissolvesse o Parlamento, convocasse eleições e retornasse os seus ao poder?

O futuro é sempre mais imaginativo do que os homens. A maioria, embora sacudida pela chantagem do sindicalismo paleolítico e por umas flores legislativas "fraturantes" que a sua natureza obrigou a adotar, demonstrou uma inesperada capacidade para trabalhar em conjunto. Com maior ou menor esforço e sucesso, ultrapassou algumas crises, como a dos contratos de associação com o ensino privado, polémicas de conjuntura, como a demissão de João Soares ou os governantes "voadores", ou ratoeiras herdadas do passado, como o Banif ou a Caixa.

A crise das (não) sanções acabou por gerar um momento de indignação nacional, que atrapalhou a oposição e colocou o país atrás de António Costa. O Euro futebolístico acabou por reforçar o otimismo com que o sorriso do primeiro-ministro tem vindo a acalmar um país que, em boa medida, viveu estes meses num surto de alguma esperança, de recuperação de rendimentos e de uma "oxigenação" salutar do seu quotidiano.

Seria de uma grande injustiça não pôr também a crédito do novo presidente da República uma fatia importante da descrispação que o país atravessa. Mas não nos iludamos. Por muito boa vontade que Rebelo de Sousa pudesse ter, se tudo se tivesse desconjuntado, por exemplo, em matéria de finanças europeias, as coisas não estariam como estão.

Em perspetiva, há que convir que a "geringonça" soube ultrapassar os grandes testes com que foi confrontada. Até ver, a avaliar pela nervoseira raivosa que provoca nos seus opositores, saiu "melhor do que a encomenda". O futuro? É só amanhã! Ninguém morre de véspera.

Por Francisco Seixas da Costa, Agosto 2016

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O modelo economico para Portugal e os cidadãos.


Uma questão que os cidadãos deverão debater é o “business model” do país.

A opinião dominante é que o país só pode crescer por via do aumento das exportações e não do consumo. O FMI, por exemplo, dá mais importância aos défices da balança de pagamentos dos países em detrimento do défice e da divida dos países (publica e privada). Igualmente defende-se um suposto liberalismo económico sem intervenção do Estado a quem estariam reservadas apenas as funções de soberania (Defesa, Segurança, etc) e o livre cambismo ou seja a não existência de pautas aduaneiras e outras actividades protecionistas. Esta situação é relativamente recente porque em Portugal, como aliás na Europa, a preponderância é de considerar o Estado como facilitador das condições para o investimento privado, entidade reguladora das actividades económicas e mesmo proprietário de empresas de serviço publico permitindo-lhes que (essas empresas) possam actuar no mercado em concorrência com empresas privadas.

Só um país europeu não tem um banco do Estado, o Reino Unido! Todos os outros têm-nos! No caso da Alemanha há dois bancos do Estado que são o terceiro e quarto na hierarquia. A maior accionista da VW é o Estado alemão que chegará aos 30%. O ex Chanceler Gerard Schroeder era, antes de ir para o governo, membro da Administração em Wolsburg, sede da VW, como representante do accionista Estado.

As empresas de produção de electricidade na Alemanha ou são do Estado ou estão em regime de concessão mantendo-se a propriedade do Estado. As infraestruturas (a REN lá do sítio) são do Estado por imperativo Constitucional por razões estratégicas e de defesa nacional.
A Espanha há 3 anos nacionalizou todas as empresas de fornecimento de águas no país, dando em concessão da exploração por 100 anos aos actuais donos mas mantendo o Estado a respectiva propriedade. É bom de ver que o foi por razões estratégicas: trata-se de um bem essencial á vida das pessoas, não pode estar na mão de privados.

E quem fez isto foi um governo de direita e não perigosos comunistas.

Queremos com isto dizer que a Europa segue uma direcção keynesiana mesmo quando é governada por partidos de direita, ditos neo liberais.
Esta opinião neo liberal é no entanto dominante em Portugal, que anda sempre atrasado, é defendida pelos nossos comentadores e professores de economia quase todos eles com formações, mestrados e doutoramentos em Universidades americanas. (relembro a sua falta de contacto com a realidade internacional, a falta de cosmopolitismo das nossas elites).

As Universidades americanas embora bastante ecléticas inclinam-se normalmente para o modelo liberal, como é de esperar de um país que efectivamente tem talvez o regime económico mais liberal do mundo.

É curioso constatar no entanto que nos últimos anos os economistas galardoados pelos prémios Nobel da Economia americanos são todos neo-keynesianos sendo os mais recentes Stiglitz ou Krugman e, no caso da Europa os mais conceituados alemães são também neo-keynesianos, como Martin Wolf e Wolgang Monchau que apesar de alemão é o editor adjunto do Finantial Times. É claro que os nossos economistas não apanharam esta gente e portanto ainda não se aperceberam da grande mudança que houve nos EEUU como resultado desta última crise não só com a subsidiação dos bancos mas também das empresas de que a GM e a Chrysler são bons exemplos e que foi coisa nunca vista nos EEUU e, note-se, que a intervenção do Estado na economia começou mesmo com o Snr. George W. Bush, o Presidente mais á direita que os EEUU tiveram nos últimos 50 anos, á revelia de todos os dogmas neo liberais de não intervenção do Estado na economia.

Para abreviar chamemos a uns liberais e a outros keynesianos com a ressalva de que hoje em dia não há liberalismo puro em nenhuma parte do mundo e o keynesianismo é diferente do defendido por Lord Keynes a seguir á crise de 1929.

Não há liberalismo puro porque mesmo nos EEUU existem pautas aduaneiras com países que não têm acordos bilaterais, existe a intervenção da Reserva Federal aumento ou baixando a taxa dos juros de referência conforme se quer lutar contra a inflação ou contra a recessão, respectivamente. E como acima dizemos a intervenção do Estado na economia com a crise do Lehman Brothers não tem precedentes na história da América.

Não há keynesianismo puro porque a doutrina diz que os Estados têm que amealhar nos bons tempos para gastar nos tempos maus. Na verdade, em todo o mundo com o crescimento da influência do Estado, as suas responsabilidades aumentam e portanto nunca chega a haver tempos bons porque, a acontecerem, em democracia os cidadãos exigem redução de impostos afastando a possibilidade de aforramento do Estado e portanto nos tempos maus só resta o recurso ao crédito. No entanto, á falta de melhor designação, chamaremos a uns liberais a outros keynesianos, como disse.

É quase óbvia que minha inclinação para os segundos. As minhas convicções são o que são, e sempre estou de espírito aberto para a discussão e a dialética e, por isso, várias vezes mudei de opinião.

No entanto, as minhas convicções são sobretudo baseadas não em teorias gerais académicas (que são necessárias mas têm que ser adaptadas á realidade e eu não sou economista ) mas em resultados concretos que podem ser lidos e vistos na história. Ou seja, factos.

São também influenciadas pelos meus ideais de justiça social, dignidade do ser humano e obrigação de solidariedade, e pela convicção de um não crente que o objectivo da vida é fazer alguma coisa pela sociedade, e tornar os homens o mais felizes possível nesta vida, e que a economia actual foi desenvolvida pelos homens e se não serve para garantir a dignidade mínima humana, o melhor que temos a fazer é arranjar outra.
Os economistas, pelo contrário entendem que a economia foi imposta por mão divina e nós humanos temos que obedecer ás regras imutáveis dessa economia, “no matter what”!

Não posso portanto acreditar que a economia e particularmente o mercado estão protegidos por uma mão invisível, como dizia o fundador da Economia, Adam Smith.

Ora sendo ele um professor de Religião e Moral, parece-me que a Mão Invisível a que se referia seria provavelmente Deus.

E a primeira razão é ao contrário do que se possa pensar muito pragmática. E resume-se no seguinte:
As duas razões principais que há seculos definem e decidem qual é o modelo de desenvolvimento de uma determinada economia não é qualquer teoria económica (liberal. Comunista ou Keynesiana) mas sim os interesses geo estratégicos de um país e/ou os seus recursos naturais.

Assim, economias como a Noruega ou a Dinamarca, por exemplo, são fortemente proteccionistas e, contudo, extremamente prósperas. Á parte o facto de gerirem bem a coisa pública (o que não é pouco...), é resultante de um factor fundamental e excepcional: o facto de 40% do seu PIB resultar das receitas do petróleo (como diria o outro:assim também eu!). Como consequência, o peso do Estado na economia é o maior de todos os países europeus, com a característica de serem extremamente eficientes.

Reparem... o Estado português emprega “oficialmente” 600 mil pessoas, mas se incluirmos os recibos verdes, os outsourcings, etc, digamos que temos 1 milhão de funcionários a trabalharem para o Estado.

Na Dinamarca que tem metade da população de Portugal, existem 1 milhão de empregados do Estado e ninguém parece estar preocupado por este facto!
A influencia do Estado na economia portuguesa esta um pouco abaixo de 50% (aumentou com a política da troika e do anterior governo, ao contrário dos objectivos que defendiam o contrário) mas nos países escandinavos ultrapassa os 55%, o que viola todas as convicções dos liberais. Ainda mais quando estes países têm fundos soberanos que actuam nos negócios internacionais como qualquer empresa privada. A ultima empresa de alumínios onde trabalhei tinha sido fundada por um desses fundos da Noruega. E na cartilha dessa empresa constava, tal como acontecia na Noruega que o despedimento era proibido “tout court”! Note-se que o despedimento não é proibido na Noruega mas é nas empresas do Estado que são pagas pelos cidadãos.

Todas estas empresas continuam a existir e até a crescer sob o beneplácito de governos de direita como é o caso actualmente na Dinamarca e da Noruega dirigidos por governos da direita, sem que este status seja posto em causa.

Cá está um exemplo da definição do modelo económico ser dependente dos recursos do país e não das teorias académicas. O mesmo se pode dizer por exemplo com os países árabes, etc.

Temos outro exemplo de um país cujo modelo de desenvolvimento é definido pelos seus interesses estratégicos que é Israel. Este país vive cercado por paises hostis (alguns com grandes e justas razões de queixa de Israel), portanto a sobrevivência e a capacidade de defesa do país são absolutamente vitais. Assim, este país é um dos maiores produtores de armas e de munições do mundo apesar da sua diminuta dimensão (era o maior fornecedor de munições de 7,65 para o Exército Português durante a guerra colonial).

Aproveitaram o Know How que tiveram que desenvolver para se defenderem e transformaram-no num negócio global. E, claro, devido ás preocupações obvias com a segurança e a defesa nacional, todos estes negócios são controlados a 100% pelo Estado.

A economia é ditada mais uma vez pela necessidade criada com a segurança e sobrevivência e não de qualquer teoria de política económica.
E que dizer das decisões da 1ª Ministra inglesa do 1º Ministro da Austrália de se recusarem a entregar negócios ou áreas estratégicas do país a um país estrangeiro ainda por cima um país que vive sob uma ditadura comunista, a China?

Ou seja, os negócios provavelmente eram chorudos, mas o Estado renunciou a eles com óbvio prejuízo financeiro para defender os interesses estratégicos do país, o que viola frontalmente a cartilha neo liberal.

De notar que ambos os países são governados por partidos conservadores de direita.
Claro que não fui eu que compreendi isto. Desde o Kissinger (para falar nos tempo modernos). até ao General Loureiro dos Santos (cuja leitura recomendo e que foi Ministro da Defesa do Governo do PSD, até ao nóvel comentador Bernardo Pies de Lima, todos concordam com esta linha. Leiam-se escritores americanos não académicos sobre esta questão e irão ficar surpreendidos pelo seu pragmatismo. Peter Moore por exemplo, embora esse livro esteja circunscrito a situação europeia, situa-se na mesma linha.

A Judite de Sousa da TVI perguntou ao actual Presidente quando ele era comentador o que significava ser Social Democrata hoje em Portugal. Ele respondeu “ É ter preocupações sociais, defender a dignidade das pessoas, proteger os mais débeis, criar condições para a iniciativa privada existir pujante, ser o Estado um forte regulador dos comportamentos e ter o Estado o controle (que nem sempre significa a propriedade) de sectores necessários á população como por exemplo a energia”. “Ó prof, dizia ela, então o melhor é inscrever-se no PS porque a actual direcção do seu partido defende ideias muito diferentes”. Faço minhas as palavras do Marcelo. É o que eu penso também.

Chegamos assim ao ponto: “Europa” e “de como saímos daqui”?.
É evidente que sem o pais líder, a Alemanha, mudar a política, nada feito!
A Europa tem andado a perder competitividade com o resto do mundo, sobretudo os países emergentes e o mesmo se diz na Alemanha. A solução, dizem os liberais é a inovação (tem que se inventar a roda todos os dias) e reduzir o custo dos factores de produção sendo o primeiro e mais fácil os salários.

Ora bem, a primeira pergunta que devemos fazer é: Porque e que a Alemanha e a Europa são menos competitivosa que estes países emergentes (BRIC)?
A razão fundamental prende-se com as condições legais em que trabalham essas economias versus as exigências das economias desenvolvidas. Não só os salários são muito mais baixos, como não gastam, por exemplo, em tratamentos de efluentes, programas sociais, reformas, dias de descanso, financiamento a fundo perdido pelos Estados, é um nunca mais acabar de “encargos” que não suportam nos seus custos.
Ora, contra essa realidade não há hipótese efectivamente de competir. Não há inovação que resista!

Mas isto também é uma concorrência desleal, que perdemos á partida. Os liberais dizem que esta é a realidade e portanto, dentro da sua lógica de raciocínio, teremos que seguir por um caminho equivalente e portanto acabar no ocidente com essas despesas “supérfluas” –a maior parte delas, verdadeiros avanços civilizacionais -, etc.

Ou seja, em vez da economia propiciar melhor bem estar para os povos desses países, eles deverão continuar “per omni seculum, seculorum” a não beneficiar das condições dos países ocidentais, as quais, dada a perda de competitividade destes face àqueles, passam também a ver as suas conquistas progressivamente mais ameaçadas.

Ora para um tipo como eu a economia existe para servir as pessoas e não são as pessoas que têm que prescindir das conquistas sociais alcançadas ao longo de séculos com grandes sacrifícios só porque há países menos desenvolvidos cujos cidadãos aceitam condições de vida infinitamente mais duras com pouca recompensa, porque apesar de tudo, ainda assim constituem uma melhoria para eles.

Para a globalização funcionar de forma equitativa, teremos que obrigar a todos os países que fazem parte da OMC a propiciarem as mesmas regras laborais, de ambiente, de certificação, etc, senão não há realmente concorrência leal.
De qualquer forma, esta situação é transitória. Os países baratos ao desenvolverem-se, tornam-se caros como todos os outros. Vejam a nossa Delphi. Hoje colocar negócio na Polónia, Republica Checa e Hungria é mais caro que Portugal. (estes estudos existem e estão disponíveis). O mesmo acontecerá a todos os outros do leste europeu uns mais depressa que outros.

O mesmo aconteceu com a China. Certas fábricas em Pequim e Xangai pagam 450€ de salário. O mesmo salário pago pelas mesmas em Portugal é de 600€.
Quer dizer, já não é económico a deslocalização de produção para a China em ordem a exportar para o ocidente. Os custos de logística , o tempo de transporte a que obriga a dispendiosos stocks de segurança, a impossibilidade de reposição rápida de matérias defeituosos, etc, torna a coisa inviável.

Daí, actualmente verificam-se deslocalizações ou para outros países para ganhar mais algum tempo, que são chamados Países PC (ou post China em inglês) que são países na Indochina e em outros pontos da Ásia (In “As Guerras que nos rodeiam de Gen Loureiro dos Santos”) ou então, no caso dos EEUU, o regresso a casa.
Claro que se manterão por muitos anos empresas estrangeiras na China mas sobretudo para satisfazer o absolutamente fabuloso mercado Chinês, não mais para exportação.

Isto compreenderam os lideres chineses e por isso concentraram de novo a direcção da economia (até porque agora são auditados pela OMC) e apostaram no mercado interno e no consumo. E muito bem. Os geoetrategas e os economistas keynesianos afirmam ambos que a a morte dos interesses de um país é quando ele tem um alto grau de dependência seja ele do que for. Portanto ao apostar no consumo está a apostar-se na própria população que não foge. Ao apostar na exportação criam-se dependências que não são controladas pelo próprio país. Veja-se o que aconteceu num ápice em Angola. O petróleo foi abaixo e eles aproximam-se do colapso.

Veja-se o que aconteceu á Finlândia. A NOKIA estourou e com as sanções europeias á Rússia, as exportações reduziram-se em 50% destruindo a economia. A Finlândia gerida por falcões neo liberais que começaram por aplicar a receita da austeridade pura e dura, conseguindo com isso obter a maior recessão de toda a Europa que vai agora em 8,8%. Portugal chegou aos 7,5%.
Ora os mesmos falcões liberais dizem agora que têm que sair do Euro e estão a estudar dar 800 euros a fundo perdido a cada cidadão, violando toda a convicção e o discurso austeritário e liberal para sair do buraco. Neo liberais my ass!

Eu tenho alguma sensação positiva de vingançazinha. Os Finlandeses foram daqueles que disseram que os países do sul eram gastadores e preguiçosos. Afinal eles austeritários e trabalhadores estão num buraco maior que o nosso!

Isto para dizer que os EEUU os maiores exportadores mundiais, exportam cerca de 10% do PIB e não estão interessados em exportar mais sobretudo por razões estratégicas e não o farão. Os chineses já perceberam que a coisa só funcionou durante um determinado período e que agora há que mudar. E estão claramente a mudar apostando no consumo interno.

Porém os nossos políticos e comentadores continuam a apontar para um modelo que já está ultrapassado. A Alemanha que é vitima desta situação, mudará a sua política largando os cordões á bolsa como bons keynesianos que efectivamente são, logo que acabem as eleições de 2017. Ou talvez, quem sabe, o tenham que fazer antes das eleições para travar o avanço eleitoral da extrema direita. E a perda de popularidade da snra Mekel e da CDU.

Porém o Zé português continua alguns episódios atrasados na telenovela.
Portugal exporta uma percentagem do PIB maior que qualquer país do sul da Europa e só alguns países de leste têm uma maior percentagem, porque ainda estão a beneficiar de investimento de low cost que também está em vias de desaparecer.
O que importa é exportar uma percentagem razoável mas não demasiada e sobretudo que seja variada e não como a Alemanha que só exporta 4 produtos e sobretudo que seja de produtos com mais conteúdo tecnológico.

Podemos exportar menos mas ganhar mais em cada euro exportado. (as empresas portuguesas industriais são sobretudo subcontratantes tendo as suas margens altamente pressionadas e obtendo muito pouco lucro destas exportações.) Segundo, interessa-nos produzir produtos que evitem fazer importações. Por exemplo na alimentação Portugal importa 2/3 das sua necessidades!. Isto apesar de produzirmos mais 80% do que se produzia em 1974 e com menos 90% das pessoas. Há que considerar que a agricultura, particularmente o vinho e fruta e ainda os têxteis e calçado tiveram uma reestruturação com êxito talvez mais lentamente do que seria desejável.

Esta questão explica porque o argumento da massa critica apontada pelo José Henriques fica prejudicado. Disse ele que Portugal tem que exportar porque não consegue consumir o que produz. Isso seria verdade se não fosse a realidade de importarmos mais do que exportamos.
Temos excessos de produtos em áreas que exportamos mas temos falta ou nem sequer produzimos bens de que necessitamos que temos que importar. Temos o que não precisamos mas falta-nos o que precisamos.

E, nada de confusões ninguém com dois dedos de testa diz que não devemos exportar. O que se diz é que se não deve exportar demasiado, que se deve diversificar as exportações e finalmente que se escolham produtos em que se ganha mais dinheiro; bem como produzir bens de que necessitamos para reduzir as importações.
Finalmente o último argumento é o de que para exportar mais ou obter mais “market share” num mercado maduro como é a Europa, temos que ter produtos melhores e/ou mais baratos para vencer a concorrência dos espanhóis, franceses, alemães, etc.
Isso, meus amigos é um sonho!

O nosso desenvolvimento tecnológico e a investigação em Portugal na área da industria é inferior a esses países, as condições de financiamentos são muito mais duras que nesses países e finalmente a geografia é-nos desfavorável, impossibilitando a produção e exportação de produtos de grandes dimensões e de custo unitário de logística bastante caro, sendo obrigados por isso e escolher produtos pequenos com custos de logística mais competitivos.

Consequentemente o aumento das exportações atingiram provavelmente o número máximo enquanto percentagem do PIB e mesmo que o não fosse as condições para ganhar “market share” são agora e no próximo futuro muito difíceis e mesmo que tudo isto fosse possível constituiria uma vulnerabilidade do país que cairia na crise sempre que os ciclos económicos de prosperidade e crise nos atingissem.
É esta a minha conclusão!

Ora, para fazer esta alteração no nosso modelo económico levaremos certamente muitos anos. E não terá que ser feito pelo Estado que deve apenas ser o facilitador. Serão os empresários, os sindicatos, os académicos e as universidades que têm de o fazer.
Para isso há que mudar as Associações patronais que apenas se interessam por receber mais subsídios e pagar menos impostos salários e regalias e que sempre se queixam do Estado, esquecendo-se de que têm um importantíssimo papel a desempenhar na reestruturação das suas industrias e nos seus negócios, em lugar de ser o Estado a fazê-las.

Igualmente os sindicatos com teorias obsoletas sobre o seu papel como se estivéssemos a viver em ditadura, têm que se reestruturar e passar a ser um parceiro útil e obrigatório para as questões estratégicas, e não apenas um corpo reivindicativo de novas regalias e aumentos de salários.
Os académicos têm em primeiro lugar que estar actualizados sobre as tendências mundiais e não ficarem presos ás teorias que aprenderam enquanto estudantes. Um pouco de investigação é necessário.

As Universidades, por sua, vez, devem cada vez mais trabalhar com as empresas e formar cidadãos que serão úteis á economia e que conseguem assim a sua realização pessoal, em lugar de formarem gente em assuntos sem qualquer utilidade e sem perspectivas de emprego.
Ao Estado, cabe estabelecer objectivos e timings e por esta gente toda a falar, o que não é coisa pouca!

J.Luis Coelho C.
Seguidor deste blog


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