O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

OBRAS ESTRUTURAIS EM ARMAÇÃO: MIRAGEM OU REALIDADE? (I)

Prometida com veemência desde há muitos anos e por diversas ocasiões, sobretudo em períodos pré eleitorais ou eleitorais, a requalificação da Frente de Mar de Armação de Pêra tem sido uma obra aguardada, em vão, por todos nós Armacenenses.

Esta perspectiva de obra tem servido, por conseguinte, de “pau para toda a obra” em sede de demagogia eleitoral, ou melhor de verdadeira trapaça eleitoralista de baixo coturno.

Hoje, parece que, finalmente, a miragem e a realidade se aproximam e talvez se encontrem.
Mas, será mesmo assim?

Como é do conhecimento geral foram lançados dois concursos públicos: um que contemplou a requalificação urbana da Frente de Mar de Armação de Pêra Poente, ao qual concorreram cinco empresas, tendo ficado em primeiro lugar, se atendermos ao preço apresentado, o consórcio constituído por Visabeira SA/Mota-Engil, SA com um valor de 2 274 682,86 euros e um outro concurso, referente à requalificação urbana da Frente de Mar de Armação de Pêra Nascente, ao qual concorreram seis empresas, tendo ficado em primeiro lugar, se atendermos ao preço apresentado, o consórcio constituído por Visabeira, SA/Mota-Engil, SA, com um valor de 2 493 595,52 euros.

A imprensa regional, mais concretamente o Jornal Barlavento, publicou uma notícia com o titulo “O pequeno Polis de Armação de Pêra”, no âmbito da qual, ouvida a Presidente da Câmara Isabel Soares, esta informava que o projecto viu aprovada a sua candidatura ao Programa Operacional Algarve 21 sendo o montante de investimento elegível na candidatura ao PO Algarve 21 cerca 1,4 milhões de euros, dos quais 841 mil virão do FEDER.

O candidato assumido à Câmara Municipal de Silves, Carneiro Jacinto, por seu lado, no blog http://servirsilves.blogspot.com/, publicou recentemente um post sobre este mesmo assunto, informando-nos da adjudicação. No entanto, em face dos valores por ele referidos, quanto a nós a adjudicação só corresponderá a metade da área a requalificar!

O que, objectivamente, não seria de estranhar porquanto os apoios referidos pela Presidente somam 1,4 milhões e em cada um dos concursos foram orçadas obras de, grosso modo, 2,4 milhões, sobretudo sendo certo e sabido que a Câmara não tem meios para “mandar cantar um cego”!

Será que a adjudicação da requalificação urbana da Frente de Mar de Armação de Pêra Nascente não será efectuada nesta “lingada” e requalificação urbana da Frente de Mar de Armação de Pêra Poente, avançará, mesmo sem meios, para se ir pagando?

Mas, ainda que a requalificação urbana da Frente de Mar de Armação de Pêra Nascente avance nestas condições (o que atenta a especialização da C.M. de Silves na dilação de longos anos para o pagamento das suas obrigações, não será de estranhar completamente) não podemos deixar de evidenciar a nossa grande apreensão.

De facto, se assim for, o objectivo, sem prejuízo do beneficio que Armação mesmo assim colherá, será só “embelezar”, “para inglês ver”, quedando-se a integralidade das obras para as calendas, pois sempre poderão render para as eleições seguintes.

Mesmo que assim seja, já deveríamos ficar contentes, diria a fundamentalista soarista Adelina Capelo...

Pois, se assim for, não ficaremos nada contentes Dra Isabel Soares. Disso não tenha qualquer dúvida!

Os múltiplos anúncios, que pela sua própria boca, fez acerca da realização destas obras – tantas vezes frustradas quantas as anunciadas - de importância estrutural impar para a Vila, obrigam-na a, hoje, depois dos concursos públicos, a realizá-las integralmente, sob pena de verdadeira burla pré eleitoral!

A ver vamos, como diria o cego? Esperemos que não!

Sucede que, a politica de maquilhagem tão típica da Dra Isabel Soares, em campanha permanente, a qual ficou patente na intervenção já referida: o investimento deve servir para dar uma «visão mais limpa» da orla costeira aos residentes e visitantes, apressou-se a clarificar a Sr.ª Presidente, naquela notícia ao Barlavento, deixam-nos sempre “a pulga atrás da orelha”.


A expressão utilizada ainda constitui um verdadeiro “tiro no pé”, pois a visão limpa que aparentemente a preocupa, já teria sido alcançada se tivesse mérito suficiente para impor uma gestão eficiente da recolha do lixo, e se realmente se tivesse proposto a tanto, a qual, apesar de ter revelado nos últimos tempos, algumas melhoras, permanece ABSOLUTAMENTE TERCEIROMUNDISTA, quando, sabemos bem, a receita que arrecada da Vila é ABSOLUTAMENTE DESPROPORCIONADA PARA A QUALIDADE DOS SERVIÇOS QUE (NÃO) PRESTA!

Por estas e por outras, não temos razão para ter qualquer admiração pela obra politica da Dra Isabel Soares, mas mesmo que o quiséssemos, ela encarrega-se sempre de nos desmotivar pelo teor de cada intervenção pública que tem a oportunidade de arranjar.
Isso sim, é obra!
(Continua)

sábado, 27 de setembro de 2008

SLOW versus FAST

Um conflito de sempre entre o SER e o TER!
A Internet é um veiculo onde viaja a qualidade bem como o lixo, o
interessante como o vulgar.
Chegou-nos um texto cujo conteúdo é manifestamente interessante e decidimos
partilhá-lo convosco no Blog. Poderá aproveitar a alguém.

Valerá mesmo a pena viver em correria? Pense bem...












Trabalho, há quase 18 anos, na Volvo, uma empresa de origem sueca.

Trabalhar com eles determina uma convivência, no mínimo, interessante.
Qualquer projecto, ali, demora dois anos para se concretizar, mesmo que a ideia seja brilhante e simples.

É regra, e ponto final!

Envolvidos em processos globais (de nível internacional) causam-nos (latinos, americanos, australianos, asiáticos), em coerência com o nosso conceito de urgência, uma febre por resultados imediatos uma ansiedade generalizada.

Pois garanto-vos que, de acordo com a minha experiência, que já é longa, tais febres, ansiedade e o próprio conceito de urgência, não surtem qualquer efeito nos prazos definidos pelos Suecos.

Os Suecos discutem, discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações... E trabalham num esquema bem do tipo "slow down."
O mais interessante é constatar que, no final das contas, acaba sempre por dar certo, no seu tempo, com a maturidade da tecnologia e da necessidade: muito pouco por ali se perde...

Vejamos alguns dados:

1. A Suécia é do tamanho do Estado de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, com 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare, etc...

Querem mais?
Aqui vai:
a Volvo é responsável pela fabricação dos motores propulsores dos foguetes da NASA.
Na primeira vez que fui à Suécia em trabalho, nos anos 90, todas as manhãs, um dos colegas fazia o favor de passar pelo hotel para me dar boleia.
Estávamos em Setembro, com frio leve e neve.
Chegávamos cedo à empresa e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2000 funcionários com carro). No primeiro dia eu não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa certa manhã perguntei-lhe: "Estacionas sempre aqui. Vocês tem lugar marcado? Notei que chegamos cedo, o estacionamento está sempre vazio e tu deixas o carro sempre lá no final..." Ele respondeu-me, com a maior das naturalidades: "É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor será que fique mais perto da porta, não achas?"
Bem, poderão imaginar minha cara perante tal resposta!...
Mas foi muito útil para que eu começasse, naquele mesmo momento, a rever alguns dos meus conceitos.

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália (o site é muito interessante).

O que o movimento Slow Food defende é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" a sua preparação, no convívio da família, com amigos, sem pressa e com qualidade.
A ideia é claramente contrariar a natureza intrínseca da Fast Food e o que ela representa como estilo de vida. A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está a servir de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como, entre outras, salientou a revista Business Week numa relativamente recente edição europeia.

A base de tudo está em colocar em questão a "pressa" e a "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".
Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 horas/semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade crescer nada menos que 20%.

Essa chamada "slow attitude" está claramente a chamar à atenção até dos americanos, apologistas e criadores do "Fast” e do "Do it Now".
















Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos "stress".

Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer e das pequenas comunidades.
Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé.
Significa um ambiente de trabalho menos coercivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais eficiente e produtivo, onde seres humanos felizes fazem, com prazer, o que sabem fazer de melhor.
Algumas pessoas vivem sistematicamente a correr atrás do tempo, mas parece que só o alcançam quando “enfartam”, ou algo parecido.
Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que existe.
Tempo toda a gente tem por igual. Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia.
A diferença está no que cada um faz do seu tempo.
Precisamos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon... "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro".
Pense e reflicta: qual é o valor real de curtir a sua família, de ficar com a pessoa amada, de ir pescar no fim de semana? Pense..»

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A Despedida de Gabriel Garcia Marquez

Gabriel Garcia Marquez retirou-se da vida pública por fortes razões de saúde: é vitima de um Cancro linfático. Agora, parece que é cada vez mais grave. Enviou uma carta de despedida aos seus amigos que, graças à Internet, está a ser difundida. A sua leitura é recomendada porque é verdadeiramente comovedor este texto escrito por um dos Latino-americanos mais brilhantes dos últimos tempos.

'Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas... Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas.

Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer...'

GABRIEL GARCIA MARQUEZ

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

domingo, 7 de setembro de 2008

Do Legado Cultural Árabe para a Civilização

Há mais de mil anos atrás, um senhor –ao que consta, marroquino- cujo nome, lamentavelmente desconhecemos, concebeu um conjunto de figuras gráficas pretendendo traduzir por essa via uma expressão diferente que representasse e simplificasse as contagens e o seu registo.
O critério utilizado consistiu em criar figuras que contivessem tantos ângulos quantas as unidades que deveriam representar. Assim, a figura que representaria a unidade deveria conter um só ângulo; aquela que representaria duas unidades comportaria dois ângulos e assim sucessivamente. O zero, significando nada, não teria ângulo algum.
E desta ideia simples mas genial, nasceu a numeração árabe tal como hoje a conhecemos!

Armação de Pêra em Revista

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Património Natural

Algarve