O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

sábado, 30 de março de 2013

A crise multiplica as soluções sucedâneas...

A crise é grande mas tem quem a combata à altura!

O sector da restauração, profundamente ameaçado pelo peso do iva, já encontrou soluções compativeis com as exigências da sua sócia leonina: a administração fiscal.
De facto, só reduzindo os custos até ao infinito, é possivel manter a porta aberta!
É claro que, estas soluções, dependem de consumidores idiotas, sem olfacto, sem visão e sem paladar.

Noutras actividades profissionais, por exemplo a cirurgia estética, tem também agora a concorrência da imaginação dos pobres, nalguns dominios do seu comércio.

Demonstrado fica por estes exemplos que a crise encontra oposição a cada esquina...

Embora também saibamos que a vençe sempre, ganhando terreno diariamente, com a ajuda deste governo "Kamikase", até ver atingido o standard medieval da economia, ao qual, desenfreadamente, se propôs!


Frutos do Mar
Lagosta Termidor

O Silicone dos pobres

domingo, 24 de março de 2013

O NÚMERO QUE ESTÁ TATUADO NOS BRAÇOS DOS PORTUGUESES: O NÚMERO DO CONTRIBUINTE


In: Jornal Público


Aqui há uns anos houve uma discussão sobre o número único a propósito do cartão do cidadão. É uma matéria pouco popular, tida como importando apenas aos intelectuais e aos políticos, que as pessoas comuns vêem com muita indiferença. Se lhes parece mais eficaz que cada um tenha um número único que sirva para o identificar num bilhete de identidade, para reconhecer uma assinatura, na Segurança Social, no fisco, numa ficha médica, num cartão de crédito ou de débito, qual é o problema? Se isso lhe poupa tempo e papéis, qual é a desvantagem? Se isso permitir perseguir um criminoso, que importa existir uma base de dados com o ADN das pessoas? E se as tecnologias o permitirem, como permitem, qual o mal em podermos vir a ter um chip como os cães, ou uma etiqueta electrónica como as crianças à nascença, por que razão é que nós não podemos ser numerados por um qualquer código de barras tatuado no braço?

A maioria das pessoas é indiferente ao abuso do Estado nestas matérias se daí vier uma aparente maior eficácia e menor burocracia. E os proponentes destas medidas, uns tecnocratas, outros fascinados pelos tecnocratas, outros ainda gente mais perigosa e securitária cujo ideal de sociedade perfeita é o 1984 de Orwell, todos manipulam a opinião contra os antiquados defensores dos "direitos cívicos", que continuam a achar que não se deve ter número único, chip, ou código de barras, em nome dessas coisas tão de "velhos do Restelo" como sejam as liberdades e o direito do indivíduo em ter uma reserva da sua vida íntima e privada, sem intromissão indevida do Estado onde ele não deve estar.


Infelizmente, insisto, a indiferença cívica é o pano de fundo de muitos abusos e a sociedade e o Estado que estamos a construir são os ideais para uma sociedade totalitária. Se uma nova polícia política aparecer - e para quem preza a liberdade esse risco existe sempre -, não precisa de fazer nenhuma lei nova, basta usar os recursos já disponíveis para obter toda a informação sobre um cidadão que queira perseguir.


A promessa que nos é feita é de que os dados "não são cruzados". Mas esta afirmação não só não é verdadeira como não garante nada. Não impede um serviço de informações que queira abusar, de obter cumplicidades e "cruzar" dados, não impede uma polícia de fazer o mesmo (o episódio do acesso da PSP às filmagens não editadas sem ordem judicial é um exemplo de práticas costumeiras que só são escrutinadas depois de um acidente de percurso), não impede a utilização de software mais sofisticado para fazer buscas na Internet, muito para além da informação já vasta que se pode obter no Google. E se somarmos as câmaras de vigilância e outros meios cada vez mais generalizados de controlo dos cidadãos, mais nos preocupamos com as liberdades no mundo orwelliano em que já vivemos.


E quanto ao "cruzamento de dados" a partir de um número único com informação indevida, tudo isso já existe e chama-se NIF, número de identificação fiscal, ou mais prosaicamente, "número de contribuinte". De há dez anos para cá, o Governo Sócrates e depois o Governo Passos Coelho transformaram o fisco no mais parecido que existe com uma polícia global, e uma polícia global é também política, e o número de contribuinte no verdadeiro número único dos portugueses, cujo acesso permite todos os cruzamentos de dados e uma violação sem limites da privacidade de cada cidadão. Se somarmos a isso o facto de o fisco ser a única área da lei em que a presunção da inocência não existe e o ónus da prova cai no cidadão, temos um retrato de um Estado de excepção dentro de um Estado que se pretende de direito.


E não preciso de estar a recitar a litania do combate à evasão fiscal, porque este caminho de abuso tem sido trilhado exactamente porque o combate à evasão fiscal tem sido ineficaz onde deveria ser. O furor do Estado volta-se contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis e as tabernas, mas ignora os esquecimentos de declaração de milhões de euros, que só são declarados quando descobertos e não merecem uma palavra de condenação nem do ministro das Finanças, nem do Banco de Portugal, nem de ninguém dos indignados com a factura dos cafés. E é exactamente porque o combate à evasão fiscal falha, ou porque a economia está morta, ou porque os Monte Brancos são mais numerosos do que todas as montanhas dos Alpes, dos Andes, do Himalaia, que se assiste a uma espécie de desespero fiscal que leva o Estado (os governos) a entrar pela liberdade e individualidade dos cidadãos comuns de forma abusiva e totalitária. Digo totalitária, mais do que autoritária, porque a tentação utópica de "conhecer" e controlar a sociedade e os indivíduos através da monotorização de todas as transacções económicas é de facto resultado de mente como a do Big Brother.


Num computador do fisco está toda a nossa vida já inventariada e cruzada através do número de contribuinte e dos poderes discricionários da Autoridade Tributária. Se de manhã ao pequeno-almoço não pedir factura do café, pode vir um fiscal e multar-me (não pode porque é ilegal, impossível de facto, e o Governo anda a mentir-nos a dizer que já o fez quando se devem contar pelos dedos da mão as contra-ordenações realizadas, se é que há alguma à data do anúncio), e para lavrar o "auto" terá de dizer onde estou, o que consumi sem factura e informar o Estado sobre se tomo chá, café ou chocolate, doces ou salgados, etc. Depois passo por uma livraria e na factura estão os livros que comprei e está o número de contribuinte. Hum! Este anda a ler livros subversivos, ou quer saber coisas sobre a Tabela de Mendeleev (a química é sempre perigosa), ou uma história sexualmente bizarra como a Lolita, (diga aí ao assessor do senhor ministro que um boato de pedofilia é sempre mortífero e o homem lê livros sobre isso), ou o Vox do Nicholson Baker (uma história de sexo por telefone que o procurador Starr queria usar como prova contra Clinton, pedindo à livraria que lhe confirmasse a compra do livro por Monica Lewinsky, o que a livraria recusou e bem). Depois foi almoçar, e pelo número de contribuinte verifico que almoça muitas vezes a dois, e dois é um número suspeito. Coloque lá no mapa o sítio do pequeno-almoço, mais a livraria, mais o restaurante, e as horas. E depois? A Via Verde cujo recibo tem o número de contribuinte mostra que entrou na portagem X e saiu na portagem Y. Interessante, o que é que ele foi fazer ao Entroncamento? E levantou dinheiro no Multibanco. Muito ou pouco? Bastante. Veja lá as facturas que ele pagou no Entroncamento. Aqui está, comprou uma mala de viagem. Então a factura? Não há, comprou nuns chineses, mas foi visto com a mala na câmara de vigilância de um banco. Anote aí para mandar uma inspecção do fisco e da ASAE aos chineses, imagine o que seria se nós não tivéssemos as imagens do banco! O que é que ele vai fazer com a mala? E por aí adiante.


A nossa indiferença colectiva face ao continuo abuso do Estado, que nada melhor nos dias de hoje revela do que o fisco, vai acabar por se pagar caro. Muitos tentaram fugir ao fisco? É verdade, muitos inclusive nunca pagaram impostos e vivem numa economia paralela, mas a sanha contra eles, que face ao fisco não tem direitos, nem defesa, nem advogados, contrasta com a complacência afrontosa com a fraude fiscal com os poderosos. É que também nisso, na perseguição aos pequenos, se revela o mundo totalitário de 1984 e do Triunfo dos Porcos, em que alguns são mais iguais do que outros. E pelo caminho, para garantir que os pequenos sejam apanhados na malha, pelo desespero de um fisco que quer sugar uma economia morta de recursos que ela não tem, é que se usa o número de contribuinte como número único, cruzado nos computadores das finanças, muito para além do que é necessário e equilibrado, numa ameaça às liberdades de cada português.

Uma Europa em desconstrução...

sábado, 23 de março de 2013

Cheia de passado mas sem futuro nesta União, a Europa do Sul devia procurar outras parcerias?


Mais preocupante que a verdadeira nulidade que os lideres europeus evidenciam é a verdadeira nulidade que as oposições a esses lideres, nos diversos países, demonstram à saciedade.

É assim pública e notória a ausência total de discurso portador de alternativas quer nos lideres quer nas suas oposições, ao status quo europeu e ao destino que levamos.

Engrossa por isso, com o mero decurso do tempo e o resultado das politicas adoptadas ou através de novas medidas desastrosas, o numero de críticos que, através de condenações com suporte histórico e económico-cientifico, ou através de condenações com base histórica-politica, todas acerca do curso das medidas europeias de natureza económico-financeiras e sobretudo dos seus efeitos, ou quanto ao percurso da manifesta involução politica a que se assiste na própria união, fornecem aos cidadãos base suficientemente séria para concluírem acerca da ilegitimidade dos seus representantes, nas diversas instâncias da decisão politica.

No actual contexto depressivo europeu, quem colheria facilmente os votos da maioria dos cidadãos-eleitores, seria certamente o Presidente Obama.

Obama, que não é só um excelente comunicador, é avaliado por alguns de nós, sobretudo pelas recomendações sensatas que tem feito à Europa e a alguns lideres europeus mais responsáveis, acerca da Grécia, a seu tempo, e mais recentemente acerca de Chipre, percepcionando em antecipação os resultados desastrosos das asneiras anunciadas e algumas executadas.

Pouco faltará, por este caminho, para o provável cisma da Europa do sul, a eventual criação de uma nova união e quem sabe, um sucedâneo de um Plano Marshall, do tipo Plano Marshall XXI, apadrinhado pelo Presidente Obama e pela Reserva Federal (com a Imprensa Nacional lá do sítio a trabalhar dia e noite em novos dollars) que permita ao sul da Europa não se converter, no médio prazo, numa extensão do norte de África.

Porque os europeus só precisam de lideres que achem que é possivel
O projecto americano de se criar um mercado comum EEUU/Europa constitui uma das ultimas e criativas tentativas do Presidente Obama fazer ver às abéculas europeias sobre quais são as verdadeiras preocupações com que lidar nos tempos que correm, isto enquanto as alimárias do Velho Mundo se mantêm centradas na missão histórica principal : a eleição de Madame Merkl ou Frau Poucochinha, como queiram.

Na verdade, o Chipre demonstrou o que vale e que tipo de garantias dá a União nos dias que correm.
Quem tem amigos destes não precisa de inimigos, sabe hoje qualquer europeu desta Europa.

E de facto, perante tal espectro, Babel por Babel, estar com os Americanos pode ser uma experiência bizarra, mas certamente bem mais estimulante...e democrática! Imagine-se ao que, lucidamente chegámos...

É evidentemente uma tese ficcionada, mas que seria preferível ao destino que vivemos e sobretudo ao que parece nos aguardar, disso não temos qualquer duvida.

Post Scriptum: 
1.- Não consta de nenhum manual de Ciência Politica que uma União de Estados tenha necessariamente de ser entre Estados fronteiriços;
2.- Não consta de nenhum manual do consumo que a felicidade automobilistica só se pode atingir num Audi, BMW, Porche ou Mercedes, nem que aquela seja inacessivel com um Fiat, Alfa Romeu, Chevrolet ou... Ferrari.

Governo encurta Páscoa...

sexta-feira, 22 de março de 2013

A merda ao poder!


Zona de Flatulência





A politica é quase invariavelmente uma merda e, invariavelmente, cheira mal!

Um sítio que fala habitualmente de politica, não pode deixar de falar de merda, sob pena de desonestidade intelectual!



Tudo que você sempre quis saber sobre flatulência, mas nunca ousou perguntar.
O flato, versão chique do popular e orgulhoso peido!


1. O que é um flato? Do que resulta?
Flato, do latim flatus, significa sopro! É uma composição de gases altamente variável, expelida pelo ânus. É formado por parte do ar que engolimos, na parte que é nitrogénio e dióxido de carbono, e gases resultantes das reacções químicas entre o ácido gástrico, fluidos intestinais e  a flora bacteriana. Ou seja, dióxido de carbono, hidrogénio e metano.


2. E porque fedem os flatos, vulgo peidos, traques, volupias, bufas,?

O odor dos peidos vem de pequenas quantidades de gás sulfídrico e enxofre livre na mistura. Quanto mais rica em enxofre for  a sua dieta, mais desses gases vão ser produzidos pelas bactérias no seu intestino e mais os seus peidos vão feder. Pratos como, cebola, couve-flor e ovos são notórios por produzirem peidos fedorentos. Feijão, por exemplo, produz grandes quantidades de peidos não necessariamente fedorentos.

3. Por que fazem os peidos  barulho?

Os sons são produzidos pela vibração do ânus. O som depende da velocidade da expulsão do gás e de quão estreita for a abertura dos músculos do esfíncter anal.

4. Quanto gás uma pessoa normal produz por dia?

Em média, uma pessoa produz cerca de um litro de peido por dia, distribuído em cerca de 14 peidos diários. Pode ser difícil para determinar o volume dos seus peidos diários, mas pode estimar quantas vezes se peida. Pense nisso como um pequeno exercício científico: anote tudo que você come e conte o número de vezes que se peida. Pode inclusive anotar sobre o  seu fedor. Descobrirá uma relação entre o que come, quanto se peida e quão fedorentos são os seus peidos.

5. Quanto tempo leva até que o peido chegue ao nariz de alguém?

Isso depende das condições atmosféricas, humidade e velocidade do vento, além da distância entre as pessoas também. Os peidos também se dispersam e sua potência nauseante diminui com a diluição. Existem condições excepcionais quando o peido é libertado numa área pequena e fechada, como um elevador, um quarto pequeno ou um carro, porque essas condições limitam a quantidade de diluente possível (ar) e o peido vai permanecer numa concentração perceptível por mais tempo, até que se condense nas paredes.

6. É verdade que algumas pessoas nunca se peidam?

Não. Se elas estiverem vivas, peidam-se. As pessoas podem peidar-se até mesmo algumas horas depois de mortas.

7. Os Homens peidam-se mais que as mulheres?

As Mulheres peidam-se tanto quanto homens. O caso é que os homens têm mais orgulho nesse acto de gloria!

8. Em que parte do dia um “gentleman” está mais sujeito a peidar-se?

Durante a manhã, quando estiver no banho. Isso é conhecido como “trovoada matinal”. Se o gentleman conseguir uma boa ressonância, ele pode ser ouvido na casa inteira.

9. Por que é que o feijão faz as pessoas largarem tantos peidos?

 O Feijão contém açúcares que seres humanos não conseguem digerir. Quando esses açúcares chegam ao nosso intestino, as bactérias fazem a festa e produzem um monte de gás. Outros produtores notórios de peidos são o milho, a pimenta, o repolho e o leite.

10. Um peido é mesmo só um arroto que saiu pelo lado errado?

Não, a frase “arroto é um pum maroto que subiu de elevador” é puro folclore. O arroto vem do estômago e tem uma composição química diferente do peido. Os Peidos têm menos ar atmosférico e mais gases produzidos por bactérias.

11. Faz mal segurar  os peidos?

Existem opiniões diferentes sobre isso. As pessoas acreditaram por séculos que segurar os peidos faz mal à saúde. O Imperador Claudius até aprovou uma lei legalizando peidar em banquetes, preocupado que vivia com a saude das pessoas. Havia uma crença popular de que uma pessoa poderia morrer envenenada ou contarir uma doença por ter segurado os seus peidos. Os médicos hoje dizem que não existe mal nenhum em segurar os peidos; eles não podem matar envenenando, pois são um componente normal do conteúdo intestinal. A pior coisa que poderia acontecer é ficar com dor de barriga por causa da pressão dos gases. Alguns médicos sugerem que uma distensão patológica dos intestinos e do reto podem ser resultado de uma pessoa segurar os peidos em excesso.

12. Por quanto tempo seria possível não dar peidos?

Um peido pode escapar todas as vezes que uma pessoa se relaxa. Isso quer dizer que muitas pessoas, as que assiduamente seguram os seus peidos durante o dia, devem peidar-se imenso  quando dormem. Então a resposta seria: você pode segurar os seus peidos durante o tempo que conseguir ficar acordado!

13. Para onde vão os peidos quando os seguramos?

Quantas vezes seguramos um flato, pretendendo soltá-lo na primeira oportunidade apropriada e depois descobrir que ele tinha “desaparecido”? Ele saiu lentamente sem a pessoa saber? Foi absorvido pela corrente sangüínea? O que aconteceu com ele? Os médicos concordam que o peido não é nem libertado nem absorvido. Ele simplesmente volta para os intestinos e sai depois. Isso reafirma o facto de que os peidos não são realmente perdidos, e sim adiados.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Parábola da Divida...

 
“ Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete”.

Foi assim que o Tio Sam respondeu a Mercklozy em relação ao perdão.

§§§

A questão da dívida não era nova.
E, o Tio Sam prosseguiu citando o evangelista S. Mateus – 18;23 e seguintes:
‘23. Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;
24. E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
25. E não tendo ele como pagar, o seu Senhor mandou que ele e sua mulher e seus filhos fossem vendidos com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse;
26. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo e tudo te pagarei.
27. Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão soltou-o e perdoou-lhe a dívida’.

“A decisão do Rei”, continuou o Tio Sam “é um acto de piedade; O que quer que tenha determinado o incumprimento não é relevante: pode ter ocorrido uma calamidade ou simplesmente gestão negligente.
Deus perdoa aos arrependidos exigindo aos credores que não se limitem a conceder apenas uma segunda oportunidade.”

Mercklozy ouvia inquieto.

“O perdão de dívidas é um acto de misericórdia mas que prossegue uma lógica equitativa” – sublinhou o Tio Sam que continuou citando o Evangelista:
‘28. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.
29. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
30. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo numa prisão, até que pagasse a dívida.
31. Vendo pois os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu Senhor tudo o que se passara.
32. Então o seu Senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: servo malvado, perdoei-te toda  aquela dívida, porque me suplicaste;
33. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive misericórdia de ti?
34. E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores até que pagasse tudo o que devia’.  

Mercklozy ouviu estupefacto e o Tio Sam continuou:

“Por isso se Deus no Novo Testamento é um Deus misericordioso e imparcial, é também um Deus justo como, aliás, já o era no Antigo Testamento: no capítulo 15 do Deuteronómio - o quinto livro da Torah - estipula-se o princípio do cancelamento das dívidas de sete em sete anos ampliando as normas sabáticas – descanso da terra e libertação de escravos – às actividade de mútuo.
No Levítico, as normas mosaicas vão mesmo mais longe ao determinarem que no 7º ano sabático – o ano do Jublileu -, as terras vendidas durante os 49 anos anteriores deveriam ser devolvidas gratuitamente aos seus anteriores proprietários reflectindo uma preocupação com a estabilidade social num mundo rural onde a assimetria de riqueza poderia comprometer a coesão social indispensável à sobrevivência num universo rodeado de vizinhos hostis.
Na sociedade hebraica as actividades de mútuo eram, pois, estimuladas não servindo para financiar actividades comerciais com fins lucrativos ou elevar padrões de consumo, mas para acudir a situações de emergência económica, como por exemplo, perda de colheitas”, explicou o Tio Sam.

“O cancelamento das dívidas por parte dos credores”, - prosseguiu – “neste contexto é um acto de justiça social, redistribuindo as perdas causadas por calamidades, dos mais afectados para os menos afectados”:

“Portanto” – concluiu o Tio Sam “-quer o perdão das dívidas consagrado no Novo Testamento, quer o seu cancelamento prefigurado no Antigo Testamento, evidenciam um Deus misericordioso mas justo.”


Mercklozy, lívido, quedou-se incrédulo: perdão das dívidas? cancelamento das dívidas?
Parábola?
Alegoria?
Profecia?
Europa?
Portugal?
Quem diria!!...
… Disse!!... lembrando factos com mais de sessenta anos ocorridos na Europa, então em escombros, avisadamente recordados na perspectiva de que, como se diz, “para quem não sabe História, uma pedra é apenas uma pedra…”

Paulo Modesto Pardal in http://paulomodestopardal.blogspot.pt/


terça-feira, 19 de março de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Este triste fado....

Ex-CEO do Barclays descreve crise portuguesa no Financial Times
Económico
14/03/13 10:07



Martin Taylor visitou um país "onde tudo está à venda e ninguém compra nada".

O ex-CEO do Barclays alerta, num artigo no Financial Times, que os governos e os bancos centrais estão a experimentar tratamentos monetários agressivos, que alguns até consideram perigosos, e exemplifica com uma comparação entre Portugal e a Argentina.

Martin Taylor, que esteve recentemente em Portugal, descreve um país onde os "residentes estão sem dinheiro", as auto-estradas "construídas com fundos comunitários estão desertas", com o tráfego desviado para as velhas estradas, sem portagens. É um país "onde tudo está à venda e ninguém compra nada".

Um país onde os automobilistas preferem "estacionar os seus velhos carros em ruas estreitas para não pagarem um euro ou dois para estacionar num parque". Como adianta no artigo, "a recepcionista do hotel - vazio - chega depois de uma longa espera para servir uma bebida e, mais tarde, regressa como empregada no restaurante". E alerta: num país que "tem as boas maneiras europeias, os portugueses começaram a expressar a sua frustração no estilo franco e vivo do graffiti".

Martin Taylor diz ainda que este triste fado, que veste a capa do regime de austeridade, é uma espécie de coma. "O Estado gasta o menos possível e procura extrair cada vez mais dos cidadãos, que parecem passar a maior parte do tempo a procurar formas de evitar esses pagamentos", diz. E os "rácios do endividamento permanecem teimosamente altos, mas os caríssimos médicos estrangeiros acreditam que uma dose mais elevada deste tratamento acabará por demonstrar, no fim, que têm razão", escreve o gestor.

Na Argentina, pelo contrário, há muita moeda, diz Martin Taylor em comparação com a falta de capital em circulação em Portugal. Mas a inflação está nos 10%, segundo o governo argentino, e há quem aponte para 25%. As pessoas têm pressa em gastar, mas não têm acesso a divisas estrangeiras. Não há capitais estrangeiros a entrar neste país da América do Sul, o país não tem acesso aos mercados de crédito, descreve Martin Taylor. O governo argentino é condicionado a fazer movimentações na balança comercial. Os bancos estão obrigados a dar uma parte significativa dos seus depósitos para investimento produtivo. O ‘tango' recebe constantes estimulações e os médicos dizem que está muito melhor desde que reestruturou a dívida, apesar de não poder sair do hospital, adianta ainda.

E, nestes cenários, Martin Taylor prescreve: "Os médicos são sobretudo intimados a não fazer mal".

quinta-feira, 14 de março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Choose Portugal


Este país não é para corruptos

Por Ricardo Araújo Pereira

Em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer.

... Que Portugal é um país livre de corrupção sabe toda a gente que tenha lido a notícia da absolvição de Domingos Névoa.

O tribunal deu como provado que o arguido tinha oferecido 200 mil euros para que um titular de cargo político lhe fizesse um favor, mas absolveu-o por considerar que o político não tinha os poderes necessários para responder ao pedido.

Ou seja, foi oferecido um suborno, mas a um destinatário inadequado. E, para o tribunal, quem tenta corromper a pessoa errada não é corrupto - é só parvo.

A sentença, infelizmente, não esclarece se o raciocínio é válido para outros crimes: se, por exemplo, quem tenta assassinar a pessoa errada não é assassino, mas apenas incompetente; ou se quem tenta assaltar o banco errado não é ladrão, mas sim distraído.

Neste último caso a prática de irregularidades é extraordinariamente difícil, uma vez que mesmo quem assalta o banco certo só é ladrão se não for administrador.
O hipotético suborno de Domingos Névoa estava ferido de irregularidade, e por isso não podia aspirar a receber o nobre título de suborno.

O que se passou foi, no fundo, uma ilegalidade ilegal. O que, surpreendentemente, é legal. Significa isto que, em Portugal, há que ser especialmente talentoso para corromper. Não é corrupto quem quer. É preciso saber fazer as coisas bem feitas e seguir a tramitação apropriada.

Não é acto que se pratique à balda, caso contrário o tribunal rejeita as pretensões do candidato. "Tenha paciência", dizem os juízes. "Tente outra vez. Isto não é corrupção que se apresente."


terça-feira, 12 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Porque hoje é domingo, e todos precisam de um intervalo, recordemos uma estória de emigração que acabou em grande sucesso.


De cara alegre e cú apertado os "mágicos" dos governos limitam-se a empaliar consequências. Nas causas não intervêm! Nem saberiam como, tal é o seu desfasamento da real!


A etapa financeira do capitalismo de casino que caracteriza actualmente o paradigma em que consiste o modelo de desenvolvimento que vivemos encontra-se estafado e poucos responsáveis políticos dão conta disso.

Com a diletante miopia das soluções (?) que vão encontrando para a gestão do dia-a-dia, vão dando aparência (mediática)(e tão só...) de que resolvem problemas,  vão gozando o prazer do dever (mediático) cumprido e aqui, além, até vão sendo aplaudidos, deixando que as verdadeiras causas da crise permaneçam pouco mais de incólumes, limitando-se a gerir (empaliar) consequências.

De "cara alegre" e "cú apertado" vão garantindo que tudo está sobre controlo.

No essencial da sua actividade comportam-se como verdadeiros mágicos!

Sucede é que os actos de magia, são, sempre, truques que se destinam a enganar o público.

Apresentamos hoje um filme elucidativo sobre os truques que os mágicos usam para gerar as ilusões que, no caso, nos entretêm, sem consequências.

Finalmente desvenda este filme um truque velho de séculos que intrigou gerações e gerações de espectadores. Esta revelação permite-nos reflectir sobre o mecanismo de truques sistemáticos que os mágicos da politica usam, também eles há séculos, para nos entreter.

Desta feita, com consequências habitualmente graves, mas actualmente dramáticas.



sábado, 9 de março de 2013

Ter sido(realmente) ajudado foi bom! Ajudar nem tanto!


Joseph Stiglitz* no “Expresso” Economia, de 9.03.2013

NOVA IORQUE - O resultado das eleições italianas deveria enviar uma mensagem clara aos líderes da Europa: as políticas de austeridade que têm seguido estão a ser rejeitadas pelos eleitores.

O projeto europeu, por mais idealista que tenha sido, foi sempre um esforço do topo para a base. Mas outro assunto completamente diferente é encorajar os tecnocratas a governar países, aparentemente contornando os processos democráticos, e impondo-lhes políticas que conduzam à miséria pública generalizada.

Embora os líderes da Europa fujam ao termo, a realidade é que grande parte da União Europeia se encontra em depressão. A queda na produção em Itália desde o início da crise é apenas comparável à da década de 1930. A taxa de desemprego entre os jovens na Grécia ultrapassa agora os 60%, e a da Espanha está acima dos 50%. Com a destruição do capital humano, o tecido social da Europa desintegra-se, e o seu futuro é posto em perigo.

Os médicos da economia dizem que o doente deve manter-se neste caminho. Os líderes políticos que sugerem outra solução são catalogados de populistas. A realidade, porém, é que a cura não funciona, e não há esperança que vá funcionar - isto é, sem ser pior do que a doença. De facto, levará uma década ou mais para que se recuperem das perdas inerentes ao processo de austeridade.

Em resumo, não foi o populismo nem a falta de visão que conduziram os cidadãos a rejeitar as políticas que lhes foram impostas. Foi o entendimento de que estas políticas estão profundamente erradas.

Os talentos e recursos da Europa - o seu capital físico, humano e natural - são hoje os mesmos que eram antes do início da crise. O problema é que as receitas impostas estão a conduzir a uma subutilização maciça destes recursos. Qualquer que seja o problema da Europa, uma resposta que acarrete um desperdício desta dimensão não pode ser aceite como solução.

O diagnóstico simplista dos males da Europa - que os países em crise viviam acima das suas possibilidades - está nitidamente errado, pelo menos em parte. Espanha e Irlanda tinham excedentes orçamentais e reduzidos rácios dívida/PIB antes da crise. Se a Grécia fosse o único problema, a Europa poderia facilmente ter lidado com ele.

Um conjunto alternativo de políticas bem discutidas poderia funcionar. A Europa precisa de mais federalismo fiscal, e não apenas de uma vigilância centralizada dos orçamentos nacionais. Na verdade, a Europa pode não precisar do rácio de dois para um entre os gastos federais e estaduais que os Estados Unidos apresentam; mas precisa claramente de mais despesa ao nível europeu, ao contrário do atual minúsculo orçamento da UE (ainda mais diminuído pelos defensores da austeridade).

Também é necessária uma união bancária. Mas precisa de ser uma união real, com uma garantia comum de depósitos e procedimentos partilhados para resolução de disputas, além de uma supervisão comum. Também deverão existir eurobonds, ou um instrumento equivalente.

Os líderes europeus reconhecem que, sem crescimento, o fardo da dívida irá continuar a crescer, e que a austeridade por si só é uma estratégia contrária ao crescimento. No entanto os anos passam, e nenhuma estratégia de crescimento está em cima da mesa, apesar dos seus componentes serem bem conhecidos: políticas que enfrentem os desequilíbrios internos da Europa e o enorme excedente comercial da Alemanha, que ombreia agora com o da China (e é mais do que duas vezes maior em relação ao PIB). Especificamente, isso significa o aumento de salários na Alemanha e políticas industriais que promovam a exportação e a produtividade nas economias periféricas da Europa.

O que não funcionará, pelo menos para a maioria dos países da zona euro, é a desvalorização interna - ou seja, forçar a descida de salários e preços - já que isto aumentaria o fardo da dívida para as famílias, empresas e governos (que são detentores, na sua esmagadora maioria, de dívidas tituladas em euros). E, com ajustes a ocorrer em diferentes sectores a diferentes velocidades, a deflação provocaria importantes distorções na economia.

Se a desvalorização interna fosse a solução, o padrão-ouro não teria constituído um problema durante a Grande Depressão. A desvalorização interna, combinada com austeridade e o princípio do mercado único (que facilita a saída de capital e a hemorragia dos sistemas bancários) constitui uma combinação tóxica.

O projeto europeu foi, e é, uma grande ideia política. Tem o potencial de promover simultaneamente a prosperidade e a paz. Mas, ao invés de melhorar a solidariedade no seio da Europa, está a semear a discórdia dentro dos países e entre os países.

Os líderes europeus trocam repetidamente votos para fazer tudo o que seja necessário para salvar o euro. A promessa do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de fazer “o que for preciso” conseguiu alcançar uma acalmia temporária. Mas a Alemanha tem rejeitado, de modo consistente, todas as políticas que poderiam constituir uma solução de longo prazo. Os alemães, parece, farão tudo exceto o que é necessário.

Claro, os alemães têm vindo relutantemente a aceitar a necessidade de uma união bancária que inclua uma garantia comum de depósitos. Mas o ritmo a que concordam com reformas desse género está desfasado em relação aos mercados. Os sistemas bancários de diversos países estão já em suporte básico de vida. Quantos mais estarão nos cuidados intensivos até que a união bancária seja uma realidade?

Sim, a Europa precisa de uma reforma estrutural, como insistem os defensores da austeridade. Mas será a reforma estrutural dos acordos institucionais da zona euro, e não as reformas no seio dos países, a que causará o maior impacto. A não ser que a Europa esteja disposta a encetar essas reformas, poderá ter que deixar morrer o euro para se salvar a si própria.

A União Económica e Monetária da UE foi um meio para atingir um fim, e não um fim em si mesma. O eleitorado europeu parece ter reconhecido que, no quadro dos acordos atuais, o euro está a minar os mesmos propósitos para os quais foi supostamente criado. É essa a verdade simples que os líderes europeus ainda têm que entender.

Traduzido do inglês por António Chagas

*Laureado com o Nobel da Economia, é Professor na Universidade de Columbia.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Divida Alemã: Aprenda a fazer aos outros o que não fizeram consigo!

Faz hoje 60 anos - Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os países que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda.

O Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essencial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.

O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divida para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.

A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.

O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situacao de carência durante a qual só se pagaram juros.

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de divisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão, jornalista e sociólogo. 27 de Fevereiro de 2013.

quinta-feira, 7 de março de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

A explicação para os ratos que existem em Armação...

Afinal a culpa não é da câmara, a explicação foi encontrada.
Já não se fazem "gatos" com antigamente!


sábado, 2 de março de 2013

Turismo de Portugal

Não acham que o Zé-Zé faz falta neste vídeo?



sexta-feira, 1 de março de 2013

Era uma vez um museu... da cortiça


Suicido: A saida para a crise da qual não existem estatisticas!


Chegou ao nosso conhecimento uma carta, motivada pelo suicidio de um dos muitos comerciantes que, face à adversidade da sua situação financeira, não viram outro meio de lhe por termo, que não pela via da morte provocada.

Segundo os divulgadores esta carta, dirigida a GasPassos e Companhia, tornar-se-á pública durante a manifestação de amanhã 2 de Março.



CARTA ABERTA



Excelência,


Acabo de chegar a nenhures, e ainda esgotado pelas agruras da viagem, quero, desde já dar a conhecer-lhe o teor da carta aberta que não escrevi, antes de proceder ao meu ajustamento pessoal, em função das circunstancias determinadas pela crise económica e em rigorosa sintonia com as medidas tendentes à sua superação, concebidas e executadas pelo governo a que Vossa Excelência preside.

Atentas a eficiência e sobretudo a eficácia do referido ajustamento, levado a cabo fora da minha zona de conforto como se impunha, não quis deixar de informar Vossa Excelência com a máxima brevidade conhecendo como conheci a sua especial queda para as soluções terminais nas quais assenta a sua elaborada estratégia de retorno do pais aos mercados, a qualquer custo!

Naturalmente que o não o fiz antes porquanto, tal como Vossa Excelência, também eu abomino a pieguice e receando que a divulgação publica das razões que determinavam o ajustamento a que me propus pudesse ser tida como tal, ou pior, como afronta à democracia, resolvi-me pela solução terminal, prévia à dita divulgação, a bem de uma atitude construtiva, como de resto é sabido ser da simpatia de Vossa Excelência.

Estou assim hoje em condições de garantir a Vossa Excelência que o ajustamento é possível, a via radical é executável e para a levar a cabo com êxito, não carecemos de mais prazo, nem de mais dinheiro!

Tem por conseguinte Vossa Excelência toda a razão já que o rumo traçado
a régua e esquadro pelo seu governo sendo certeiro – como de resto o meu ajustamento fatal constitui meridiana evidência – é sobretudo definitivo!

Perdoar-me-á Vossa Excelência se, para além das considerações que acabo de fazer ao elevado e apurado rumo que tem imprimido à condução política e económica do nosso pais, da qual fui destinatário indiferenciado e submisso, o informe e ao seu Ministro da Administração Interna, do facto de ter cantado em vida, por variadas vezes, o, hoje, hino: “Grandola, Vila Morena” sem que contudo me tenha identificado devidamente.

Crente de que tal informação poderá ser de utilidade para os serviços policiais respectivos, passo a anexar a esta, para os fins que julgar convenientes, os meus bilhete de identidade e de contribuinte, tão desnecessários na etapa final quanto na original, já que do novel Cartão de Cidadão nunca tive nem a posse, nem os poderes.

Não quero terminar sem pedir a Vossa Excelência que, caso não conclua de uma primeira leitura desta missiva, acerca da ironia que a enformou, o que não sendo impossível é até muito provável, deverá entendê-la, tal como o acto terminal que executei, como uma forma pública de mandar Vossa Excelência, a totalidade do seu gabinete e a acção política que têm desenvolvido, todos por inteiro, à berdamerda!

O que não sendo coisa para dormir, também o não é para lhe tirar o sono.


Jorge Caldeira, finalmente em paz, do outro mundo.









Armação de Pêra em Revista

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