O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Patrimonio Cultural, prevenir é melhor que remediar

As novas ameaças ao património cultural, como o aumento de visitantes, vandalismo e terrorismo, vão ser tema de debate numa conferência internacional que começa quinta-feira, em Lisboa, sobre prevenção e resposta a emergências nesta área.

A Conferência Internacional “Património Cultural: Prevenção, Resposta e Recuperação de Desastres” decorrerá na quinta e na sexta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, e visa analisar a gestão mais eficaz em situações de crise, de forma a controlar e minimizar perdas e danos, de acordo com fonte da organização.

Contactada pela agência Lusa, Isabel Raposo Magalhães, uma das organizadoras, apontou que há novos riscos para o património, para além dos mais antigos e conhecidos, que são os sismos, as inundações e os incêndios.

"O grande crescimento do turismo em Portugal e, consequentemente, dos visitantes de museus, palácios e outros espaços culturais, levam ao aumento dos riscos de acidentes com as peças de arte e também de vandalismo", apontou a responsável, que trabalha no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa.

Por outro lado, os ataques terroristas em grandes cidades com património importante, não apenas no oriente, mas também na Europa, "têm levado ao encerramento de museus e a maiores receios de destruição de obras de arte".

A nível mundial, os especialistas estão preocupados com "a urbanização galopante, e o alastrar de guerras e conflitos pelo mundo, com a destruição de património, e o tráfico de obras de arte", alertou.

Questionada pela Lusa sobre a situação em Portugal, Isabel Raposo Magalhães disse que "há maior consciência do problema, mas há uma grande necessidade de apostar na prevenção, trabalhar com as organizações envolvidas em rede, e de incluir a sociedade civil".

"Temos de colaborar cada vez mais, e estabelecer uma rede de cooperação para desenvolver uma política de prevenção e gestão estratégica e eficaz. As pessoas têm de estar preparadas para reagir da melhor maneira e depois lidar com os danos", defendeu.

Recordou que esse trabalho em rede é feito pelos organismos culturais, pela Proteção Civil e serviços de emergência, organismos internacionais e pelas universidades, que estudam os fenómenos e os casos concretos.

"Todos os grandes organismos internacionais - como a UNESCO, o ICOM [Conselho Internacional dos Museus], o ICCROM [Centro internacional para o estudo, preservação e restauro da propriedade cultural/The International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property] - estão preocupados com a incidência dos riscos do património cultural no mundo", disse.

Esta conferência marca o cinquentenário da inundação de Florença, em Itália, e acontece no ano em que, no mesmo país, a cidade histórica de Amatrice teve o seu património cultural severamente afetado por um sismo, que provocou uma imensa devastação e mais de duzentos mortos.

O encontro - que conta com o apoio institucional da organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) - reúne, na comissão organizadora, além de Isabel Raposo de Magalhães, do Museu Nacional dos Coches, Rui Xavier, da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Saraiva, da Fundação Oriente, e Xavier Romão e Esmeralda Paupério, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Entre os oradores esperados estão Lina Kutiefan, diretora-geral das Antiguidades e Monumentos da Síria, que irá falar sobre "O Património Cultural da Síria durante a crise".

Também são esperados Corine Wegener, do Instituto Smithsonian, que tutela um conjunto de museus nos Estados Unidos, e que falará sobre o programa desta entidade, aplicado na resposta aos desastres, e João Seabra Gomes, da Direção-Geral do Património Cultural, que abordará a “Estratégia para a segurança preventiva em Palácios e Museus”, afetos àquela entidade.

Portugal também tem sido palco de catástrofes que atingem o património cultural, nomeadamente os grandes sismos de Lisboa e Angra do Heroísmo - recorda a organização -, os incêndios dos Palácios de Queluz e da Ajuda, da Igreja de S. Domingos ou do Teatro D. Maria II, ou as inundações de 1967, que provocaram graves danos às coleções do Museu Gulbenkian.

Além de fomentar a partilha de experiências, o encontro visa ainda alargar e reforçar bases de cooperação internacional – também com os países do mundo lusófono - e também em Portugal.

Serão abordados temas como a análise e gestão de riscos, o efeito da catástrofe a médio e longo prazo nas instituições, casos paradigmáticos que fazem parte da história da conservação, métodos e técnicas para prevenir e recuperar património.

Diário Digital com Lusa

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