O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Pedro é que abria as portas todas...


Abrir uma porta tem um significado que o povo conheçe bem, desde tempos imemoriais!

terça-feira, 6 de maio de 2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O país que vivia "vida de rico" por José Pacheco Pereira, in jornal: Público de 29/03/2014


Falando num debate corporativo, Vítor Bento, economista, conselheiro de Estado, disse, no mesmo dia em que novos dados sobre a gravidade do empobrecimento dos portugueses vieram a público, que "o país empobreceu menos do que parece. O país já era pobre, vivia era com vida de rico" (…). "Criávamos a aparência de ser mais ricos".

Deixo de barato a questão do sujeito da frase, esse perverso "nós", que nos iguala a todos diante do professor com a palmatória na mão, mas volto-me para o que, nesta tese, é revelador dos discursos situacionistas dos nossos dias. Para além do desprezo e da nonchalance de falar assim do "empobrecimento" dos outros, e que tem entranhada uma condenação moralista dos maus hábitos dos portugueses, estes homens virtuosos como Vítor Bento dizem-nos coisas reveladoras. Uma é que, no actual empobrecimento, há duas razões: uma conjuntural – "teve de se ajustar a despesa para o rendimento que existe e, no processo, o rendimento caiu" –, que foi uma maçada ter acontecido; e a outra estrutural – "o resto é empobrecimento aparente, porque a riqueza também era aparente", ou seja, outra maneira de dizer que "vivíamos acima das nossas posses", que é um programa económico, social, político e… moral.

Num momento em que o conjunto de explicações simplistas e reducionistas à volta do "ajustamento" mostra os primeiros sinais de estar a perder força na sua circulação no espaço público, ele torna-se ao mesmo tempo mais defensivo e mais agressivo. Eu não menosprezo o seu sucesso mediático e a sua interiorização nas pessoas comuns, que foi e é maior do que os seus contraditores desejariam, muitas vezes como culpa, mas hoje pode-se ver como elas conduziram a um impasse quer no pensamento quer na acção. Ao passarem do imediato, da resposta quase pavloviana à bancarrota de Sócrates, para o mais longo prazo do pós-troika, elas revelaram enormes fragilidades a todos os níveis, do económico ao político.

Voltemos às teses de Vítor Bento. Elas começam por nos falar do passado e percebe-se que não é o passado imediato da actual crise. Se fossem apenas os desvarios de Sócrates, dificilmente se encontraria justificação para ir mais longe do que corrigi-los. Não, eles precisam de algo mais de fundo, para poderem fazer a revolução dos maus costumes portugueses. A coisa já vem de trás, mas desde quando? Desde quando é que os portugueses foram "ricos"? Quantos portugueses fizeram, como ele diz, "vida de rico"? Quando é que se viveu uma "riqueza que era aparente"? Em 2005, quando Sócrates começou a cortar o défice, com um aplauso hoje esquecido? Em 2004, no rápido reino de Santana Lopes quando anunciou ao Frankfurter Allgemeine que vinha aí a "retoma", o "fim da crise", a "economia a recuperar", "todos os sinais são bons" e "nova baixa de impostos"? Em 2002, quando estávamos de "tanga" e ou era ou estradas ou criancinhas? Nos anos de Guterres, onde se distribuiu o bodo (como aliás com Sócrates) aos mesmos empresários e banqueiros que louvaram esses governos com a mesma intensidade com que louvam o actual? No tempo de Cavaco Silva e dos milhões que chegavam todos os dias? Ou desde o 25 de Abril, em que se perdeu o respeito pelo ouro das caves do Banco de Portugal? Estamos a falar de Portugal?

Mas de que "riqueza" é que estamos a falar? Não é a dos ricos da Forbes. Eu sei o que é a "vida de rico" a que ele se refere, quer àquela que serve para ilustrar o moralismo do discurso, quer àquela que verdadeiramente o preocupa. Para agitar a bandeira moral, servem algumas patetices avulsas: as férias a Acapulco, os divãs da Conforama, os plasmas para ver jogos de futebol, os jipes do FEOIGA (atenção que aqui já se está a entrar por outro caminho perigoso, não vá a CAP protestar), comprar um molho numa loja gourmet para épater les bourgeois do emprego ou a bourgeoise, gastar dinheiro insensato nos centros comerciais, alguma capacidade de consumo lúdico a que pela primeira vez muitos portugueses tiveram acesso e que mostraram a marca do novo-riquismo e da silly season. Ele não se refere a isso, mas a "vida de rico" incluí também comprar o Expresso aos sábados, ter televisão por cabo, ser sócio do Benfica e ir aos jogos, ir ao restaurante de vez em quando, comer marisco, comprar livros do José Rodrigues dos Santos, ter expectativas europeias, de ser como os franceses que se vêem nos filmes, ter um carro, mandar os filhos à universidade e ser parte da muito escassa opinião pública.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A lógica da Batata reinventada:Recuar até aos anos quarenta do século passado...

Resposta à crise: Reinventar a lógica da batata!


Dadas as circunstâncias e enquanto não reimprimimos a sebenta de "Economia Doméstica" do Prof. Salazar, cuja utilidade deverá fazer emergir das cinzas para nos socorrer, nos tempos que correm, servimos hoje algumas dicas para atravessar esta crise, reduzindo o consumo ao minimo, quando não abaixo do essencial (para mal desta pobre economia e de quase todos os que a compõem)

Retirar papos nos olhos
Esta é talvez a dica mais conhecida das batatas. Para quem costuma acordar com os olhos
inchados e com alguns papos, aplique uma rodela de batata crua sobre cada um dos olhos e
repouse durante alguns minutos. Parece mentira mas a batata vai retirar algum do inchaço
com que acordou!

Trocar uma lâmpada partida
Precisa trocar uma lâmpada que se partiu no candeeiro, sobrando apenas o casquilho?
Desligue o candeeiro, corte uma batata ao meio e pressione-a no resto da lâmpada
que sobrou. Vá rodando com cuidado e desenroscando até remover a lâmpada por completo.

Vidros sem chuva e sem embaciar
Tem o vidro do seu carro a embaciar ou os limpa pára-brisas avariaram? Corte uma rodela
de batata e esfregue-a sobre o vidro. Quase por magia, o vidro não irá embaciar nem as
gotas da chuva vão aderir ao vidro! Pode dar jeito algum dia, nunca se sabe!

Limpe talheres de prata(se ainda os não empenhou)
Não tem um limpa-pratas em casa e gostava de dar um toque especial às suas pratas?
Pegue em algumas batatas e coza-as normalmente. Reserve as batatas para alguma refeição
E coloque os objetos de prata dentro da água onde foram cozidas as batatas. Deixe repousar
durante uma hora. Lave-os de seguida e verá a diferença nas suas pratas!

Faça carimbos para si ou para as crianças
Porque não usar uma simples batata como um carimbo para envelopes de Natal ou para as
crianças brincarem? Corte uma batata ao meio no sentido da largura e vá esculpindo um
pequeno relevo na batata ou então use um pequeno molde para fazer o relevo para o carimbo.
Prepare um pouco de tinta de aguarela e use a imaginação ou divirta-se com os seus filhos.

Faça um teste aos seus filhos
Mostre aos seus filhos a força da pressão atmosférica, fazendo este pequeno teste. Pegue no
meio de uma palhinha de plástico e tente espetá-la numa batata. A palhinha dobra e não
consegue introduzi-la na batata. Pegue agora noutra palinha e tape o orifício de cima com
o dedo.
Vai ver que consegue introduzir a palhinha na batata sem dificuldade. Isto acontece porque o ar
Que ficou preso faz pressão contra as paredes da palinha, tornando-a mais dura. Quanto mais
Introduz a palinha na batata, menos espaço existe para o ar e mais dura esta se torna.
Interessante não é?

Tirar o sal de um cozinhado
Sem querer colocou sal a mais na sopa ou em algum cozinhado? Corte algumas batatas em
Rodelas grossas e com o cozinhado ainda ao lume, deite algumas na panela. Após sensivelmente
10 minutos, o tempo das batatas ficarem cozidas, retire-as e utilize-as, por exemplo, em saladas
ou noutro prato. As batatas terão absorvido o excesso de sal e poderá usá-las em qualquer outro
prato.

Plantas sem vermes
As plantas da sua casa estão com vermes nas raízes? Coloque algumas rodelas de batata crua à
volta da planta afetada para atrair os vermes. Quando estes passarem para a batata, retire-as
e coloque-as no lixo.

Arranjo floral com batata
Precisa fazer um arranjo floral mas não tem a espuma para fixar as flores? Experimente usar uma
batata grande, cortando-a ao meio, no sentido do comprimento, e coloque-a com o lado cortado
e liso para baixo, servindo de base. Faça furos na batata, nos locais onde quer colocar as
plantas e introduza-as nos respetivos buracos.

Sardinheira saudável
Uma batata crua, fornece todos os nutrientes que esta bonita planta necessita. Faça um furo
numa batata e coloque o caule da sardinheira dentro. De seguida, plante-a juntamente com
a batata, garantindo um crescimento muito mais saudável.

Limpeza das mãos
Uma das melhores formas de limpar as mãos e a pele de manchas de cenoura e abóbora, depois
de ter feito um creme destas verduras, é esfregar as mãos numa batata durante alguns segundos.
Veja a facilidade com que as mãos ficam limpas!

Compressas quentes ou frias
A batata tem a capacidade de conservar bem a temperatura, sendo ideal para o frio e para o calor.
Se necessitar de uma compressa quente, coza a batata e embrulhe-a numa toalha, aplicando sobre
a área afetada. Se precisar de uma compressa fria, coloque a batata cozida no frigorífico durante
algumas horas, aplicando no local afetado da mesma forma.

Recupere sapatos velhos
Tem uns sapatos com um aspeto velho e gasto? Antes de os deitar fora, experimente cortar uma
batata ao meio e esfregá-la por todo o sapato. De seguida, engraxe-os muito bem e vai ver que
ficarão com uma nova cara!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sexo nunca a menos de um euro por minuto

Expressão financeira de uma vida inteira de sexo, na optica do movimento.
Postamos este artigo publicado In correio da manhã 28/4/2014 visando complementar a informação ínsita no "Dossier Prostituição" que iniciámos há tempo.


Na defesa do reconhecimento das profissões de teor sexual as prostitutas, atores de filmes pornográficos e funcionários de call centers eróticos irão abrir chapéus de chuva vermelhos na Praça dos Leões, no Porto, e na rua Nova do Carvalho, no Cais do Sodré, em Lisboa.

Alexandra Lourenço do movimento ‘Somos Todos Um' disse ao CM que "a iniciativa visa juntar o máximo de trabalhadores no sentido de levar a sociedade a adotar medidas que criem condições laborais dignas". Membro do Comité Internacional sobre os Direitos dos Trabalhadores Sexuais na Europa, Alexandra Lourenço estima em "cem mil, os trabalhadores sexuais em Portugal".

"Como todos os outros trabalhadores somos seres humanos, temos de ter direitos e garantias nas atividades de teor sexual. Queremos fazer descontos para a Segurança Social, pagar e ter benefícios fiscais.
Queremos ter obrigações e exigimos respeito", sustentou Alexandra Lourenço, conhecida por Madame X. A dirigente associativa admite que há prostituição ligada a redes de tráfico e exploração de seres humanos.

Mas, acrescenta que a maior parte das prostitutas, nomeadamente o seu caso, não são vítimas dessas redes. Alexandra Lourenço adianta que com a regulamentação destas profissões haverá maior proteção por existir um enquadramento legal.

A profissionalização da prostituição levaría à criação de uma tabela de preços dos serviços. Segundo explicou Alexandra Lourenço essa é uma questão já discutida. "Sexo nunca a menos de um euro por minuto.

Defendemos só sexo oral e vaginal, mas sempre com preservativo." Com a crise muitas mulheres foram para a prostituição sem o mínimo de preparação e sem quaisquer conhecimentos sobre o trabalho que é vender o corpo.

Alexandra Lourenço defende que é necessária formação. "As mulheres têm de saber o que é andar na rua. Ter conhecimentos para se saberem proteger", disse. Interrogada sobre se ainda há um longo caminho a percorrer até à profissionalização das profissões ligadas ao sexo, Alexandra Lourenço pensa que não: "A sociedade está mais que preparada para mudar de um dia para o outro e adotar legislação."

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/sexo-nunca-a-menos-de-um-euro-por-minuto

Correio para:

Armação de Pêra em Revista

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