O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O que nos interessa o que diz esta gente? Nada!

Dizemos nós:
Falou-se muito no ano passado nas previsões dos indicadores que medem o sucesso/insucesso nacional.
O que vimos, quase em uníssono foi de que não havia qualquer hipótese de obter o défice abaixo dos 3% devido á política do governo de devolver os rendimentos retirados pela troika e o anterior governo. A economia não ia crescer, as exportações iam diminuir o investimento ia estagnar, ou seja: um verdadeiro desastre!

A oposição até descansou porque sinceramente acreditou na verdadeira impossibilidade do cumprimento do défice, o aumento das exportações e também a redução do desemprego. O mesmo fez a EU, o FMI, as agências de notação da dívida pública e bem assim a UTAO e, claro e como é habitual o Conselho de Finanças Públicas, bem como os economistas habituais. Tipos de “grande “nível. O Daniel Bessa disse que pagava um almoço se o défice fosse conseguido sem o aumento do IVA (não se sabe se efectuou o pagamento prometido), O Snr Duque, José Gomes Ferreira, J Vieira Pereira.

Toda esta gente ficou de boca aberta pelos resultados conseguidos: o melhor défice da 2ª republica, aumento das exportações ao nível das importações o que manteve uma balança equilibrada, redução do desemprego e criação líquida de cerca de 100 mil empregos, etc.

Em vez de reconhecerem que se enganaram, á boa maneira portuguesa, acabaram por justificar que foi conseguido com um milagre como a Prof Teodora e devido a efeitos extraordinários não repetíveis. O problema é que ontem a mesma senhora veio reconhecer que os efeitos extraordinários apenas significavam 0,3%, portanto o défice menos as medidas extraordinárias ficariam mesmo assim, em 2,3% abaixo do compromisso com a EU, o que aliás foi ontem confirmado pelo Eurostat. Claro que agora a referida senhora diz mais prudentemente que as previsões do Governo para 2017 são correctas mas, claro, de 2018 a 2021 já paira outra vez o diabo.

A UTAO diz que a coisa parece negra já em 2017, como habitual, sem que ninguém lhes ligue o mínimo e o FMI, pasme-se, vem hoje dizer que a previsão de crescimento do Governo é demasiado cautelosa e revê em alta o crescimento para 1,7%. A Católica diz que será seguramente acima de 2% e que em 2019 se espera que o desemprego esteja entre 7% e 8%!!!

Pior: a Moody´s, manifestou a possibilidade de rever em alta a notação do país se, entretanto, a questão do sector financeiro, fosse resolvida.
O J. Vieira Pereira escreve um artigo no Expresso dizendo que não compreende o optimismo de toda a gente pois a OCDE, contra a corrente, prevê que a coisa não corra bem.

É claro que todos sabemos que o que interessa é a OCDE, que, diga-se de passagem, nunca acerta uma, mas lá safou o Snr Pereira que conseguiu com grande dificuldade encontrar quem não alinhasse com o optimismo reinante.

Em lugar de reconhecerem que falharam rotundamente cada um dá as mais bizarras explicações para desesperadamente justificarem o seu falhanço.
Dizem uns que o Governo só conseguiu estes resultados porque reduziu drasticamente a despesa do Estado!!! Mas então não era isso que os que agora criticam protestavam fazer? Esses que criticam aquando no Governo não conseguiram reduzir como prometeram apenas baixaram os salários e, pelo contrário, resolveram o assunto com um “enorme aumento de impostos”.

Dizem também que o Estado não investiu o suficiente!!! Mas não eram esses que diziam que o Estado não se devia meter na economia, que as obras públicas tinham endividado o país, etc. etc., etc.

Afinal em que ficamos?

Este Governo, á semelhança de outros, tem cometido muitos erros mas os resultados na economia, no défice e mesmo na dívida (tendo em conta os custos de reestruturação da Banca deixada ao “Deus dará” pelo Governo anterior) excedeu todas as expectativas!
Fala-se agora em 1% de défice, crescimento da economia superior a 2%, desemprego entre 7% e 8%, a dívida pública a atingir os 60% do PIB - 15 anos antes do estipulado pela lei do PEC europeu!!!-.

Vamos, no entanto, ouvir os do costume dizer que a coisa vai correr mal, que o Governo não previu uma guerra, um terramoto ou o apocalipse, porque esta gente tomou conta dos media e não nos livramos deles.

O país estar melhor nada significa para eles, só seria importante se essa situação tivesse sido obtida pelos seus partidos favoritos. O que interessa a esta gente os 10 milhões que aqui vivem? Nada!

Devíamos responder da mesma medida e dizer: o que nos interessa o que diz esta gente? Nada!

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