A recente movimentação dos cidadãos-consumidores no sentido da abstenção de abastecimento de combustíveis nos postos Galp e BP, é, para além de justificada, motivo de esperança e “corre o risco”, a ter suficiente adesão e disciplina, de ter sucesso!Conhecemos directamente um caso de grande eficiência e eficácia da sociedade civil alemã, o qual passamos a descrever:
A Shell lá para os anos 90, tinha uma plataforma de exploração petrolífera no Mar do Norte a qual sofreu um acidente, fazendo-a desde logo adornar e posteriormente afundar-se.
Evacuadas as pessoas e analisado o problema a Shell concluiu que seria muito mais caro evitar o afundamento e proceder às reparações necessárias que criar uma nova plataforma.
Em coerência com esta conclusão decidiram deixar a plataforma afundar-se.
Na Alemanha, conhecida esta decisão pelos meios de comunicação, gerou-se um movimento espontâneo de cidadania o qual, face ao crime ambiental que tal decisão determinaria, decidiu boicotar o consumo dos combustíveis aos postos da Shell.
O resultado importou, durante a primeira semana, na redução de 50% nas vendas, naquele que era o maior mercado da Shell.
Como consequência aquela companhia resolveu rever a decisão inicial invertendo-a imediatamente e promovendo a reparação e recuperação da plataforma acidentada.
Este exemplo é demonstrativo do poder da cidadania e da sociedade civil quando se determina a influenciar o rumo dos acontecimentos, tantas vezes determinados por decisões que ponderam exclusivamente interesses egoísticos, como se cada um desses decisores vivesse isolado no planeta, apesar de se sustentar, crescer e desenvolver-se inevitavelmente com todos os cidadãos-consumidores-utentes-contribuintes.
Em Portugal os recentes aumentos determinaram já, segundo o próprio responsável das Finanças, numa redução do consumo, na ordem dos 6%.
É obra!
É certo que, provavelmente, parte desta redução resultará mesmo de hábitos de consumo mais contidos, motivados por razões económicas, mas não duvidamos que parte desta redução constitui uma punição clara dos consumidores, face à nebulosa que constituem as explicações dadas sobre a formulação do preço, a ausência comprometedora de noticias da entidade reguladora e sobretudo o facto de ninguém esclarecer com total transparência a questão do custo do crude em dólares e os efeitos cambiais vantajosos da depreciação desta moeda face ao Euro.
Porque será que ninguém responde claramente sobre o facto do crude nos custar hoje o mesmo que nos custava em 2004, apesar do aumento do preço em dólares, por virtude do pagamento em Euros?
E, assim sendo, como se justificam estes aumentos sistemáticos nos combustíveis?
Já para não falar dos acordos especiais com Angola e agora Venezuela, dois dos três fornecedores de Portugal (o outro é o Brasil), que estabelecem preços políticos, abaixo do mercado, que nos beneficiam!
Ou será que os bons negócios são só para a Petrogal (que já não é nossa) e para a receita fiscal, ficando o consumidor sempre com a pior parte?Aparentemente vamos muito mal, Portugal!
APELO DE CONSUMIDORES
Transcrevemos aqui um apelo de cidadãos-consumidores que viaja pela Internet e que um visitante amigo nos remeteu com o pedido de publicação:
“Na sequência da entrevista concedida pelo Presidente do Automóvel Club de Portugal, soubemos que cinco (5) dias sem abastecer combustível na GALP conduz a uma quebra de receitas da empresa em milhões de Euros.
Está nas mãos dos consumidores punir as grandes petrolíferas GALP, BP e REPSOL, as maiores de Portugal, com a quebra das suas receitas, se, nos próximos quinze (15) dias as privilegiarmos com a nossa ausência.
Mesmo que não baixem os preços, o que se poderá verificar face à quebra de receita de milhões de euros que tal medida implicaria, constituirá sempre uma sério correctivo no único sítio onde lhes dói: o bolso!
Eles têm de conhecer a desaprovação do consumidor!”























