O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ahhhh!!!! O que a nossa economia beneficiaria se Portugal tivesse Mar!


"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."
Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.

Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.

Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras? fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.

Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria um quilo de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por meio quilito de bacalhau da Noruega, assim como assim, já estamos habituados. Eu, às vezes penso: o que poupávamos se Portugal tivesse mar!!!!!!!!!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Este cão não é para adoção mas…

Na ADAP existem muitos animais que podem mudar a sua vida.

É só procurar no http://animaisdeportimao.blogspot.pt/

domingo, 15 de abril de 2012

O Provincianismo Português


Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.

O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.

Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do "Orpheu", disse a Mário de Sá-Carneiro: "V. é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. é vítima da educação portuguesa. V. admira Paris, admira as grandes cidades. Se V. tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si".

O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de todos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando — toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abomináveis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Vergilio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, todavia, mais certo que o ser a "Divina Comédia" superior à "Eneida". O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano.

É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos. Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.

A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment — o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.

O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, "A Relíquia", Paio Pires a falar francês, é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbabilidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queirós, não direi já com Swift, mas, por exemplo, com Anatole France. Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.

Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

sábado, 14 de abril de 2012

Armação de Pêra: Árvores dão lugar a esplanadas


As árvores pagas com o dinheiro do contribuinte europeu e os impostos dos armacenenses, são destruídas, para darem lugar a esplanadas.

Neste caso a responsabilidade da defesa do contribuinte não cabe ao Município?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Portagens na A22: incompetência ou dolo? Venha o espanhol e escolha!

Noutro dia, a propósito das filas de turistas espanhóis na fronteira de Vila Real de Sto António, com vista ao pagamento das portagens para percorrerem a A22 dispersando-se pelo Algarve, dizia eu a um amigo:

Mas será que é necessário ser-se um engenheiro espacial para perceber que as portagens na A22 são um entrave ao turismo do qual o Algarve carece como de pão para a boca?

- Pelo contrário, é preciso é ser burro! Concluiu de imediato o meu interlocutor.

Custa-nos habitualmente (e a qualquer um intelectualmente sério) partir do pressuposto de que os governantes são burros. Queremos sempre partir doutro pressuposto que é o de considerarmos que não estamos na posse de todos os dados da questão e que, provavelmente nos falta alguma informação que justifica que o governante tenha agido assim, ou assado.

Na verdade, um tipo intelectualmente sério e não superiormente informado, parte mais rapidamente do principio de que é “burro” do que do pressuposto que o Governante não sabe o que faz!

Perante este enquadramento, o meu amigo, bem mais velho, ensinou: Os políticos erram mais do que nós. Quando nós erramos, erramos por incompetência, admitamos. Pelo contrário, quando os políticos erram, tanto pode ser por incompetência e nisso são como nós, como por interesse doloso. Por isso erram, pelo menos, em dobro!

Quando tiveres, depois de uma análise da situação concreta à lupa da razoabilidade, duvida acerca da burrice de uma medida qualquer, não tenhas duvidas, porque ela é, quase sempre, asneática, mesmo!

O que fica, também quase sempre, por saber, é se essa asneira tem origem na incompetência ou em dolo! E com esta se foi este amigo velho, com o ar tranquilo de quem falou do que já viu provado à saciedade.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Miguel Relvas dos Santos

por Clara Ferreira Alves

SALAS, SALINHAS E SALETAS da nossa capital passa-se muito tempo nos últimos tempos a discutir a filiação de Miguel Relvas. O tema não necessita grau académico para a discussão. Basicamente, muito basicamente, como dizem os donos das tascas quando dizem coisas do género “nós aqui trabalhamos basicamente à base de refeições e portanto não pode ocupar uma mesa com um café”, o assunto resume-se a uma pergunta: o tipo (ok, o gajo, esta gente da capital é pouco respeitadora) faz aquilo sozinho ou é o Passos que o autoriza? A outra pergunta, que não segue necessariamente esta, é: até quando vai o Passos deixar o Relvas em rédea solta? Talvez o Relvas caia do cavalo, suspiram lacrimejantes sociais-democratas, muito dados à pieguice que o Passos vitupera.

Quando o poder acaba, os Relvas deste mundo passam-se para as empresas e enroscam-se nos conselhos de administração. São impunes, amigos de toda a gente e sabedores dos segredos de toda a gente, pelo que ninguém os ousa enfrentar. O que os move não é tanto só o ganho pessoal e sim a pequena liturgia do poder, com as espinhas dobradas em volta mais o sorriso serviçal com que são recebidos nas mesas dos almoços de negócios da capital. Facilitadores expeditos e joviais, dão grandes abraços aos inimigos e têm no estrangeiro amigos e empresários em lugares importantes, normalmente parecidos com eles tais como os fascistas Bornhausen que apoiaram de alma e coração a ditadura militar no Brasil. Acabam, se a jogada não correr mal, condecorados pelo senhor Presidente da República ou mesmo conselheiros de Estado. O Grão-Mestre desta ordem é Dias Loureiro, um controlador geneticamente modificado, dotado de total Impunidade e que por aí continua, a negociar com angolanos, com brasileiros, com quem quiser negociar. De vez em quando é avistado num avião ou num desses restaurantes da capital, porque ele tem mais que fazer. E é tudo menos piegas. Ora o Relvas ainda mal começou, o homem é muito rápido e por isso dá a impressão de que faz muitas coisas mas na verdade só faz uma: campanha eleitoral do Relvas. Dentro do azougado PSD, muitos dizem que a filiação do Relvas não é legítima e que o PSD não é aquilo.

Analisemos a filiação. Nestas coisas temos de ser caritativos. O Relvas gosta de negociar com Angola e com angolanos, o Relvas gosta de negociar com brasileiros e também com brasileiros que gostam de Angola e dos angolanos, e que mal tem isso? Vamos agora ser piegas? O Passos não gosta de gente piegas. Se o Relvas tiver de vender uns bens de família, vulgo bocados de Portugal, a culpa não é do Relvas, é da crise que nos atirou para uma irremediável pelintrice. Temos de ver o Relvas à luz desta bondade, que o faz exaurir-se ao serviço dos contratos de compra e venda da pátria. O Relvas quis fazer um programa de televisão em Angola, e por sinal um bonito programa de televisão onde ele era entrevistado enroscado na bandeira, e caíram-lhe em cima os jornalistas e os ingratos portugueses. Analisemos isto de outro modo: O Relvas, que conhece bem Angola (consta na biografia, que nenhum jornal se deu ao trabalho de investigar, incluindo o período em que a empresa do Relvas “abria portas no estrangeiro” e prestava pequenos serviços ao grande BPN), gosta de Angola e dos angolanos, sobretudo daqueles muito corruptos que estão no poder por lá.

Miguel Relvas torna-se assim uma espécie de filho do Presidente angolano, talvez mesmo o filho português que nunca teve. É, diria o Miguel Relvas dos Santos, a “nossa maneira de estar no mundo”.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

Armação de Pêra: O novo complexo desportivo do Armacenenses



Maquete do novo estádio do armacenenses





Questionada pelos jornalistas à saída da reunião da assembleia municipal a presidente da câmara de Silves Dr.ª Isabel Soares afirmou que o atraso nas obras do novo complexo desportivo do Armacenenses se deve à dificuldade em chegar a acordo com os proprietários dos terrenos.

“Verificamos que os terrenos disponíveis não têm a área que pretendemos. O complexo desportivo que vamos construir em Armação de Pêra terá grandiosidade e queremos que nele se realizem provas desportivas ao mais alto nível."

Por isso encomendamos um novo projeto, e vamos construir o complexo nos terrenos do velho campo das gaivotas e nos terrenos que atualmente são ocupados pela praia privada, ocupando toda a frente de mar.”

As obras só não avançam com maior rapidez, porque a oposição, como puderam verificar na reunião que acabaram de assistir não está interessada no desenvolvimento do nosso concelho.”
afirmou Isabel Soares

terça-feira, 27 de março de 2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Jantar de antigos alunos da Escola Secundária de Silves




Realiza-se na Escola Secundária de Silves, no dia 30 de Junho, sábado pelas 20:00 Horas, um jantar convívio dos seus antigos alunos.

sexta-feira, 23 de março de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

Silves: Mais uma Taxa – Taxa municipal de proteção civil


Espremer ainda mais o contribuinte ou restruturar a proteção civil na região do Algarve?

O blog do vereador Fernando Serpa faz eco de uma proposta da Associação de Bombeiros Voluntários de São Bartolomeu de Messines, para que seja aprovada uma taxa destinada à proteção civil de 1 euro por mês a cobrar na fatura da água.

A questão que colocamos é se devemos, como vêm sendo hábito em Portugal, continuar a procurar aumentar as receitas para dar resposta ao imediato, ou se devemos procurar restruturar as nossas organizações, continuando a prestar o mesmo ou melhor serviço às populações potenciando os meios existentes.

Faz sentido termos duas corporações de bombeiros no concelho?

Faz sentido existirem 17 corporações de bombeiros para toda a região?

Será que a proteção civil não pode ser organizada de forma diferente tornando-se mais eficiente, gastando menos recursos?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da árvore e da floresta

Quem nos "governa" lá longe em Silves tem um ódio de estimação às árvores


terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Valentim, o inocente

As 162 páginas do acórdão do caso "Quinta do Ambrósio" mostram ao detalhe como o "clã Valentim" aproveitou a venda de um imóvel de Gondomar para montar um grande negócio cujo dinheiro público foi parar integralmente a offshores. O "major" vai entrar na história: impossível de apanhar. É muito mais esperto que os tribunais e a Polícia Judiciária juntos. Tudo simples. Ora vejam:
1. Ludovina Silva, com 80 anos, decide vender a "Quinta do Ambrósio", em Fânzeres. Uma das filhas consegue marcar uma reunião com Valentim Loureiro, em Junho de 2000, para lhe perguntar se a Câmara de Gondomar estaria interessada. O "major" diz que não, mas perante a aflição, encaminha-a para o seu vice-presidente, José Luís Oliveira, grande proprietário gondomarense e habitual negociador imobiliário.
2. É já em Outubro que o vice-presidente de Valentim, José Luís Oliveira (comparsa de muitas aventuras, entre as quais as do Apito Dourado) acorda verbalmente com a filha da viúva a compra da Quinta por pouco mais de um 1 milhão de euros.
3. Aqui entra Laureano Gonçalves, advogado, ex-inspector das Finanças e especialista em "estruturas fiscais". É comparsa de Valentim nas questões desportivas (Boavista, Federação Portuguesa de Futebol) e passa a ser ele a face destas operações, além de sócio de José Luís Oliveira. Entretanto, pouco tempo depois, ambos convidam o filho de Valentim, Jorge Loureiro, para fazer parte do negócio.
4. A STCP andava à procura de um local para uma nova estação de recolhas de autocarros em Gondomar (está no Plano de Investimentos tornado público em 1999). A STCP aceita comprar a Quinta do Ambrósio. Por quanto? 4 milhões de euros. Quatro vezes mais do que havia sido combinado pagar à viúva poucos meses antes.
5. Laureano monta então uma estratégia, através de empresas offshore nas Bahamas e Ilhas Caimão, para camuflar os quase 3 milhões de lucros da futura venda à STCP com a maior discrição e menos impostos possíveis.
6. Oliveira Marques e Gonçalves Martins, na altura, respectivamente, presidente e administrador da empresa de transporte STCP, dão luz verde à compra da Quinta do Ambrósio apesar de não terem qualquer avaliação independente sobre o real valor do imóvel. Exigem também à Câmara de Gondomar que faça por desafectar a "reserva agrícola" que impendia sobre parte da quinta. A CCDRN e os organismos de Agricultura e Ambiente não param o progresso de Gondomar - as autorizações surgem ainda durante o ano de 2001. (Um parêntesis: nunca chegou a haver qualquer estação da STCP na Quinta do Ambrósio).
7. Laureano fica entretanto com "plenos poderes de procurador" da viúva. É já ele quem trata do contrato-promessa, em Março de 2001, em nome de Ludovina, à STCP (e depois concretiza a escritura final, em Dezembro de 2001).
8. Ludovina recebe um milhão de euros na conta do BCP (o combinado com o "vice" de Valentim), enquanto os restantes quase 3 milhões de lucro extra vão parar a uma conta no BPN que Laureano criou em nome da viúva. É este fiscalista quem os envia em nome de Ludovina para contas offshore a fim de se dividirem depois pelo filho de Valentim (Jorge), pelo "vice" de Valentim (José Luís Oliveira) e por ele próprio. Obviamente, cada um deles, com contas offshore (BPN-Caimão e Finibanco-Caimão)
Conclusão 1: depois de centenas de milhares de euros gastos em investigação policial e tribunais, vai tudo preso? Não. Nada. Além disso, o negócio só foi descoberto por acaso durante o "Apito Dourado".... Outra dúvida: por que pagaram os administradores da STCP uma verba irreal por um terreno duvidoso? Quem os pressionou?
Por fim: qual a decisão do tribunal quanto ao filho de Valentim, ao vice-presidente da Câmara, e ao amigo advogado?
O tribunal condenou-os apenas por branqueamento de capitais em um ano e dez meses de prisão... com pena suspensa. That's all folks!!!
Conclusão 2: com tão notável serviço público ficamos agora à espera que a filha (e vereadora) de Valentim tome o lugar do pai em Gondomar e o "major" avance sem medo para a Câmara do Porto. Como não falta dinheiro nos offshores do clã, não deve ser difícil pagar a oferta de electrodomésticos aos eleitores e obter vitórias retumbantes. O populismo é filho da miséria, incluindo a moral.

Por: Daniel Deusdado

Comentário: Será que o processo da Viga d’Ouro vai dar no mesmo?

sexta-feira, 16 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

A dança da barata

Será que também dá com grilos?

sábado, 10 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Correio para:

Armação de Pêra em Revista

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