O défice de participação da sociedade civil portuguesa é o primeiro responsável pelo "estado da nação". A política, economia e cultura oficiais são essencialmente caracterizadas pelos estigmas de uma classe restrita e pouco representativa das reais motivações, interesses e carências da sociedade real, e assim continuarão enquanto a sociedade civil, por omissão, o permitir. Este "sítio" pretendendo estimular a participação da sociedade civil, embora restrito no tema "Armação de Pêra", tem uma abrangência e vocação nacionais, pelo que constitui, pela sua própria natureza, uma visita aos males gerais que determinaram e determinam o nosso destino comum.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fábrica dos Tomates: Depois queixem-se!

let´s look at the Thriller...
Tal como prevíamos os episódios da novela dos tomates, extraida da obra clássica "A Saga da Despesa Pública Portuguesa", sucedem-se a um ritmo lento mas consistente.

Passemos em revista os personagens: Isabel Soares, como protagonista ( o personagem mais importante da obra, em torno do qual a história gira . Geralmente é o herói e nalguns casos pode existir mais de um); a fundação Oriente é a co-protagonista (o personagem de segunda maior importância da obra. Geralmente é a pessoa que ajuda o herói e nalguns casos pode existir mais de um), Fernando Serpa como antagonista (o personagem que rivaliza com o protagonista, quase sempre luta com o mesmo no final da obra. Geralmente é o vilão e nalguns casos pode existir mais de um, no entanto, o antagonista não precisa ser necessariamente uma pessoa, podendo ser um objeto, um animal ou um facto que dificulte os objetivos do protagonista (como a situação financeira do mesmo, problemas culturais e/ou sociais, deficiências físicas e/ou psicológicas etc.), a vereadora da CDU como personagem secundário (o personagem que ajuda o protagonista, na maioria das vezes tem amizade ou parentesco com o mesmo. A importância dele pode variar dependendo da obra), o Orçamento da C.M.Silves e os cidadãos-contribuintes, como figurantes ( personagem que não é fundamental para a trama principal, que tem como único objetivo ilustrar o ambiente e o espaço social que são representados durante o desenrolar de uma acção do enredo) .

Do enredo:

A protagonista pretende adquirir para a CMSilves um imóvel cuja necessidade é putativamente premente, por um preço exorbitante para o estafado orçamento municipal.
A forma como tem evidenciado a sua intenção é, como habitualmente, imperativa, embora as razões onde assenta a sua vontade, designadamente um estudo econômico que a justifique, sejam publicamente desconhecidas, logo, politicamente inexistentes.

A verdadeira arrogância que caracteriza a atitude da protagonista é inspirada numa inusitada escala de valores democráticos do tipo sul americano, mais típica dos lamentáveis velhos tempos, ou norte coreano dos tempos que ficaram presos no próprio tempo, mas cujo estilo vai por cá fazendo escola, designadamente junto dos protagonistas com maiorias relativas.

Do ponto de vista da racionalidade - aquela característica das boas contas e das boas administrações – exactamente aquela que vemos em administrações com a da República da Irlanda (que antecipou com realismo, decidida e prudentemente, as medidas adequadas à sua situação orçamental, que foram mais longe que as de outros em situação pior, sem esperar que os seus parceiros o exigissem, ganhando com isso a credibilidade junto dos mesmos e dos mercados, “escrevendo direito por linhas direitas”, como é expectável entre pessoas humanas, comuns, racionais, razoáveis e responsáveis, que ambicionam a respeitabilidade),
tal dispêndio cuja fundamentação é desconhecida do cidadão-contribuinte, mas que a existir só poderá ser absolutamente inconsistente e daí ter-se a sua protagonista eximido a tal trabalho, só pode ser tido como absolutamente ignaro.

Do ponto de vista do funcionamento das instituições democráticas e dos princípios e valores inerentes à representação dos cidadãos-eleitores a degenerescência é mais abrangente:

O Partido Socialista, faz um ALERTA aos munícipes para a iminente compra e venda da antiga fábrica dos Tomates por parte da CMS à Fundação Oriente, face à iminência da viabilização do negócio por via do voto favorável da CDU.
No mesmo COMUMICADO questiona-se sobre a oportunidade da realização do mesmo, atendendo:

1.- à grande depressão que Portugal e a Europa atravessam;
2.-ao facto de desconhecer se a CMS saldou as dividas que motivaram o empréstimo de 15 milhões de euros, em 2009, com vista a pagar a fornecedores e empreiteiros uma vez que continua a dever, em 31 de Dezembro de 2009, mais de nove milhões de euros àquelas entidades;
3.-à diminuição prevista das transferências do Estado para as Autarquias e à diminuição do crédito e das receitas próprias do Município.

Depois EXIGE que a protagonista concludentemente esclareça:

1.- Como pensa a protagonista pagar o preço? E se pretende pagá-lo durante o seu mandato?
2.- Onde vai aquela obter recursos financeiros, atendendo ao endividamento do Município?
3.-Que obras orçamentadas irão ser sacrificadas por virtude da putativa aquisição da fábrica dos tomates?

Por fim manifesta DÚVIDAS sobre a oportunidade do negócio e levanta RESERVAS sobre se o negócio é a maior prioridade para o interesse do Município, acrescentando ser sua CONVICÇÃO existirem outras opções mais conformes com o interesse do Município onde aplicar os 2 milhões, designadamente na dinamização do tecido empresarial, emprego, qualidade de vida no concelho.

Apesar de todas estas considerações não toma posição sobre a realização do negócio, até momento oportuno(?).

Não precisará o cidadão-contribuinte de pedir ajuda ao snr.Descartes ou ao snr. Kant, para concluir sobre a irracionalidade desta posição, porquanto, de duas uma: ou os seus considerandos são sérios e presentes e o negócio não se pode/ deve fazer, devendo ser a sua posição claramente contra a realização do mesmo, ou tais considerando não passam de uma mistificação da realidade (o que sabemos bem não ser verdade) e o seu COMUMICADO não passará assim de mais um acto de ficção política.

Mais convencidos ficamos de que assim seja uma vez que parece resultar do teor daquele documento que se a protagonista informasse que iria pagar a pronto, para tanto contratando um empréstimo por 3 anos, a pagar numa única prestação, no termo do último ano (do seu mandato) mediante a contratação, na altura, de um leasing imobiliário por vinte e cinco anos, no Banco X, e por via disso não resultasse qualquer premência para os orçamentos próximos, nem qualquer sacrifício para as obras orçamentadas, estaria tudo bem, não tendo as condicionantes estruturais qualquer peso.

Por fim declara, temerosamente, ter dúvidas e não qualquer CERTEZA, sobre a oportunidade da realização do negócio?????????????

Conclui com reservas, confessando não saber se este negócio seria o melhor para o concelho, admitindo implicitamente que possa ser????, embora seja sua convicção que o dinheiro poderia ser empregue num conjunto de lugares comuns não especificados.

E termina, pasme-se, por deixar a sua posição final para melhores núpcias!!!!!!!!!

A racionalidade da mensagem constante desta comunicação só poderá resistir se o seu autor, a quando da sua redação, tenha tido uma secreta esperança de que venha a existir um verdadeiro tesouro enterrado no imóvel, que valha pelo menos 2 milhões de euros!

Este documento político verdadeiramente ziguezagueante é um monumento à classe política portuguesa, digno de uma qualquer rotunda em estrada municipal (esburacada) do concelho!

A CDU por seu turno, em linhas gerais, defende a aquisição invocando quer a eficiência dos serviços pela via da concentração dos mesmos na fábrica dos tomates, quer a desmobilização de património que já é desnecessário ou que se tornará, com a aquisição, desnecessário, a qual compensaria o preço a disponibilizar.

Já quanto ao preço e ao financiamento, daí lava, prudentemente, as suas mãos, entendendo não dever comentar o preço, apesar de o considerar um pouco exagerado, devendo por isso ser, o imóvel e a sua recuperação e adaptação, adequadamente avaliados, por técnicos da CMS que para tanto são competentes e o financiamento explicado.

A posição da CDU, de uma racionalidade económica elementar se tudo à sua volta fosse um deserto, atende deliberada e exclusivamente à utilidade instrumental do equipamento, deixando uma nota de calmaria, embora descontextualizada da crise no imobiliário, com o resultado da venda dos equipamentos substituídos.

Um pouco como o comandante do Titanic quando mandava a orquestra continuar a tocar, apesar do inelutável naufrágio em curso.

Aliás justificando tudo o que o Blog Penedo Grande, na ponderação sensata a que habituou os seus visitantes, depois de uma introdução devastadora sobre os flops da gestão Isabel Soares, produz por meio duma enumeração irónica de vantagens ridículas da aquisição em causa, reduzindo-a a um verdadeiro despropósito e apodando de verdadeiramente escandalosa a inversão de posição politica da CDU, a verificar-se no momento da verdade, que passaria, a confirmar-se, da critica acérrima, mas séria, da gestão soarista a”branqueadora” da sua continuidade.

Antes de quaisquer outros dos inúmeros comentários que a questão suscita, ficamos com a noção de que nos escapa algo de fundamental!

Que pressuposto económico ou financeiro se irá alterar que permita o PS vir a decidir-se pela aquisição?

Que pressuposto económico ou financeiro resultará para a robustez das contas do município deste novo endividamento que salvaguarde a manutenção plácida do conforto dos funcionários que constituem o principal encargo do orçamento e a principal preocupação da CDU, que a conduzam a votar favoravelmente tal aquisição?

Em qualquer circunstância e no mínimo, as posições das forças politicas do concelho, quanto a este particular, justificam por parte do cidadão-contribuinte, qualquer tipo de especulações, na busca, salutar, do seu entendimento dentro dos parâmetros da racionalidade elementar.

Depois queixem-se...
___________________________________
Post scriptum:
Um dia relataram-nos dois ditados populares. Um árabe e outro Judeu!
Reza o árabe: Quem gasta tudo o que tem, gasta mais do que deve!
Reza o judeu: Se deves 100, o problema é teu. Se deves 1000 o problema é daquele a quem deves!

Será que este concelho com tanto sangue árabe é hoje gerido por gente cuja percentagem judia no sangue excede largamente aquela?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia de Portugal


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Armação de Pêra Vila Piscatória e Turistica (II)


A história da fundação da Vila de Armação, seus agentes e actividade económica principal, constituem deste modo objecto da cultura da localidade.

E, para ambicionar um destino diverso daquele que um certo tipo de desenvolvimento nos trouxe, haverá que partir necessariamente do enquadramento da cultura local.

Foi aliás o abandono ou falta de consciência dessa perspectiva que conduziu a Vila àquilo que é hoje, uma urbe completamente incaracterística que poderia estar situada em qualquer região do país.

O modelo de cultura suburbana venceu e generalizou-se, para o mal de todos.

As raízes culturais e históricas da Vila são por isso para ter permanentemente presentes quer seja para empreender, quer seja para reparar ou atenuar os males já feitos.

Daí a importância de qualquer motivo ou intervenção pública que as celebre. Daí que sejam bandeira deste sítio!


Mas a actividade turística da Vila por seu lado, mais recente que a actividade principal que caracterizou o período da fundação, pela sua já longevidade, pela importância económica que atingiu na terra e por ser “contribuinte liquido” para uma opção estrutural da economia nacional, ganhou já há décadas foros de actividade económica principal, dela dependendo directa ou indirectamente a grande maioria dos locais. Por isso deveria ter por parte de todos também uma atenção redobrada.

Todos, são os particulares e as entidades públicas que sobre a Vila têm uma palavra a dizer.

Aqui residem aliás a maior parte das “porras” que temos com a C.M. de Silves que nunca levou em devida conta a dimensão das suas responsabilidades as quais, objectivamente, descura, contribuindo decisivamente para o espectro suburbano que caracteriza actualmente a nossa Vila.

É claro que tudo isto só foi possível em resultado da sofreguidão da especulação imobiliária por um lado e da irresponsabilidade, incompetência e sofreguidão da receita orçamental de Silves a qualquer preço, por outro.

Mas também uma certa cultura suburbana de muitos de nós... que vêm desenvolvimento em qualquer paralelepípedo de betão armado, só porque se servem algumas refeições a umas dúzias de operários da construção civil, durante o inverno.

Por todas essas razões estamos, todos, a pagar com “língua de palmo” a sofreguidão pelos tostões que não nos deixam ganhar milhões!

Contingências da miséria estrutural e histórica da nossa economia, concedamos, mas opções que nos mantêm cada vez mais distantes do desenvolvimento e da riqueza, que um dia não muito longínquo, julgámos estarem próximos.

Em qualquer dos casos, dada a dependência estrutural do turismo, deveríamos ambicionar ir um pouco mais longe, corrigindo aqui, empreendendo acolá, sobretudo naquilo que sendo óbvio, não conseguir reunir vontades suficientes para fazer diferente.

Já dizia o snr. Albert Einstein, de cuja inteligência ninguém duvidará, que, continuar a fazer o que temos feito e esperar resultados diferentes é sinonimo de insanidade.

Estamos, obviamente, com ele. Mas estaremos todos? Vejamos:

Se o turismo é a actividade económica essencial em Armação, não serão os empresários de Armação os principais interessados no seu desenvolvimento?

Se a generalidade das empresas de Armação ou são micro ou pequenas empresas, não será da mais elementar racionalidade, associarem-se para serem ouvidos nas instâncias que decidem administrativamente sobre os destinos da Vila, na maior parte das vezes, sem curarem da saber das consequências económicas das suas decisões para as empresas e empregadores locais?

Se a facturação dessas empresas resulta do turismo no essencial, ser-lhes-á indiferente que as condições da remoção dos lixos sejam desastrosas?

Se a facturação dessas empresas resulta do turismo no essencial, ser-lhes-á indiferente que a politica urbanística da CMS preserve ou não o património edificado? Ou que permita ou não mais construção a eito que não respeite património natural?

Lutar por taxas adequadas para as esplanadas é importante. Mas é o menos importante que uma associação de comerciantes pode atingir!

A já por várias vezes sugerida UNIÃO COMERCIAL DE ARMAÇÃO DE PÊRA (ou de ARMAÇÃO, PÊRA E ALCANTARILHA) urge de facto.

Todas as facturações juntas, todos os empregos somados, todas as derramas pagas, todo o IRC pago, são muito mais importantes que qualquer um destes elementos individualmente considerados.

Individualmente considerados são um nada que não se ouve e se manobra a bel-prazer. Todos juntos têm um peso e uma voz que os torna e às suas posições, absolutamente incontornáveis!

Sabemos que a mobilização das pessoas, mesmo para defesa dos seus interesses egoísticos não é fácil.

E também sabemos que a maior parte das vezes tal se deve à ocupação absorvente que têm com o seu sustento!

Nada de novo a estibordo! Continua a ser assim, como durante séculos aconteceu!

Mas também sabemos que a credibilidade e o respeito não se pede a ninguém. Conquista-se!
E qualquer conquista constitui um desafio!
Seria bom reflectirmos sobre isto!

Canção de Madrugar

Susana Félix

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Armação de Pêra: Vila Piscatória Per omni seculum seculorum!

Resulta de alguns comentários a noção que poderá ter ficado de que o entendimento que temos da Vila de Armação se resume à sua origem, ou à sua história, mormente ao facto de ter sido fundada por pescadores e ter sido mantida por uma actividade principal que foi a pesca.

Sendo verdade que esse é o nosso entendimento sobre o seu passado, não é nesse mesmo passado que, obviamente, nos encontramos, nem seria a esse passado que gostaríamos que a Vila voltasse, até por ser uma perspectiva impossível de realizar.

O passado, que foi caracterizado por muitas coisas boas, cuja conservação ou reposição seria de bom gosto e de uma extraordinária utilidade, mesmo, ou sobretudo, numa conjuntura de globalização, mas também é caracterizado por muita coisa má que, de todo, queremos ver reposta ou revivida.

Alguma atenção aos pescadores foi e será sempre dada por este sítio, em função da sua importância relativa na economia da Vila e sempre sem esquecer o seu papel fundador, o que veio a ser adicionalmente tratado por via do Dia Nacional do Pescador, o qual cumpriu e muito bem na nossa Vila, a finalidade para que foi criado.

Sucede que a invocação do passado, numa Vila que o pretenso desenvolvimento descaracterizou é não só importante como absolutamente imprescindível ao reencontro da sua originalidade e identidade, tão ameaçadas entre milhões de tijolos, toneladas de betão e léguas de ferro.

Ouvimos recentemente uma estória acerca de uma criança que vendo uma galinha não reconheceu o animal. Confrontado com o esclarecimento de que se tratava de uma galinha, mostrou grande surpresa uma vez que identificava a galinha com aquilo que vê e no estado em que vê, no supermercado ou em casa, não sonhando por exemplo que o animal tivesse penas ou asas.

Em Armação, salvaguardadas as devidas distancias, corre-se o risco de qualquer criança pensar que a Vila foi sempre um estaleiro de construção e que tudo terá começado com o lançamento da primeira pedra!

A identidade de Armação é assim um bem precioso a preservar e a pesca e os pescadores, factores incontornáveis da sua fundação e história, têm aqui um lugar cativo per omni seculum seculorum!

(Continua...)

domingo, 6 de junho de 2010

A Matemática faz o Mundo ter sentido

Danmeyer explica como

Em vez de resolver problemas, as nossas crianças devem formulá-los.
Provavelmente, o estímulo será maior e a aprendizagem também.

sábado, 5 de junho de 2010

ESTADO DE DIREITO: Prevalência dos Principios sobre as oportunidades e do bem público sobre o crime público!


“O principio da retroactividade protegido na constituição não é um princípio absoluto que se sobreponha ao bem público” Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças.


A leviandade, extrema leveza e até convicção, com que um alto responsável faz uma afirmação desta natureza – de lesa constituição - é deveras preocupante.

É preocupante porquanto, em primeiro lugar, evidencia escandalosa falta de formação democrática para o exercício de um cargo de tamanha responsabilidade, ainda por cima com as tremendas atribuições e competências de que goza.

É preocupante porquanto, em segundo lugar, este senhor foi eleito – por conseguinte mandatado – com especiais incumbências, de entre as quais se conta o pressuposto de que iria cumprir a constituição que jurou cumprir e não o pretendendo fazer deveria ter a seriedade de se demitir; ou uma vez mais, pretendendo insistir na violação da constituição, deveria ser responsabilizado por quem de direito, designadamente pelo crime de deslealdade, sendo-lhe cassado o mandato de imediato.

É preocupante porquanto, em terceiro lugar, acreditamos que a pressão das dificuldades financeiras do estado, o terão conduzido a tamanho dislate, conduzindo-se pelo caminho mais fácil, o da receita, em detrimento de outras opção bem mais trabalhosas, as da eficiência e racionalidade dos serviços e despesa publicas.

Optando pelo caminho mais fácil, este senhor ministro e o seu governo, para além de revelarem não se encontrarem à altura dos desafios, dão um péssimo exemplo a todos os cidadãos, ao pautarem as suas opções pela oportunidade em claro detrimento dos princípios. Não hesitando entre a oportunidade mais mediocre em face do principio dos mais edificantes e estruturantes de um estado de Direito. Fazendo-o com total impudor e absoluto desplante.

Querendo fazer crer, com total insucesso, que o fez em nome de interesses superiores de todos os cidadãos, invocando para tanto o bem público.

Antes porém de sobre este destilarmos o nosso entendimento, seria bom lembrar esse senhor de que o ser humano carrega dentro de si as energias vitais em busca da liberdade e da salvaguarda de valores eternos e universais, como corolário e em homenagem e respeito à segurança jurídica e à segurança da sociedade.

A constituição material do Estado de direito é um legado civilizacional pelo qual muitos se bateram, trabalharam e até morreram.

Merece, por todas as razões e também por essas, o respeito, mas também obediência devida por todos os que exercem poderes públicos.

E, no âmbito daqueles valores, há que distinguir o princípio da não retroatividade das leis que acompanha o homem desde o início de sua história jurídica e está profundamente incrustado na consciência de todos os povos, desde a mais remota antiguidade como um monumento perene e universal.

O princípio da não retroatividade da lei, especialmente no âmbito do Direito Fiscal, é a regra geral, significando que deve-se aplicar a lei vigente no momento da ocorrência do facto gerador.

Tratando-se, assim, de aumento de um tributo, o princípio da não retroatividade da lei deve ser cumprido rigorosamente, não sendo possível conceber que num Estado de direito democrático se pretenda exigir o pagamento de tributos relativamente a actos jurídicos já realizados.

Um bem público, conceito que foi invocado pelo senhor ministro na busca de uma legitimação abstrusa, esgrimido como valor hierarquicamente superior, não reúne porém o peso que lhe quis atribuir porquanto é um bem cuja abrangência resulta habitualmente do entendimento que cada governante lhe dá.

A Constituição da República Portuguesa enuncia, no art. 84.º, as categorias principais de bens que pertencem ao domínio público, tais como as águas territoriais, lagos, lagoas, rios, o espaço aéreo, os recursos naturais, as águas minerais extraídas do solo, estradas e linhas férreas. Além destes bens também pertencem ao domínio público outros bens classificados como tal, pela lei.

Será a estes bens que o senhor ministro se queria referir quando invocou o conceito para justificar a sua prevalência sobre um principio ínsito na constituição material do Estado de Direito?

Que bem público quis então o senhor ministro invocar que justificasse atropelar principio tão fundamental?

O da continuidade de uma administração da despesa do OGE diletante, incompetente, irresponsável e sobretudo ineficiente que nos conduziu a este estado de necessidade?

Será que a administração aberrante da despesa constitui um bem público?Será que satisfazer a qualquer preço os desmandos de uma despesa selvagem e sem controlo constitui um bem público?

Por nós pensamos que a administração da despesa tal como vem sendo exercida trata-se não de um bem público, mas sim de um crime público!

Seria bom que este senhor ministro e todos os outros que lhe pretendam seguir as pisadas reflectissem um pouco nisto.

E, já agora, que obtivessem uma formação democrática sólida antes de se apresentarem ao eleitorado pedindo-lhe um mandato para sua representação!

Missing You - Armação de Pêra

Decorria a década de 60 e os Sheiks brindavam-nos com belas melodias




Em Armação de Pêra o Casino novo já tinha sido construído enquanto a Estalagem Algar se erguia



Na época balnear as festas sucediam-se



A eleição da Miss praia era, como outros, um evento muito apreciado



O Almirante Américo Tomaz veio inaugurar o Casino

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Pelo futuro das nossas crianças!

Criar as condições na escola para que o talento natural das crianças possa florescer.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A hegemonia dos homens em vias de extinsão!

Para Avivah Wittenberg-Cox, uma das pensadoras mais influentes do novo feminismo na gestão, a crise abriu a porta à entrada das mulheres para os lugares de topo



Avivah Wittenberg-Cox tem os números todos na cabeça e os argumentos bem oleados: as mulheres dominam nas universidades (60%), mas são ainda caso raro (menos de 20%) na liderança de governos e organizações. Defender hoje o acesso das mulheres à liderança não é uma questão de direitos, mas de boa gestão pública e privada, defende esta consultora, apontada pela revista "The Economist" em 2010 como um dos expoentes do "novo feminismo" no mercado de trabalho. A mudança já está em curso e os homens não têm nada que temer - "o fim do monopólio dos homens sobre a liderança na gestão vai libertá-los da camisa-de-forças da responsabilidade", ironiza Wittenberg-Cox.

O i entrevistou-a em Paris, à margem da conferência anual da OCDE sobre recuperação económica e emprego - era uma de duas mulheres num painel de oito pessoas.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma Morada para o Sonho!...

Por um espaço de retém da memória colectiva

Hoje em dia, vivendo os atribulados tempos da sociedade da comunicação, que não é, infelizmente, sinónimo de sociedade da informação e muito menos de sociedade do conhecimento, vemos de grande utilidade veicular, a generalização da instituição dos “inúmeros” “Dias nacionais” ou “Dias mundiais” .

Um dos seus méritos é o de trazer de forma sintética – como de resto, nos meios de comunicação de massa, só assim é possível - ao consciente das pessoas uma informação, um facto, uma mensagem, um alerta, visando: sensibilizar, estimular, motivar, participar, agir, progredir, rejeitar, consagrar, respeitar, numa palavra, melhorar as atitudes em geral no sentido socialmente correcto ou generalizadamente aceite como tal.

Tudo à laia de uma mensagem curta mas impactante que concorra, tão eficazmente quanto possível, com os cardumes das mensagens publicitárias que nos crivam diariamente, como se de um fuzilamento permanente se tratasse.

As efemérides ainda comportam outras virtualidades. Elas despertam muitas consciências fazendo-as trazer, outras tantas vezes da sub cave de cada uma, a emersão de muitos astros que se eclipsam durante o seu percurso pelas rotas do seu universozinho.

As celebrações, por seu lado, desde que concretizadas, constituem factores de dinamização social, verdadeiros cursos de participação e, nesse sentido, antecâmaras pedagógicas de cidadania activa. Sobretudo, pela importância relativa que assumem, em pequenas Vilas, como a nossa.

A exposição que decorre até ao dia 9 de Junho na Escola E.B. 2,3 Dr. António da Costa Contreiras, motivada pelas celebrações do Dia Nacional do Pescador, tem recebido dos visitantes os mais rasgados elogios, aliás muito justamente e constitui um bom exemplo do que preteritamente referimos.

Constitui ainda um bom exemplo de uma concepção de escola menos míope que aquele que se encontra, mais ou menos generalizadamente, arreigado nos cidadãos.
A miopia é um defeito de refracção que causa má visão ao longe

Uma escola não é só um local, de preferência com as melhores instalações e cómodos, onde podemos deixar os filhos vigiados, de preferência com um policia à porta ou no mínimo a rondar a zona, durante uma boa parte do dia, de preferência até à hora do jantar, onde entretanto recebem informação, cuja recepção deverá ser avaliada com tolerância e rapidamente certificada, porquanto o educando tem mais que fazer depois disso.

Uma escola terá necessariamente de ser muito mais que isso e, nalguns casos muito menos que isso, se quisermos ter cidadãos que alicercem um país muito melhor que aquele que diariamente criticamos.

Conhecemos muito pouco acerca da Escola E.B. 2,3 Dr. António da Costa Contreiras, mas ficámos a saber, a pretexto do Dia Nacional do Pescador que, em algum lugar do seu conceito de Escola, se encontra a integração interactiva na Comunidade que serve, a contribuição para a dignificação da memoria da fundação da Vila onde se insere e a ambição de fazer mais que aquilo que, hoje em dia,se espera de um estabelecimento de ensino oficial.

Mas, a pretexto do Dia Nacional do Pescador e da exposição em causa, ainda fica mais desnudado o eterno confronto entre o que é a nossa Vila e o que poderia ser!
Ouvimos, sentimos e sonhámos com a ideia de conservar esta evocação da memória em lugar próprio que permita uma visita permanente aos saudosos, aos curiosos, a todos enfim.

Ouvimos, sentimos e sonhámos que é possível ampliar este espólio pela generosidade de alguns, meticulosos guardadores de memórias.

Do antigo posto da Guarda Fiscal ao Casino, passando pela praça velha, várias foram as sugestões que ouvimos para morada do sonho e retém da memória.


Vimos e sentimos que Armação de Pêra tem raízes, tem povo, tem memória, tem história e gostaria de zelar por ela.

Temos razões de sobra para agradecer a todos os que, a pretexto de uma comemoração, evidenciaram iniciativa, mobilização e realização e revelaram que Armação de Pêra, afinal resistiu.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pescadores de Armação de Pêra













31 de Maio:DIA NACIONAL DO PESCADOR



Decorridos – comprovadamente – pelo menos cinquenta mil anos de existência da actividade piscatória, um decreto governamental de 1997 decidiu instituir a comemoração nacional do “Dia Nacional do Pescador”.

Tardiamente, mas em boa hora!

Sensibilidades de outras magnitudes porem, foram “tocadas” há muito mais tempo, deixando-nos vestígios seguros da sua admiração por esta nobre profissão, como foi o caso da de Almeida Garrett:

Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

domingo, 30 de maio de 2010

A imbecilização


Há uma expressão em inglês que vai direita ao nó do problema:”dumb down” um jornal ou uma coluna. “Dumb down” significa “imbecilizar” ou “estupidificar”.

Um jornal, ou uma coluna, que se torna voluntariamente “imbecil” é um “jornal”, ou uma “coluna”, que trata a sério assuntos sem importância e dá importância a personagens sem consequência. Os grandes jornais de Inglaterra, do Times ao Daily Telegraph, já estão larga e generosamente “imbecilizados”; as colunas não. Em Portugal quase nenhum jornal resistiu; e diminui o número de colunas que resistem.

A ideia do exercício, da “imbecilização”, consiste naturalmente em conservar e atrair leitores. Partindo da permissa de que o leitor evoluiu para um estado critico de irracionalidade e grosseria, a oferta trabalha para se fazer, pelo menos, tão irracional e grosseira como a procura. Quem aceite esta lógica acaba fatalmente a escrever sobre o lixo do mundo e, muito pior, a “moralizar” sobre ele.
...
Verdade que a plebe gosta do que gosta. Mas não se pode aceitar passivamente o gosto da plebe. A democracia não exige a “imbecilização” colectiva do pais. Nem sequer o “sucesso” de uma coluna ou um jornal. Ainda existem ilhas de inteleigência e sanidade. A prazo, não compensa ir atrás desta maré, em nome de um “modernismo” apatetado e espúrio. Uma incondicional rendição à vulgaridade não serve ninguém. Abundam imbecis para fornecer o mercado de imbecilidades. E não sobra geste que ajude a conservar uns restos de uma sociedade civilizada e simpática.

Vasco Pulido Valente, in DN, 07-05-2004

Perfect Day

Lou Reed & Bono & Dr. John & Elton John & D. Bowie & Duran Duran

sábado, 29 de maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Do "toque de Midas" ao "quem não chora não mama" na busca de um lugar à mesa do Orçamento!


O poder politico concelhio tem manifestado publicamente o seu apoio aos trabalhadores do grupo Alisuper, solidarizando-se perante aquele que parece ser o seu destino inevitável: o desemprego. “Nobless oblige”!

Neste patamar tem-se feito de tudo um pouco: telefonemas e mais telefonemas, algum acompanhamento, tentativas de influência sobre a CGD, e a última sugestão tornada publica pelo Vereador F. Serpa, vai no sentido da CMS, enquanto tal, empenhar-se pessoalmente em reuniões com o IAPMEI e o BPN, visando “emprestar” uma credibilidade que manifestamente parece faltar aos interlocutores para viabilizar a empresa.

Não temos dado uma atenção especial ao fenómeno Alisuper, razão pela qual não temos informação suficiente para nos pronunciarmos com fundamentação.

Do pouco que sabemos porém, com sustentação, chega para, numa abordagem simplista, manifestarmos em primeiro lugar o nosso mais sincero e profundo espanto quanto à situação em que irão ficar os trabalhadores face ao incumprimento das obrigações de garantes (avales) que assumiram pessoalmente, com vista a tentarem viabilizar a empresa, numa etapa anterior da sua caminhada descendente.

Confessamos que nunca tínhamos visto uma coisa parecida…os trabalhadores a garantirem pessoalmente obrigações bancárias do empregador…

Esta verdadeira raridade, que mereceria um conjunto largo de comentários escabrosos que nos vamos dispensar de fazer pelo menos para já, constitui também uma evidência sobre o conteúdo emocional que terá caracterizado no essencial a gestão da crise naquela estrutura empresarial.

A recuperação de uma empresa tecnicamente falida pode assumir versões verdadeiramente românticas que, bem descritas, dariam certamente preciosidades literárias, inclusivamente no género policial.

Não estão naturalmente em causa, o empenhamento dos trabalhadores na manutenção dos seus postos de trabalho ou, em abstrato, o empenhamento da CMS em tentar minorar ou evitar um “desastre” social que o fim da Alisuper irá causar.

Feita esta ressalva, importará tentar uma conclusão à laia de moral da história!

Este caso constitui apenas mais um exemplo da absoluta irracionalidade em que muitos e muitos “responsáveis” deste concelho e deste pais, andam sintonizados.

Ora bem:

É da mais elementar linearidade a conclusão acerca da incompetência da gestão da empresa de distribuição que, nos dias de hoje, que já são de ontem, sem ter um enquadramento empresarial mais amplo e outros capitais próprios, pretender ocupar um lugar neste mercado de tubarões.

Recorde-se que, mesmo os grupos financeiros importantes como a Sonae e a Jerónimo Martins, para entrarem na distribuição recorreram a grandes grupos especialistas estrangeiros para se implantarem no mercado: Continente e Lyon Deonaise, com quem se associaram.

Recorde-se ainda que, as fatias remanescentes de mercado, geraram apetite bastante para outros grupos estrangeiros virem disputá-las com a sua competência, armas e bagagens: Lidl, Plus, Dia, etc, etc.

Recorde-se por fim a retirada do mercado das pequenas lojas de conveniência – as novas mercearias de proximidade - que num ápice cresceram como cogumelos e num ápice desapareceram do mercado por manifesta inviabilidade do modelo, sobrevivendo resquícios da espécie somente agregadas às estações de serviço de distribuição de combustível.

Que futuro se poderia augurar, já há alguns anos, para o modelo Alisuper?

Melhor, que modelo de oferta ao mercado representa a Alisuper?

É certo que a empresa sobreviveu até hoje apesar daqueles tubarões, dirão os emotivos!

À conta do financiamento voluntário (?)do BPN (hoje CGD, activo do Estado), do financiamento involuntário do Ministério das Finanças (O.G.Estado) e dos fornecedores, dirão os racionais!

À conta das relações privilegiadas, típicas das famílias partidárias e sua teias, e da abundância dos verdadeiros toques de Midas de que são capazes. O caso BPN é de resto fértil nessa matéria, dirão todos os que não se encontrem comprometidos com a empresa.

Pedir a compreensão dos credores e a sua cumplicidade para com uma empresa sem futuro no mercado onde sempre esteve inserida, sem uma gestão que consiga conceber uma estratégia de inovação ou conversão que angarie o respeito técnico dos fornecedores de capital, é uma pura perca de tempo.

Mais, é um insulto a todos aqueles que, com projectos viáveis e sem passivos, não conseguem, hoje em dia, obter apoios bancários, ou para aqueles que perdem as suas casas em sequência de execuções fiscais por créditos do OGE verdadeiramente ridículos face aos montantes atingidos pela Alisuper.

Mas também é bem sintomático da distância que há a percorrer até sermos uma sociedade de eficiência e de racionalidade que teremos necessariamente de ser se quisermos manter um Estado social sustentável.

Claro que nem para todos, os envolvidos publicamente na acção de resgate, a questão se coloca nos mesmos termos.

Os políticos não podem deixar de estar publicamente ( e demagogicamente) solidários com os trabalhadores em vias do desemprego e das execuções.

Apesar de poderem ser absolutamente omissos nos deveres de, enquanto representantes dos cidadãos eleitores e contribuintes, curarem de publicamente dar o exemplo de esclarecimento que a situação justifica e de zelarem pela racionalidade na aplicação dos dinheiros públicos, a qual, face ao caso concreto aponta no sentido da CGD e, ou, o IAPMEI não envolverem directa ou indirectamente o OGE numa empresa que, nas circunstâncias presentes de desenvolvimento do mercado e face à manifesta insusceptibilidade de inovação por parte da sua gestão, não garante um retorno SOCIAL que o justifique.

Sim, porque uma empresa equilibrada, para além do lucro que legitimamente gera para o accionista, contribui socialmente para o desenvolvimento e sustentabilidade da comunidade.

E ao OGE chega-lhe o contributo social que justamente irá prestar com os subsídios de desemprego àqueles que foram destinatários desta fatalidade empresarial e laboral.

Outros contributos do OGE serão benvindos à economia e são infelizmente menos que os necessários, por intermédio de apoios a empresas e empresários que os saibam aplicar e com eles frutificar, no interesse da comunidade de um estado solidário.

É que, por estas e por muitas outras, já não existem meios que permitam continuar a pôr dinheiro bom em cima de dinheiro mau!

Emmanuel

Chris Botti w/ Lucia Micarelli

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tomates a passo de caracol!

«É imprescindível aproveitar esta oportunidade, porque certamente não haverá nova possibilidade de comprar este espaço e seria uma enorme perda se a sua compra não tivesse sido aprovada», afirmou Isabel Soares, Presidente da CMS, depois da reunião de ontem(1.3.2009). «Este edifício será uma mais-valia significativa para a autarquia, porque nos permitirá juntar serviços num mesmo espaço físico, no sentido de os racionalizar, optimizar e tornar mais eficientes para responder às diversas solicitações que lhes são impostas», explicou a autarca.
In Algarvefm.pt de 2.3.2009

Através do Blog do ex vereador, sempre atento e habitualmente informativo, veio a saber-se porque se justificava a aquisição da Fábrica do Tomate.

Para tanto remete o leitor para a noticia supra de 2.3.2009, que faz um conjunto de considerandos cheios de sentido económico e que militam em favor da aquisição do dito imóvel.

O que não deixa de ser curioso é a argumentação de Isabel Soares sobretudo no que respeita à “oportunidade” que se esgotaria se a CMS não tivesse decidido pela aquisição há exactamente um ano atrás.

O assunto porém continua pendente e a oportunidade única que então urgia aproveitar, apesar de decorrido um ano, sem que ninguém lhe tenha pegado, continua lá à espera de ser aproveitada... e ao mesmo preço!

Nunca foi visto um negócio de ocasião tão lento quanto este.

Sem curar da oportunidade da aquisição face ao estado das contas concelhias e nacionais, o que não é de somenos, acreditamos que se trata de uma questão de dinheiro e quem sabe, de garantia suficiente para que o banqueiro abra os cordões à bolsa.

Se for este o caso e sem prejuizo da patente descida do valor da propriedade no ultimo ano, é inevitável concluir tratar-se o valor pretendido pela fundação Oriente de um luxo asiático!

A crise

quarta-feira, 26 de maio de 2010

DESPERTAR É PRECISO


"Na primeira noite, eles aproximam-se
e colhem uma flor no nosso jardim,
e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores, matam o nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles
entra sózinho em nossa casa, rouba-nos
a lua e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada".

Vladimir Maiakóvski, "Despertar é preciso".

Monarquia vs República

terça-feira, 25 de maio de 2010

Tomates para que vos quero?!!!


O Blog Caoscosmos, no seu ultimo post, pôs o dedo numa das muitas feridas da nossa politica concelhia: a Opacidade!

A aquisição da fábrica de tomate que o Vereador F. Serpa contestou, publicando no seu blog a sua posição, sofre, e é aí que a questão é pertinentemente levantada pelo blog Caoscosmos, de uma omissão fundamental, que é aquela de saber, para que quer o município o edifício da fabrica de tomate?

Esta aquisição cuja natureza sempre se justificaria conhecer e ser do domínio público, hoje, no contexto económico e financeiro em que nos encontramos, assume uma importância muito maior.

Na verdade a contenção na despesa pública que a breve trecho terá, inevitavelmente, uma dimensão como nunca foi vista, é, como nunca foi tanto, uma matéria do interesse directo do cidadão-contribuinte, antes de ser de interesse público que o é também manifestamente.

Que a snra Presidenta não o tenha feito, lamentavelmente não nos surpreende.

Já que o Vereador F.Serpa, cuja denuncia os cidadãos agradecem vivamente, não se refira ao propósito invocado pelo município para tal aquisição, não pode deixar de ser considerada uma omissão essencial, até para a defesa pública da sua posição.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Cheira-nos que prometem!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

19 x 17 quantos são? Dou um doce a quem souber de cabeça!...

Pelo menos 300 mil funcionários públicos britânicos correm o risco de ficar sem emprego nos próximos anos devido às medidas anti-défice.

O número está hoje a ser avançado pelo semanário ‘Sunday Times', o que acontece um dia antes de o novo Executivo britânico apresentar o plano de cortes orçamentais de cerca de seis mil milhões de libras (6,9 mil milhões de euros) para este ano. O orçamento rectificativo chega à Câmara dos Comuns, pouco mais de um mês após a entrada em funções do Governo de coligação.

Os cortes vão afectar muitas regalias de que gozam os funcionários, tais como viagens de táxi, voos, hotéis, bem como uma série de organismos privados que oferecem serviços públicos mas que são financiados pelo Governo.

Só no sector da Saúde, revela o jornal britânico, 120 mil pessoas podem ficar sem emprego, assim como 100 mil funcionários de autarquias em todo o país e milhares de polícias e pessoal civil que trabalha nas esquadras.
O Ministério da Defesa, que tem que cortar os gastos em 25%, também terá que eliminar 20 mil postos de trabalho.

Para dar o exemplo, o primeiro-ministro, David Cameron, que já tinha reduzido o número de seguranças e motoristas dos ministérios, comprometeu-se a pagar do seu bolso as despesas da reforma da residência oficial de Downing Street, para onde deve mudar-se com a família esta semana.
Diário Económico 23/05/10
A Inglaterra, como aliás outros países ricos, não se coíbem de tomar as medidas impopulares que se impõem face à situação em que as suas contas se encontram.
E lá por isso não deixam de ser países democráticos, nem os seus politicos deixam de depender de eleições para alcançarem o poder.

Mas Sócrates não deixa de ter alguma razão quando remete para os outros – o mundo – e para causas externas – a mudança – parte da origem dos seus (nossos) problemas. Porém realmente só alguma razão lhe assiste.

Se é certo que têm de continuar a entrar diariamente não sei quantos mil milhões de euros de empréstimos para manter o Estado e a Banca (e seus clientes) neste nível de despesa, investimento e consumo, não é menos certo que não se pode gastar para além da nossa capacidade de endividamento para sempre...

De facto, a exposição da banca alemã nos países do sul: Portugal, Espanha e Grécia já vai num nível preocupante (para ela), o que conduziu a Snra Merkl, em salvaguarda da banca do seu pais e a seu pedido, a exigir um comportamento mais disciplinado a esses países, não vá o diabo teçê-las e lá vá a economia alemã, com a falência dos seus banqueiros, pelo mesmo caminho.

Nessas diligências pouco lhe importa com o que irá suceder a essas economias. O que importa é que os devedores cortem onde for necessário para assim garantirem que vão poder pagar o que devem. Sendo certo que, sem recurso a outros empréstimos ou sem estes cortes, dificilmente o poderão fazer.

O “aperto” que grassa por todos os países fornecedores do dinheiro obriga-os a emprestar com mais cautelas e a exigir comportamentos decentes àqueles que lhe devem o dinheirinho.

O que Sócrates quer então dizer quando afirma que, em quinze dias, o mundo mudou?
O que se alterou foi que as contas dos devedores passaram a ter outra atenção por parte dos credores e a verdade das mesmas veio ao de cima!

Afinal a Espanha que se arrogava de uma outra Alemanha não passa de Espanha, a Grécia foi vista sem maquilhagem e assustou, e Portugal acordou ressacado de uma bebedeira de vinte anos, sem saber bem onde se encontra e muito menos para onde caminha.

É verdade que alguma coisa se alterou no mundo, mas não foi verdadeiramente a atitude dos banqueiros. Essa é velha de séculos e nós tínhamos o dever de a conhecer de “gingeira”.

O que se alterou no mundo é que os estudantes da primária indianos já aprendem de cor a nossa antiga tabuada [que rejeitámos por constituir uma violência para os meninos (que era até ao numero 10)] até ao número 19 (19 x 17 quantos são?) e os estudantes portugueses no sexto ano para obterem o resultado da divisão de 8 por 4, levam a máquina de calcular!

Não será de estranhar portanto que nisto das contas, públicas ou privadas, não estando nada bem, não caminhemos certamente para melhor!

domingo, 23 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

A vez da bancarrota

Vasco Pulido Valente, in Público 07/05/2010

Irracionalidades

O dr. Oliveira Salazar, em nome do que ele chamava a integridade da Pátria, resolveu meter Portugal numa guerra em três frentes (Guiné, Angola e Moçambique), que Portugal não podia ganhar. Não havia, para começar, os meios para sustentar milhares de homens em campanha a uma distância proibitiva das bases. Não havia, como se constatou, oficiais que chegassem e,
principalmente, não havia maneira de os formar a tempo. Não havia dinheiro para um esforço tão longo e, por natureza, tão indefinido. O mundo inteiro estava contra nós, mesmo aliados tradicionais, como a Inglaterra e o Brasil, para não falar da ONU e até da NATO. Em 1974, já ninguém nos vendia armamento e os próprio militares tinham chegado ao fi m da resistência física e moral. Nada nisto foi nunca uma consideração séria para Salazar e, a seguir, para Marcelo Caetano. A irracionalidade perpassa por tudo o que escreverem e disserem e também por tudo o que escreveram e disseram as grandes personagens do regime.

Como era de esperar, veio o desastre. Não, em si mesmo, o “25 de Abril” – a loucura a que se chamou o PREC. Íamos passar, segundo os teóricos, de uma sociedade atrasada e semirural para uma espécie única de socialismo, com a prestimosa ajuda do MFA e do Partido Comunista de Álvaro Cunhal. E, eventualmente, de outro país falido, como já era a URSS. Para essa conversão bastavam as a nacionalizações, com a reforma agrária – só no Sul – e o mítico poder dos trabalhadores. Quando acabou a “festa”, não sobrava um tostão e chegou o FMI para pôr a casa em ordem. Vale a pena insistir outra vez na irracionalidade do exercício? Vale sequer a pena nas ruínas que ele deixou atrás de si e que visivelmente continuam apodrecer no meio de nós? Parece que não.

Mas não bastaram estas duas lições. Com a “normalização” do país, chegou um novo mito, que o dr. Cavaco propagou com entusiasmo: Portugal seria um “bom aluno” da “Europa” e os portugueses viveriam, evidentemente, como “europeus”, com um impecável Estado-providência e altos salários. Mais do que isso: a Pátria voltava a ocupar a posição de importância e de prestígio, que sempre merecera. O CCB, a Europália, a Expo-98 e o Euro 2004 mostravam à humanidade estupefacta e maravilhada a nossa indubitável ressurreição. Como de costume, este puro delírio não se fundava numa economia forte e numa sólida solvência financeira. Era o frágil efeito de uma situação internacional e dos milhões de Bruxelas: o velho produto da nossa velha irracionalidade. Depois do Império, do socialismo e da “Europa”, entra agora em cena a bancarrota. Muito lógico.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Richard Rorty

"Take care of freedom and truth will take care of itself"






Filósofo e crítico norte-americano. Estudou em Chicago e Yale e foi professor de Humanidades na Universidade da Virgínia. É muito conhecido como o filósofo analítico que se voltou contra aquilo que considera as categorias tradicionais de interesse nessa tradição — verdade, conhecimento, objectividade — substituindo-as por uma versão pós-modernista muito própria do pragmatismo, associada a autores como Heidegger e Gadamer, onde tais tópicos foram banidos. Tendo ultrapassado tais interesses, o intelectual liberal assume uma atitude irónica e distanciada, mesmo em relação às suas convicções fundamentais; a vida intelectual transforma-se numa espécie de conversa diletante; os seus críticos acham que o quietismo político ou o conservadorismo sugeridos por esta posição são preocupantes. Philosophy and the Mirror of Nature (1979, trad. A Filosofia e o Espelho da Natureza, 1986) e Contingency, Irony and Solidarity (1989, trad. Contingência, Ironia e Solidariedade, 1994), são algumas das suas influentes obras.

Simon Blackburn

O que há para o jantar?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Crise nacional(II)

NÃO MORREMOS DA DOENÇA, MORREMOS DA CURA...


Facto é que andámos nas últimas semanas "embalados" pelas pressões especulativas sobre o euro.

A UE reagiu forte e para além de criar um fundo especial em ordem a ser utilizado em caso de necessidade, obrigou a Grécia, Portugal e Espanha a tomarem medidas imediatas e draconianas para acalmar os mercados e afastar os especuladores, medidas estas que a Irlanda, mais conscientemente, já tinha tomado.

O problema é que as tais medidas draconianas assentes no aumento dos impostos e no cancelamento dos investimentos públicos, acabarão por ter um efeito contrário.

Em nosso entender, não só não diminuirão o défice público como poderão conduzir ao seu agravamento, pelo risco que comportam de determinar uma recessão económica.

Este foi o pacote utilizado pelos países que decidiram meter na gaveta os preciosos ensinamentos de Lord Keynes. Resultado: os mercados entraram outra vez em grave queda, dando aos especuladores novamente condições para novo ataque já que, de acordo com os correctores os investidores na bolsa pensam (e com razão) que estas medidas irão agravar o problema, causando recessão, em lugar de o resolver, estimulando o desenvolvimento económico!!!

Assim, em vez de, com humildade intelectual, se empreenderem politicas de raiz Keynesiana, não se compreendendo bem porquê optou-se por outras vias.

De facto, afirmam os detractores daquela solução, que esta situação é diferente de outras, e sem explicarem porquê, decidem ignorar os ensinamentos de Keynes que foram utilizados em TODAS as situações as mais diversas durante os séculos XX e XXI).

O resultado está já á vista, não sendo necessário esperar pelos novos capítulos.

Concretizando:

O aumento dos impostos conduzirá necessariamente á redução da procura e do consumo.

Logo, a receita decorrente dos impostos sobre o consumo diminuirá!

E o que sucederá pelo lado da despesa?

A redução do consumo agravará a exploração das empresas o que determinará mais despedimentos e, ou, mais falências!
Assim sendo, o Estado arrecadará menos IRS, IRC, Contribuições para a Segurança Social, ao mesmo tempo que aumenta os seus custos em subsídios de desemprego!

É aqui que está o busilis! Com ou sem Keynes, as medidas tomadas produzirão o efeito contrário ao que se pretende acentuando-se a perspectiva da recessão.

O único resultado, aparentemente positivo, visado com esta cosmética para banqueiro ver, é que, teoricamente, possibilitará a Portugal endividar-se a um juro mais leve, o que não é necessariamente verdade a acreditar no que o presidente do BPI disse recentemente: que o crédito nos estará vedado nas próximas semanas!

Recordem-se os títulos do Expresso de Sábado passado:
- Medo da recessão levou Sócrates a recuar disse a 1ª página
- Mercados em quebra devido ás preocupações de que as medidas draconianas levem á recessão
- Nicolau Santos escreve : os contribuintes vão emagrecer com certeza. Sobre o monstro (leia-se 1 milhão de empregados que custam cerca de 70% do orçamento)não há tanta certeza. Todos os governos em dificuldades reduziram os salários na função pública. Aqui não.
- Em Editorial diz-se : O ajustamento era incontornável, mas atira-nos para a recessão e faz explodir o desemprego
- Na página 6 do 1º caderno, Medina Carreira diz que sendo 70% da despesa com salários, sem se tocar nesse assunto nunca se conseguirá resolver o problema.

Ou seja, tomamos medidas deste tipo para resgatar a credibilidade nos mercados e para evitar que a dívida publica suba em consequência do aumento dos juros.

Com a terapia não conseguimos equilibrar as contas do Estado e, aumentamos o desemprego e vamos para a recessão, aumentando o défice (diminuição das receitas e aumento das despesas).

Que credibilidade ganhámos? Quem continuará a emprestar dinheiro a um país em recessão e a caminho da insolvência?
Esta é a questão: não morremos da doença, morremos da cura !
Porquê?
Recorde-se que o nível do défice e do endividamento são vistos em função do PIB ou seja da quantidade de dinheiro que está em dívida na sua relação com o que o pais produz, certo ?
Então para que o défice e o endividamento diminuam não basta que os Estados gastem menos é preciso que o reduzam a percentagem daqueles factores na sua relação com o PIB.
Ora isso só acontecerá se:
- O PIB crescer ao mesmo tempo que o Estado gasta menos;
-O PIB se mantiver enquanto o Estado gasta menos;
- O PIB se reduzir, mas menos que a redução da despesa do Estado.

A 3ª seria a única eventualmente atingível, mas não é credível que, com mais impostos e despedimentos, os portugueses não tenham uma quebra brutal no consumo e com ela a inevitável redução do PIB á semelhança do que aconteceu no início da crise.

Assim, tudo indica que aumentará o défice e o endividamento em relação ao PIB e os sacrifícios vão para a valeta.

O que queremos dizer é que o Estado só equilibrará o orçamento quando tiver mais receitas e isso só acontecerá se e quando o PIB crescer !!!Ora estas medidas não farão esse milagre, pelo contrário.

Não duvidamos que são necessárias medidas draconianas para estabelecer o equilíbrio orçamental e diminuir a divida externa, mas entendemos que, como já vimos no passado com o governo Durão Barroso/Manuela Ferreira Leite, medidas desta natureza não visam a saúde da economia e muito menos o desenvolvimento, destinam-se exclusivamente a sossegar os credores, fazendo-lhes ver, rapidamente, que estamos dispostos a sacrificar-nos para conservar a nossa solvência como meninos bem comportados.

Na Espanha, na Grécia e na Irlanda, os respectivos governos "penalizaram" os funcionários públicos – um factor sempre importante da despesa – tentando manter um nível razoável de consumo privado e com ele aquelas economias, sem aparentes preocupações com as consequências eleitorais para o partido do Governo.

Aqui preferiu-se atacar a economia, para manter o milhão de votos na expectativa.

Bonnie Raitt


Bonnie Raitt


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Crise Nacional(I)


É UM GOVERNO PORTUGUÊS

A actual crise é grave. Por isso mas também por um sem número de razões espúrias se tem falado dela sistematicamente.

Talvez seja útil passar em revista os factos, a sua origem, as suas consequências e as respostas empreendidas para este puzzle.

Comecemos pelo fim.

Creio que todos concordamos que o actual Governo encontra-se prestes a atingir o termo do seu prazo de validade.
Em muito por razões conjunturais (não serão estruturais?), mas também em muito por culpas próprias.
Consideramos no entanto que, durante os três primeiros anos, o governo Sócrates terá sido, provavelmente, o melhor que tivemos depois de Abril: consolidaram-se as finanças públicas para um défice record de 2,3%, saiu-se da recessão e pôs-se a economia a crescer, reformou-se a Previdência Social, desenvolveu-se um plano energético (hoje 45% da energia que consumimos provem de fontes alternativas) e fez-se frente a interesses corporativos que há longo tempo condicionam a vida do país pelos excessos de conforto relativo em que se encontram incrustados.

Temos muitas vezes aqui referido que, neste percurso, o governo foi muitas vezes pelo caminho mais fácil, isto é, pelo recurso ao aumento da receita e à suprema sofisticação da cobrança, trucidando inúmeras vezes os direitos dos contribuintes, ao mesmo tempo que se limitaram materialmente os seus meios de defesa. Não é porém por aqui que esta análise, pelo menos para já, se pretende desenvolver.

O que é facto é que este governo foi extraordinariamente eficaz no alcance dos resultados citados e eficiente ou mesmo inovador no que ao cumprimento orçamental disse respeito, pois, nesse período, nunca recorreu a qualquer Orçamento rectificativo, cumprindo as metas orçamentais como nunca tinha sucedido desde o 25 de Abril, o que constituiu um factor fundamental de moralização democrática das contas, de respeito pedagógico pela receita e pelos cidadãos-contribuintes.

Tudo corria razoavelmente (do ponto de vista da administração corrente do país e não necessariamente do ponto de vista politico, dados os casos de policia e a qualidade da sua cobertura jornalística) até que no último ano o Governo começou a meter água porquanto a sua apetência pela conservação do poder, amplificada pelo crescendo dos ataques políticos ao snr. Sócrates, tê-lo-á conduzido às más práticas mais costumeiras:
Primeiro aumentou os funcionários públicos em mais 2,9% apesar da inflação ser inferior a 2% , agravando a verba do Orçamento do Estado que maior rigidez e peso relativo apresenta: salários e prestações sociais, que ronda os 75% do OGE !

A ansiedade pela reconquista do poder, uma vez mais prevaleceu e passou a valer tudo.
As grandes batalhas contra privilégios absurdos de algumas corporações, atento o seu contexto na exígua economia nacional, abrandaram e nalguns casos até tiveram “saídas de sendeiro” depois das “entradas de leão”.

A crise do capitalismo de casino e uma boleia para a campanha eleitoral

Entretanto veio a crise “inesperada” e seguindo a receita de todos os governos do mundo que consistiu no despejar de dinheiro na economia (no que aliás foi incentivado pelas medidas de intervenção na economia verdadeiramente novas do Presidente Obama ou pelas palavras que todos ouvimos ao snr. Durão Barroso para que os europeus esquecessem o PEC e as limitações até aí impostas ou sugeridas) o Governo foi agravando a sua performance.

É certo que, face à proximidade eleitoral, tais medidas foram também de grande oportunidade e conveniência. Sucedeu que, em vez de 8% de défice como se previra no orçamento, acabou o mesmo com mais de 9% .

Por essa altura pensou o Governo, e provavelmente com sustentação, que atendendo á extensão da crise, a UE permitiria que a consolidação se fizesse gradualmente, sem dor, como tudo parecia fazer crer.

No entanto em virtude de factores externos, a UE viu-se obrigada a endurecer a sua posição já que o ataque desenfreado ao euro obrigou a medidas sérias em defesa do mesmo, pelo que desembocámos aqui, onde nos encontramos!

Esta história simples e comum de um Governo de Portugal que até começou com boas intenções, mas que, adito á vulgar vertigem eleitoral, acabou por ceder aos seus ditames e, inebriado pelo ceptro da reeleição, cedeu a todas as tentações.

Medíocre foi entretanto o papel da oposição – o que constitui um verdadeiro lugar comum na politica portuguesa - a qual, sem alternativas credíveis, objectivas ou subjectivas, alinhou na onda das corporações descontentes, capitalizando-se com a mesma, absolutamente indiferente à utilidade que para si poderia resultar da domesticação de alguns monstros sagrados da ineficiência nacional, quando, uma vez no poder, se visse obrigada a enfrentá-los.

Padecendo de todos os males da nossa democracia, do nepotismo ao clientelismo, aliás como todos os outros governos antes dele, este governo conseguiu fazer um esboço duma governação competente, responsável e patriótica, no que foi realmente inovador, apesar de o ter sido com termo certo, cedendo aos lugares comuns da manipulação eleitoral e seus custos para todos, agravados estes pela crise estrutural do capitalismo de casino.

Capitalismo de casino este cujo paradigma, absolutamente suicidário, não colapsou, sobrevivendo por meio de mais uma das suas sete vidas, quando tudo fazia crer – aos crentes – o contrário, em obediências às deduções lógicas mais meridianas.

De notar que após uma crise que abalou as instituições e ameaçou a sociedade continuamos ás voltas com as mesmas agências de rating que demonstraram à exaustão a sua incompetência, bem como a ausência, nalguns casos absoluta, de ética e com os especuladores que não hesitam em condenar populações para conseguirem aumentar os seus saldos bancários.

Pode assim concluir-se sem grande dificuldade que não se equacionou com seriedade um novo paradigma. Limitámo-nos a perder a oportunidade de adaptar, uma vez mais, o capitalismo, aos novos desafios motivados pelos excessos e excrescências da sua ultima versão, ainda em curso.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Presença

UM POEMA DA NOSSA ARMAÇÃO POR TORQUATO DA LUZ NO SEU BLOG OFÍCIO DIÁRIO



Armação de Pêra

Entra-me em casa o murmúrio do mar
e ao fim da tarde assoma na janela
uma gaivota que me vem deixar
a mensagem mais simples, mais singela,
que podia na vida desejar:
esta certeza de que estás comigo
mesmo quando te ausentas e eu invento
mil e uma formas de escutar no vento
o eco das palavras que te digo.

(Do livro "Espelho Íntimo", a lançar no próximo dia 26, às 19 horas,na Livraria Barata, Av. de Roma, 11-A, Lisboa)

domingo, 16 de maio de 2010

"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht


O Analfabeto Político
Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e enche o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

Correio para:

Armação de Pêra em Revista

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Património Natural

Algarve