quinta-feira, 14 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
VENDER O CASINO? NEM PENSE NISSO DRA ISABEL!
Ter constado que a autarquia se inclinava para vir a criar condições para aceitar vender o imóvel à iniciativa privada, não deixou indiferentes aqueles que se propõem alcançar um número recorde de assinaturas, com vista a confrontar o poder autárquico com o amor da população àquele edifício armacenense que reclama justamente pela sua classificação patrimonial.
Na verdade dificilmente poderíamos esperar algo de bom daquele cenário que, esperamos, se conserve apenas virtual.
A conjuntura é propícia à alienação de património, quer este se encontre na alçada do governo, quer esteja no domínio das autarquias, neste caso, sobretudo naquelas que se encontram a braços com défices escandalosos, como é o caso de Silves.
Mas atenção Dra. Isabel Soares, da fama de má gestora nunca mais se livrará, da de maior incrementadora da construção desmesurada, desqualificada, abusiva e desproporcionada na Vila também, por isso será melhor não querer ficar na história como o INIMIGO PÚBLICO Nº 1 de Armação de Pêra, se se propuser ameaçar o imóvel que reúne maior simbolismo na Vila.
Para que conste e não restem dúvidas, pensamos que o investimento privado é bem vindo a Armação de Pêra! Mas não pensamos o mesmo de todo e qualquer investimento privado.
Vender o imóvel adiantaria muito pouco à triste sina do orçamento municipal nas mãos desta gestão, porquanto o preço que será possível alcançar na presente conjuntura, para a ocupação que apresenta, é curto e de pouco ou nada contribui para alterar o cenário aterrador que o orçamento apresenta. Sabemos no entanto que, se lhe for licenciada uma viabilidadezita de construção, não prosseguindo um efeito significativamente maior em razão do monstro orçamental, pode gerar lucros avultados a uma iniciativa privada sem qualificação.
Daqui que nunca poderá ser justificada a venda do edifício, seja qual for a maquilhagem que uma imaginação criminosa lhe possa colocar.
Em síntese, o raciocínio pode fazer-se da seguinte forma:
Sem darem ao edifício um licenciamento abusivo e criminoso, o imóvel nenhum interesse reúne para a especulação imobiliária, razão pela qual não pode gerar rendimento significativo.
Se lhe derem tal viabilidade, apesar do acto criminoso que tal facto determinava, o rendimento que potencialmente poderia gerar continuaria a não constituir uma receita milagrosa para salvar o défice cancerígeno do orçamento municipal. O mesmo não se poderia dizer dos benefícios que o/os investidores privados poderiam arrecadar com tal aquisição em resultado de uma gestão danosa dos bens públicos, materiais e imateriais.
Claro que, uma alienação do imóvel do CASINO, que é de interesse municipal de facto, apesar de ainda não classificado como tal, constituiria um, mais um, atentado à história da Vila, ao pouco património de que dispõe, à amputação séria na sua genuína vocação turística na vertente cultural de que carece claramente para a complementaridade da sua oferta e um acto de terrorismo administrativo absolutamente imperdoável.
Nem sequer pense nisso Dra Isabel Soares, é o mínimo que, para já, podemos dizer-lhe.
Se pretende amenizar os efeitos da crise no concelho, o que só lhe ficaria bem, mesmo depois de para ela ter contribuído decisivamente, pense seriamente na redução da despesa, ainda antes do governo central a obrigar a isso.
Aliás tal como, de algum modo, o seu querido líder Passos Coelho se propõe, relativamente ao que a troika lhe impõe.
domingo, 6 de março de 2011
O Bal Masqué de boa memória e o escabroso Baile de Máscaras quotidiano!

Lá pelos idos de 60 tinha lugar no Casino de Armação de Pêra uma folia comum no “programa” de Verão em Armação de Pêra: O Baile Masqué!
Era um dia diferente, muito divertido, que mobilizava a juventude em veraneio para uma noite de verdadeiras mascaradas, anualmente, lá pela segunda quinzena de Agosto.
Não terá sido, no Casino que conhecemos, a origem remota dos Bailes de Carnaval em Armação de Pêra porquanto este equipamento veio a suceder ao Casino Velho onde já se brincava o Carnaval, sob esta ou outra designação.
Diferente de um Carnaval ou de um desfile de máscaras, tratava-se essencialmente de um baile para o qual as pessoas se adereçavam com vestes da personagem que escolhiam representar, usando uma máscara para ocultar a sua identidade, permitindo-se assim, nalguns casos, comportamentos diversos e até excessivos (no melhor que o termo pode comportar). O Baile de Máscaras!
O Baile Masqué, termo misto do português e francês, constitui uma invocação do célebre Bal Masqué cuja origem, francesa, se perde no tempo, havendo quem o tenha encontrado na própria Idade Média, nos salões da aristocracia embora tenha atingido a popularização durante a Renascença.
Há também quem lhe atribua a incorporação, então pela mão da burguesia brasileira, do luxo e sofisticação, ao Carnaval do Rio de Janeiro, logo na década de 30 do século 19, típicos das festas desta natureza em Paris.
O decurso dos séculos, apesar de tudo aquilo a que assistimos como evolução, não terá retirado, nem à folia, nem à fantasia ou ao mistério, os atributos de nos divertirem. Nestas e noutras coisas, permanecemos humanos como antigamente!
Daí que não possamos deixar de lamentar a inércia, o amorfismo, a miopia de quem mantêm um equipamento como o Casino de Armação de Pêra abandonado, na mira de o vocacionar para fins provavelmente banais e iméritos, em nome de interesses inconfessados.
São ignáros e calões mascarados de pessoas inteligentes e empreendedoras, fazendo do seu dia-a-dia um permanente baile de máscaras!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Casino: Imóvel de Interesse Municipal, with a little help from my friends!

Com a ajuda dos seus amigos o edifício do Casino virá a ser um imóvel classificado!
O empenho e a adesão com que a petição foi divulgada no “terreno”e apoiada com assinaturas em menos de oito dias, durante os quais já contou com, pelo menos, cinquenta apoiantes, permitem-nos algum optimismo!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
PETIÇÃO CASINO IMÓVEL DE INTERESSE MUNICIPAL: LOGISTICA E OPERACIONALIDADE..
Esta é uma hora de empenhamento e iniciativa. Uma hora de mostrar no concelho que existimos proactivamente, envolvemo-nos e participamos.
Ao invés de outras petições e salvo melhor opinião, esta petição não circulará on-line, para que se demonstre, caso dúvidas persistam, que a comunidade se encontra realmente empenhada nesta causa positiva, isenta e relevante.
Todos os que concordem com o teor da petição, pretendam subscrevê-la e não se cruzando com algum dos voluntários que recolhem assinaturas, poderão fazê-lo, sublinhando o seu envolvimento e determinação na prossecução dos objectivos em vista evidenciando à classe política dirigente do concelho que não se limita a um mero click no computador e que por isso vai:
1. Imprimir o pdf.
2. Preencher os seus dados pessoais obrigatórios, para que a adesão seja aceite e contabilizada.
3. Enviar o original do pdf. POR CORREIO (há quanto tempo não passamos por lá?) ao cuidado do primeiro subscritor, e para o seguinte endereço:
Luís Patrício Pereira Ricardo
Rua Coronel Santos Gomes, 23 3º C
8365-113 Armação de Pêra
4. Todos serão avisados, ou no facebok ou através de post no Blogue CIDADANIA, quando estiver reunido o número de assinaturas válidas, considerado conveniente.
5. O sucesso não depende da iniciativa, dependerá da participação da comunidade de cidadãos.
Blogue CIDADANIA
E-mail: cidadania.pt@gmail.com
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
CASINO: O TEXTO DA PETIÇÃO À CÂMARA MUNICIPAL DE SILVES

PETIÇÃO
CASINO DE ARMAÇÃO DE PÊRA BEM CULTURAL DE INTERESSE MUNICIPAL
O conhecimento, estudo, protecção, valorização e divulgação do património cultural constituem um dever, estipulado em lei, do Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais.
Através da salvaguarda e valorização do património cultural, deve o estado assegurar a transmissão de uma herança nacional cuja continuidade e enriquecimento unirá as gerações num percurso civilizacional singular.
O Estado protege e valoriza o património cultural como instrumento primacial de realização da dignidade da pessoa humana, objecto de direitos fundamentais, meio ao serviço da democratização da cultura e esteio da independência e da identidade nacionais.
Todos têm direito à fruição dos valores e bens que integram o património cultural, como modo de desenvolvimento da personalidade através da realização cultural.
Todos têm o dever de preservar o património cultural, não atentando contra a integridade dos bens culturais e todos têm o dever de defender e conservar o património cultural, impedindo, no âmbito das faculdades jurídicas próprias, em especial, a destruição, deterioração ou perda de bens culturais.
Todos têm o dever de valorizar o património cultural, agindo, na medida das respectivas capacidades, com o fito da divulgação, acesso à fruição e enriquecimento dos valores culturais que nele se manifestam.
Todas as afirmações precedentes, valores expressos ou subsumidos, fins em vista, direitos e deveres invocados têm consagração legal na Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro.
É assim que, em exercício dos poderes de cidadania e designadamente dos direitos e deveres naquela Lei consagrados, e considerando:
1.- Tratar-se o conjunto que integra o edifício do chamado “Antigo Casino de Armação de Pêra”, o qual representando um testemunho material com valor de civilização e de cultura, constitui um bem cultural, por todas as razões conhecidas da população e do município e melhor explanadas na fundamentação anexa a esta petição.
2.- Ser o conjunto que integra o edifício do chamado “Antigo Casino de Armação de Pêra” expressão do pioneirismo das bases da oferta turística portuguesa, na única zona balnear do concelho de Silves – Armação de Pêra – representando justamente por isso um valor cultural de significado regional, mas predominante para o município de Silves.
3.- Ser já o conjunto que integra o edifício do chamado “Antigo Casino de Armação de Pêra” reconhecido pelo Ministério da Cultura como se tratando de “um dos pontos de referencia ao nível do património edificado na região.” (http://radix.cultalg.pt/visualizar.html?id=11231) e classificado como um dos dez edifícios de finalidade cultural :(http://radix.cultalg.pt/listar.html?tabela=5&contexto=526),
(a par do Teatro Mascarenhas Gregório, Teatro Lethes, Cine teatro Louletano, Escola de Musica de Loulé, Edifício da Antiga Albergaria de Albufeira, Santa Casa do Povo de Marmelete, Edifício António Aleixo e Sede do Rancho Folclórico do Calvário).
Vêm, os cidadãos abaixo identificados e assinados, peticionar à Câmara a que V.Exa preside, se digne dar inicio aos procedimentos administrativos tendentes à urgente CLASSIFICAÇÃO do conjunto que integra o edifício do chamado “Antigo Casino de Armação de Pêra” como de INTERESSE MUNICIPAL, nos termos da legislação em vigor e com todas as legais consequências.
Os Abaixo assinados:
Nome: BI/Cidadão: Assinatura
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
PETIÇÃO: CASINO DE ARMAÇÃO DE PÊRA BEM CULTURAL DE INTERESSE MUNICIPAL
O conjunto que integra o Casino de Armação de Pêra constitui um bem cultural cuja conservação se impõe em resultado de um direito que assiste à população da Vila, em exclusividade.
O total abandono a que foi votado há tantos anos, permite concluir que, se queremos que aquele imóvel prossiga o papel que lhe cabe na Vila, teremos de fazer mais que lamentar a sua hibernação degradante. Teremos de agir na prossecução dos interesses da comunidade.
Um primeiro passo será obter a classificação do conjunto como de INTERESSE MUNICIPAL!
Eis a fundamentação da PETIÇÃO PÚBLICA que se encontra em fase de recolha de assinaturas:

Enquadramento histórico do edifício conhecido por Antigo Casino de Armação de Pêra
As décadas de 50 e 60 em Portugal foram um período de grande construção e do ordenamento do território.
Planos, projectos, modernismo, experimentalismo, abertura ao exterior, deram lugar à edificação dos novos pólos turísticos, equipamentos, como os casinos de segunda geração, os hotéis, grande hotéis, as piscinas, etc., foi a era dos equipamentos, das infra-estruturas, e do turismo de massas cujo desenvolvimento se acentuava na Europa do pós-guerra e do qual se anteviu poder o pais vir a beneficiar, justificando pesado investimento relativo no urbanismo balnear.
Armação de Pêra pelas extraordinárias condições naturais de que dispunha foi objecto de um, entre esse grande número de planos para a costa portuguesa então levados a cabo o que, tendo apetrechado a povoação com outros meios de sustentabilidade e desenvolvimento económico, fê-la suportar, a prazo, um pesado custo: o da completa descaracterização!
De pequena aldeia no inicio do seu desenvolvimento turístico, passou a ter dois pólos bem distintos: a aldeia propriamente dita, dos pescadores, e o bairro novo balnear.
Com eles, outros tantos pólos de sustentabilidade e fixação da população: a actividade piscatória e o turismo.
A massificação da procura que durante a década de 70 e as seguintes se foi progressivamente acentuando determinou a descaracterização definitiva quer do pólo primitivo, a aldeia dos pescadores, quer do pólo constituído pelo bairro novo balnear, por via da proliferação generalizada da construção em altura, implantada de forma desordenada.
Esta explosão de fogos para habitação poupou alguns, poucos, ex libris da Vila, dos quais merece destaque o Antigo Casino, o qual simboliza uma época, caracterizada pelo desenvolvimento e ordenamento do território, criação de infra estruturas, concepção e implementação do urbanismo balnear e concomitante abertura ao exterior, e o fim de um ciclo de vários séculos de existência da pacata e tranquila povoação de Armação de Pêra.
Uma referência integrante do ambiente cultural da Vila
Porém, em resultado do primeiro enxerto que recebeu esta primitiva povoação de pescadores, foi-lhe legado um edifício excêntrico na sua relação com os demais, ontem, como, por outras razões, hoje, de arquitectura revivalista, que foi implantado em localização que lhe atribuiu a vocação patente de cómodo e retém de um esplêndido desfrute da singular beleza natural da baía de Armação de Pêra.
E foi nessa vocação que a povoação primeiramente se reviu porquanto, nas demais que também caracterizaram a oferta do Casino, as diferenças sociais, culturais, os hábitos e os afazeres não permitiram, durante os primeiros anos da sua actividade, que delas, a grande generalidade dos autóctones, tivesse serventia, sem que tenha alguma vez renunciado à noção de pertença que a natureza pública da construção do implante no seio da sua Baía, que constituiu o pólo do desenvolvimento que se lhe seguiu, sempre justificou e legitimou.
O edifício constitui assim desde a data da sua inauguração, em 1958, para a população da Vila, uma autêntica referência.
Uma referência do reconhecimento público da beleza da sua paisagem natural e da modernidade, reportados à época da sua instalação.
Uma referência enquanto bem cultural, gerador de valores de civilização e de cultura, numa povoação num estádio de desenvolvimento pouco mais que rural.
Uma referência de abertura e desenvolvimento que contribuiu para fixar os seus naturais no seu meio próprio, reduzindo as necessidades de recurso à emigração e generalizando a sustentabilidade da comunidade.
Uma referência de acolhimento e serviço que caracterizou a abertura da povoação ao turismo de massas, o qual se veio a constituir como a sua actividade económica por excelência.
Uma referência de desenvolvimento, harmonioso, proporcionado em coexistência pacífica com a caracterização original da povoação.
Uma referência de pausa e serenidade em alto contraste com os restantes elementos construídos da paisagem urbana da Vila, que lhe foram sendo adicionados posteriormente, e por isso,
Uma referência do ciclo que aí se concluiu, o qual se confinou ao longo de séculos à aldeia piscatória e à ruralidade envolvente.
Uma referência de recuperação intra-psíquica, prazer estético, conforto decorrente de um ambiente limpo e despoluído, de espaço público disponível, de visão do equipamento público disponível.
Referências estas que constituem claramente contornos definidores do facto de estarmos perante um imóvel que constitui elemento do chamado meio ambiente cultural, de Armação de Pêra, conceito já autonomizado há muito pelos especialistas, mas ainda um pouco arredado do conhecimento comum.
A “patrimonialização” devida, pela vontade do povo de Armação, em razão da relação estabelecida com o edifício, pela simbologia histórica do mesmo e pelos seus atributos arquitectónicos e paisagísticos.
As sociedades contemporâneas, em resultado da tendência de homogeneização cultural, carecem de uma ligação afectiva às referências do passado, uma vez que padecem do que alguns especialistas designam como “amnésia colectiva”, em virtude do seu distanciamento e alheamento relativamente ao passado.
Perante tal circunstancialismo, é tão comum quanto legitimo pretender-se que não só o passado seja recuperado, como também sejam sublimadas todas as actividades e expressões que se possam transformar num instrumento ao serviço do fortalecimento da identidade de uma comunidade.
As acções em que tais pretensões resultam, verdadeiros resgates do passado mediante a “patrimonialização” dos elementos culturais locais, assumem para além de uma vertente identitária, um carácter instrumental, pois permitem a oferta de bens e actividades culturais, as quais respondem aos anseios de uma população carente de vínculos de identificação, para com o território, com o passado e com a comunidade dos seus concidadãos.
Na verdade, a herança cultural contribuí para uma certa estabilidade, permanência e continuidade dos pertences culturais que, ao mesmo tempo que permitem estabelecer uma simbologia entre o passado, o presente e o futuro, promovem um sentimento de pertença por parte de todos nós.
É sabido que o Património não é só o legado que é herdado, mas o legado que, através de uma selecção consciente, um grupo significativo da população deseja legar ao futuro.
Como ensina Ballard, a noção de património surge “quando um indivíduo ou um grupo de indivíduos identifica como seus um objecto ou um conjunto de objectos” (Ballard, 1997:17). E falar de património pressupõe, por tudo o que preteritamente vem referido, falar de identidades, na medida em que pode ser definido como uma síntese simbólica de valores identitários (Santana, 1998:37-49), que contribuem para um sentimento de pertença e de identificação de um colectivo social.
Mas se é certo que o património, enquanto operação simbólica, não deve ser confundido com a cultura, constituída esta pela acumulação da experiência cultural humana em toda a sua profundidade e diversidade, não é menos certo que, enquanto síntese simbólica, o património fornece elementos de significação cultural, particularmente relevantes num contexto de globalização onde coexistem leituras diferenciadas, permitindo situar-nos em relação ao passado quando, muitas vezes, já nada resta dele.
Não esquecendo que, as acções de patrimonialização e a criação de produtos turístico-patrimoniais, permitem configurar as opções estratégicas em torno de uma politica de turismo, a qual integra, em Portugal, qualquer politica de desenvolvimento e afirmar o respectivo território simbólico, nas escalas de prestigio dos destinos turísticos, o que, de algum modo, conservará activamente o edifício ao serviço da sua vocação original depois da mesma lhe ter sido subtraída, em razão de indefinições a que importa pôr fim.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Casino:património Cultural. O primeiro passo é Classificar!
A sua participação merece destaque porquanto denota consciência da responsabilidade cultural que cabe à Administração da autarquia em coerência com o relativamente extenso património histórico e cultural do concelho.
Na verdade este património justifica uma dedicação consistente, atenta a sua importância histórica, cultural e turística; o que se deve fazer mediante uma politica para o património do concelho.
Com o cepticismo que nos é habitual, estamos em crer que, a politica de que falamos está longe de estar implementada no concelho. Apesar de se conhecerem, há já muitos anos, as bases de uma politica e um regime de protecção e valorização do património cultural, consagrados legalmente.
Quando, noutro dia, “exigimos” a classificação do CASINO como de interesse municipal, depois de termos sabido tratar-se o Chalé do único imóvel de Armação classificado como tal, aliás justamente, vários foram os mails recebidos e até alguns comentários acerca da “desnecessidade” de tal batalha face a interesses ocultos e poderosos que virão, mais cedo ou mais tarde, a “deglutir” o Casino, descaracterizando-o e sobretudo desapossando-nos da memória que, apesar de trôpego, ainda retém, dos primórdios do turismo, nos meados do século passado e de todo o desenvolvimento que motivou.
Perdoem-nos a insistência mas não consideramos o assunto encerrado, nem ultrapassado, e muito menos perdido.
Na verdade, todos têm direito à fruição dos valores e bens que integram o património cultural, como modo de desenvolvimento da personalidade através da realização cultural. Os armacenenses e de resto, todos os outros têm esse direito e na sua grande maioria não querem renunciar a ele.
Armação de Pêra já teve “acidentes” suficientes que conduziram a percas enormes. A Vila piscatória constantemente ameaçada pela descaracterização sem que alguém a acuda, a baía de armação, património natural de rara beleza, profundamente diminuído pela massa alarve e betuminosa com que foi rendilhada, a nova vila cosmopolita e turística mas harmoniosa, de há muito completamente desarticulada dos seus propósitos pela implantação de volumetrias colossais de betão, inestéticas, que se acotovelam em desordem na primeira fila, como se o espectáculo que a baía constitui, devesse ser um exclusivo deles.
Basta! Basta de alarvidades, de negligência, da incontinência dos algozes, de irresponsabilidade!
Sem prejuízo das soluções radicais, que as há, de difícil implementação, mas implementáveis legalmente num Estado de Direito, podemos e devemos começar por impedir novas alarvidades.
O Casino se não permanecer enquanto memória viva de uma época, devida e originalmente recuperado e vocacionado para fins relevantes social e turisticamente, constitui uma dessas alarvidades que os armacenenses não podem, não devem, nem querem mais tolerar!
Classificar o Casino, por mérito próprio, como de interesse municipal será o primeiro passo!
E se a C.M. de Silves, quanto a Armação, tem alguma politica relativa a património não pode deixar de dar inicio ao procedimento administrativo respectivo tendente a tal classificação como de interesse municipal!
Se a C.M. de Silves, quanto a Armação, não tem qualquer politica relativa a património, é altura de começar a ter!
sexta-feira, 2 de abril de 2010
CASINO CLASSIFICADO! JÁ!
Ficando gratos pela iniciativa do Vereador, não podemos deixar de concluir quão lamentável é ter a informação elementar sobre o concelho dependente da iniciativa de pessoas de boa vontade, esperando-se que tenham vontade!
Os elevados investimentos em informática, o site da Câmara e um ror de funcionários e competências não são suficientes para o cidadão comum dispor de informação pronta sobre os imóveis classificados do concelho ou acerca das actas das reuniões de Câmara, toda esta informação devidamente actualizada.
Já não falamos sequer da utilidade resultante do conhecimento da existência de tal património para potenciais interessados, do concelho ou do exterior, pois, por aí, teríamos o dever da adjectivação desta omissão lamentável.
Celebrando então o conhecimento publico desta listagem vimos trazer à colação um imóvel de Armação de Pêra, o qual consideramos poder e dever integrar a atenção do Sector de Património Histórico e Cultural da Divisão de Educação, Cultura, Turismo e Património da C.M. de Silves, com vista à sua futura classificação.

Trata-se do Casino de Armação de Pêra, imóvel de inegável interesse arquitectónico exemplo de boa integração paisagística, de uma arquitectura moderna, edificado pelo esforço público de promover desenvolvimento através da captação do turismo emergente nas sociedades ocidentais do pós-guerra e, nesse sentido, já com algum interesse histórico.
A sua classificação, do ponto de vista dos armacenenses, crendo interpretar a sua vontade, URGE!
De facto, reconhecendo-se ter-se constituído um verdadeiro búsilis para as entidades que têm tido a sua “custodia”, por razões que não se prendem com a sua utilidade potencial que é patente e manifesta, mas sobretudo com a ausência de uma politica consistente de turismo que, para mal dos nossos pecados, continua a não existir, quando é certo e sabido que a necessidade de uma e outra são absolutamente imprescindíveis à economia da região e do país, em qualquer circunstância, mas muito mais em tempos de crise profunda que motivam a apologia da iniciativa e da inovação como saídas que contribuam para inverter o peso dos números negativos.

É relativamente comum criticarmos o Estado, através dos sucessivos governos, pelas omissões. Em muitos casos tem razão quem clama pela satisfação das omissões porquanto se tratam de investimentos que cabem ao Estado central ou da sua iniciativa se encontram dependentes.
Noutros a razão não vem directamente da natureza da omissão mas sobretudo dos exemplos de despesa perdulária a que se assiste diariamente, os quais motivam a justa critica ao malbaratar dos recursos que constitui, no que se conhece, objecto dos noticiários diários, determinando um mau estar relativamente generalizado.
Estamos crentes de que não serão estes os únicos caminhos para melhorar. Estamos seguros de que as iniciativas não são exclusivo dos governos e mesmo naquelas que o são, a complementaridade que as iniciativas locais, publicas ou privadas, podem representar, são imprescindíveis a melhorar a eficiência e o resultado de, afinal de contas, tudo.
Ao caso concreto e no que a iniciativa diz respeito, cabe-nos a nós apontar e pugnar para que o Casino seja um imóvel classificado, à C.M.Silves, já que, até hoje, nunca viu o imóvel desse prisma, cabe-lhe decidir-se e dar inicio ao processo de classificação do imóvel, a quem de direito acima, se for o caso, caberá o reconhecimento em conformidade.
É que, quanto menos fizermos por isso, mais difícil se tornará ter um concelho melhor. Mesmo naquilo que não depende essencialmente de nós.
Em Armação, vamos fazendo por isso...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
CASINO DE ARMAÇÃO DE PÊRA (III): FOGO À PEÇA!
Reabilitar o Casino pode ser mais uma obra pífia que consagre a supremacia da “aura mediocritas”, e arrisca-se a sê-lo (o concurso público lançado em Abril de 2006 com vista à reabilitação do edifício, dizia destinar-se o mesmo a restaurante/bar, gelataria), ou, inversamente, um acto de bom senso, de cultura, de boa aplicação dos dinheiros públicos (despesa virtuosa), de bom investimento em sentido amplo, de satisfação de necessidades óbvias, e porque não, um verdadeiro acto de amor à terra !Com os dados que dispomos, a vocação do imóvel para restaurante/bar/gelataria e o preço base do concurso lançado: 400.000,00 Euros (grosso modo o valor despendido com a realização da última Feira Medial em Silves), temos razões de sobra para temer o pior: mais uma obra do regime soarista visando fins eleitoralistas, a entronização do Kitch, a soberania do vazio, o malbaratar dos dinheiros públicos pela inconsequência dos fins em vista, o investimento público visando a exploração privada em concorrência desleal com os investidores privados, a frustração do interesse público pelo desvirtuamento dos fins do estado, a frustração dos interesses económicos e culturais patentes de Armação, do concelho e do Pais, através da prescindibilidade diletante de um recurso único da Vila, com vocação histórica para contribuir para a satisfação desses mesmos interesses.
Todos eles condimentos estruturantes da suspeita! Mesmo sem especular sobre interesses recônditos que lhe poderão estar na base, os quais, desconhecendo, prescindimos, por absoluta desnecessidade dos mesmos para, num plano lógico, levarmos a água ao moinho a que nos propomos.
A reabilitação do Casino deverá, naturalmente, começar pelo restauro do edifício, em respeito pelo seu projecto original, expurgando-o do resultado de um conjunto de intervenções avulsas que ao longo dos tempos insistiram em diminui-lo.Imóvel de inegável interesse e harmoniosa integração na paisagem, bem justificaria a classificação como de interesse municipal, dada a expressão que é do advento da vocação turística da terra e atenta a sua importância relativa na Vila.
Admite-se que, em resultado das novas valências que poderá reunir (por exemplo: um auditório), possa ser objecto de intervenção mais profunda, desde que em coerência ou contraste harmonioso com o projecto original.
O aproveitamento do subsolo do jardim, não prejudicando a sua existência, e não colidindo com a traça do edifício poderia gerar um recurso de espaço disponível de grande valia.
Mesmo no projecto inicial existem espaços que se destinaram a exploração privada como a tabacaria e cabeleireiro que hoje poderiam reverter ao serviço das valências que se justificam, uma vez que a variedade e maturidade da oferta do mercado entretanto alcançada os torna dispensáveis.
Um concurso de ideias direccionado a arquitectos poderia ser lançado, discutido e implementado, resultando em beneficio do imóvel e das suas valências futuras. E não resultando, a contratação de arquitecto(a) de reconhecida competência constituiria uma despesa estruturante, virtuosa e plenamente justificada.
Naturalmente que precedido de um concurso de ideias e discussão pública sobre as futuras valências daquele Ex libris.
Quanto a estas, e sem qualquer revivalismo lemechas, estamos em crer que a multidisciplinaridade prevista inicialmente em face da oferta elementar que a terra oferecia, bem poderia constituir um ponto de partida sólido para a reabilitação deste espaço público de cultura, de lazer e de entretenimento.Na verdade o projecto inicial visando o entretenimento: sala de baile e espectáculos de music hall, visava também o lazer: jogo, leitura, esplanada com vista soberba sobre a baía de Armação, dada a sua localização e implantação, como os serviços: a restauração o posto de turismo, tabacaria, cabeleireiro.
Estas vertentes podiam, hoje, ser objecto de ampliação, quer adicionando-lhes maior profundidade, quer aportando-lhes novas perspectivas.
Naturalmente que numa sociedade democrática não existem os condicionamentos da época que limitavam ou reduziam a expressão da cultura ao “corridinho”. Dai que o contributo de experiências recentes, relativas ao livro e às artes, deva ser conservado, embora gerido de forma mais dinâmica, interessante e complementada.
A pintura é uma arte cada vez mais popular, quer nos criadores quer no público em geral e conceder-lhe no espaço do Casino um lugar cativo parece-nos de fácil implementação. O mesmo se diga relativamente a outras artes, como a fotografia, o artesanato, exposições itinerantes, lançamentos, etc.
O livro, por seu turno, sobretudo numa Vila que não dispõe de livraria ou biblioteca, parece-nos de primordial importância, neste Pais que na Europa representa um onde menos se lê.As empresas distribuidores (as que promovem as feiras do livro) dispõem de fundos abundantes e cremos que não seria dificil contar com a sua colaboração durante todo o ano. O modelo da oferta teria de sofrer profundas alterações tendentes ao aliciamento pela leitura em espaço agradável e culturalmente dinâmico do um tipo novo já conhecido no mercado português.
O possível auditório poderia potenciar um vasto conjunto de iniciativas complementares que tornariam o Casino num pólo dinâmico de atracção de pessoas e difusão cultural e turística sérias.
Em termos de animação, constitua-se o Casino em projecto sério e competente e um espaço de liberdade e criatividade que os agentes culturais aparecerão empenhadamente visando a participação.

Em matéria de entretenimento o Casino continua a dispor de pista de dança/palco de espectáculos, atractivos que não perderam simpatizantes e a oferta da Vila, de todo, não os preenche.
Por último, mas não por fim, resta-nos o nó-górdio da questão: os serviços que um equipamento desta natureza tem de oferecer (a componente do desfrute da paisagem, em esplanada, potenciando a natureza de autêntico miradouro que lhe foi, e bem, atribuída no projecto inicial, carece de um serviço de bar complementar) e precisa de ter (a lógica que defendemos de espaço cultural dinâmico é hoje inseparável de serviços de bar e até de restauração por um lado e por outro a vertente mais lúdica do espaço de baile e espectáculo também não vivem sem um apoio dessa natureza).
Foram vários os casos de explorações de insucesso. Melhor, não é conhecida, nos cinquenta anos de existência do Casino, uma exploração que tivesse tido sucesso suficiente que lhe permitisse manter-se. Mesmo a primeira (do conhecido Snr. Simões), que durou anos, acabou por socobrar em situação de insolvência de facto e daí a desistência.
A sazonalidade é um mal que os armacenenses conhecem bem e do qual não tem conseguido livrar-se.
É certo que também constitui um desafio! Mas pareçe-nos que a resposta a esse desafio tem sido a teimosia em continuar a investir baseados na esperança de que a economia da Vila mude por obra e graça do Divino Espírito Santo, o qual tem andado ocupado com problemas mais importantes e tem deixado os armacenenses à sua sorte e arte.
A autarquia por seu turno tem revelado parca imaginação e ainda menor vontade de alterar o que quer que seja, quando não mesmo bloqueia as limitadas vias do desenvolvimento da Vila.Não pode portanto um projecto desta dimensão pública contar credivelmente com investidores privados sem ter um mercado bastante que durante o ano se sustente, numa lógica privada, e remunere o investimento.
Não pretendendo arrastar o estado para se ocupar deste tipo de equipamentos, não podemos, parece-nos, prescindir de um conjunto de meios de que o mesmo dispõe e disponibiliza ao mercado, no pressuposto que se destinariam a prosseguir objectivos que também são do estado.
Por isso, um projecto desta natureza, podia e devia contar com os proveito de outras vertentes da despesa pública, estruturais e estruturantes, e de âmbito nacional.
Falamos naturalmente de uma iniciativa da autarquia tendente a trabalhar em parceria com as várias entidades existentes no concelho, na região, ou mesmo no Pais, para assim conseguirem desenvolver projectos que promovam o desenvolvimento integrado e sustentado.
Para o Casino, uma das novas valências que poderia/deveria ser implementada é a da formação e reciclagem profissionais para activos e jovens nas áreas da hotelaria e turismo.
Desenvolver parcerias com o IEFP, com a escola EB 2,3 Dr. António da Costa Contreiras e mesmo outras escolas públicas e privadas do concelho ou região para que no Casino funcionasse a componente prática da formação de cursos de cozinha, doçaria tradicional, mesa e bar, animação, áreas reconhecidamente deficitárias em Armação de Pêra e no Algarve.A gastronomia é cada vez mais uma vertente turística de relevância significativa. O movimento internacional da slow food é disso demonstração cabal, bem como a consagração da dieta mediterrânica como património mundial. A gastronomia portuguesa, a sua variedade e qualidade constituem um recurso nacional a potenciar. No âmbito da mesma, também a doçaria tem uma expressão singular, pelo que o destaque destes verdadeiros trunfos incumbe a qualquer estratégia turística de fundo.
As feiras de gastronomia, vinhos, queijos e de doçaria conventual e regional abundam por esse pais fora dando-nos razão.
Porque não estabelecer no Casino de Armação de Pêra a sua “feitoria” no Algarve?
Quando até se sabe que os guias turísticos têm tão poucos programas, no Algarve, para oferecer/vender aos seus clientes!A prestação dos serviços complementares e necessários aos conteúdos que o Casino centralizaria e dinamizaria teria uma função turística patente a qual, neste particular, deveria pautar a sua prestação pela qualidade exemplar da gastronomia regional cuja formação e difusão se impõem numa Vila, num Concelho e num Pais que têm no turismo o seu petróleo!
Na sua medida, com meios disponíveis, o Casino poderia constituir um exemplo de parceria e cooperação entre várias fontes de recursos públicos, no interesse da sociedade civil, da cultura e da economia da Vila, do concelho e do Pais.
Assim as “elites” politicas no governo da Autarquia tenham a visão, a vontade e estejam à altura de tão elevados mas realizáveis propósitos!
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
CASINO de ARMAÇÃO DE PÊRA : “O MONO IMITA O SEU DONO” (II)
Este saber secular condensado, da experiência feito e que constitui objectivamente um sistema de respostas a situações concretas, cede habitualmente à mediocridade dos personagens, que o tolhe, não deixando que se cumpra a pendularidade da sua assertividade.
A C.M.Silves, entidade que parece ser a actual responsável por este equipamento, tem-se mantido absolutamente indiferente e de facto igual a si própria, quer face à importância relativa do imóvel, o qual, quanto a nós, bem merecia a classificação de: “de interesse municipal”, chegou a lançar um concurso público para o seu restauro, tendo por base uma ideia do mesmo e para o mesmo que, uma vez totalmente desconhecida do público em geral e dos armacenenses em particular, bem pode ser qualificada de uma verdadeira pérola de vácuo.
Perdoe-se-nos o cepticismo, mas suspeitamos que: “O mono imita o seu dono”!

Entretanto, o Casino continua a degradar-se, e à mercê do vandalismo, sem que a Câmara Munipal de Silves tome quaisquer medidas sérias e credíveis, necessárias a cumprir a vocação do edifício e com ela um novo entendimento do que deve ser uma politica de turismo e se se quiser, por estar tão em voga, uma politica de fomento da receita que esta terra, este concelho e este Pais, tanto necessitam.
Muito pelo contrário, como se pode observar nas fotos juntas, a degradação é mesmo promovida pelas próprias estruturas executivas locais, como a Junta e a Câmara, dando lugar à colagem de cartazes promocionais das suas realizações folclóricas, em pleno alçado principal acentuando a tónica de abandono.



Recordamos para ilustração, as declarações de Isabel Soares perante o Jornal Barlavento, em 2005, que não podemos deixar de reproduzir:
«Não queremos ficar mais temo à espera, aquele espaço tem que ser devolvido à população e a quem passa férias em Armação de Pêra»
«No Verão de 2006, já estará tudo um espectáculo»
Declarações carregadas de um dinamismo de quem tudo pode e faz, mas também eivadas da leviandade de quem muito promete e nada cumpre.
Provavelmente o problema, sem prejuízo das dificuldades financeiras que sendo grandes não impedem o dispêndio de montantes exorbitantes em festas e romarias de cunho efémero, ou as enormes ineficiências da estrutura que gere, são as ideias. Ou melhor a falta delas!
Nesta e noutras sedes, a cultura democrática dos responsáveis, pode fazer a diferença!
Mas, no caso concreto, os défices nesta matéria são patentes. Um concurso de ideias, que poderia fazer a diferença é um instrumento que as lideranças autocráticas não sabem, não podem ou não querem usar.
Na realidade, a Dra Isabel Soares é mais dada a relacionar-se com súbditos, no centro de outras dinâmicas não dialécticas do tipo feira medieval, devidamente adereçada da condição de rainha que não é mas que faz o seu modelo de acção politica, do que com cidadãos plenos, actores da história e não sujeitos da mesma.Mas, como já referíamos em post de Janeiro de 2007, a reabilitação do Casino bem poderia constituir um bom ponto de partida para outra, de muito maior rasgo e dimensão que é a da reabilitação de Armação de Pêra.
Se as ideias estão em baixa, como suspeitamos, e sem prejuizo de um concurso de ideias que consideramos adequadíssimo, bem como da promoção de uma discussão pública sobre o destino daquele ex libris de Armação de Pêra, que se impõe, não resistimos em partilhar com os visitantes do blog, uma que, sem prejuizo de qualquer outra com mérito, nos pareçe adequada.
Esboçá-la-emos no próximo post. Até lá então!
(continua)
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
CASINO DE ARMAÇÃO DE PÊRA : PASSADO DE FORTUNA, FUTURO DE AZAR?
Naturalmente criado para entretenimento dos que afortunadamente tinham possibilidades de veranearem, ou simplesmente dispor de férias para veraneio, podendo viajar e alojar-se em Armação de Pêra, os quais eram realmente muito poucos, constituiu expressão de uma visão turística de futuro e da dimensão de empreendedor do seu fundador.
O futuro chegaria porém aquela Armação de Pêra, de forma abrupta e tal como outros imóveis antigos, depositários de algum interesse histórico e arquitectónico para a Vila, veio aquele a dar lugar a edifícios de habitação incaracterísticos, sendo certo que neste caso, o imóvel, sem qualquer uso a quando da sua demolição, se encontrava em avançado estado de degradação e abandono absoluto.
Mas o bom exemplo não caiu em saco roto!
Na verdade o grupo de armacenenses que liderou o processo de consagração definitiva da vocação turística de Armação, traçando-lhe a nova dimensão e organização urbanas, não descurou a restauração de um espaço lúdico que repusesse as melhores vivências da sua juventude no Casino Velho, colocando-o no centro da sua obra de desenvolvimento, com a qualidade de uma aposta clara, dimensão para as necessidades que se anteviam, localização soberba e multidisciplinaridade que o entroncamento de uma economia em estádio de desenvolvimento pouco mais que medieval com o desenvolvimento europeu do pós guerra, aconselhava, frutos de uma politica que, nesta sede, foi esclarecidamente estratégica.

Foi assim, em 1958, inaugurado o novo casino, o qual funcionou sem interrupções até ao final da década de setenta.
Infelizmente o desenvolvimento do processo democrático não satisfez, então como ainda hoje, todas as necessidades da sociedade portuguesa, muitas delas com raízes ancestrais, na ignorância, no analfabetismo, na iliteracia, na miséria, e muito menos em prazo que evitasse um conjunto estonteante de asneiras grossas que ameaçaram e ameaçam o porvir de Armação.
O que foi facto foi que a entidade responsável pelo Casino, não sabendo, nem na altura, nem hoje, definir para esta infra-estrutura um destino consentâneo com os novos tempos, em razão da ausência total de uma estratégia consistente para o turismo e economias local e nacional, responsabilidade que bem pode partilhar com o executivo local como com o nacional, abandonou-o à progressiva degradação.
Apontamos a incompetência e a irresponsabilidade como tendo sido as principais razões do abandono. No entanto, para alguns armacenenses mais radicais a opinião é diversa. Para esses, depois de fechado, em ruínas, servindo de latrina pública e frequentado pela marginalidade, seria mais fácil justificar junto da população a sua transformação em mais um edifício de apartamentos como esteve na cabeça de muitos “patos bravos” que ajudaram a desvirtuar completamente esta vila.
Vamos lá saber quem terá razão? Certo é que não tivera sido a intervenção do Dr. Jorge Sampaio na altura Presidente da República e provavelmente hoje não estaríamos uma vez mais a escrever um post sobre o Casino de Armação de Pêra.
A intervenção daquele amigo de Armação de Pêra, voltou a colocar o Casino no mapa e motivou a que fossem efectuadas algumas adaptações, permitindo que ai funcionasse o GAT, um paliativo para tapar os olhos aos armanceneses e um adiamento criminoso de uma politica consistente para o turismo – o principal exportador português – e do desenvolvimento sustentado de Armação de Pe(d)ra.
(continua)
domingo, 14 de janeiro de 2007
CASINO DE ARMAÇÃO DE PÊRA: A ROLETA RUSSA
Soubemos recentemente que a Senhora Presidente da Câmara Municipal de Silves, Dra Isabel Soares, lançou em Abril de 2006, o concurso público para a empreitada de reabilitação do edifício do Casino, importando o preço base do concurso em cerca de 400.000,00 €.Não soubemos ainda é se a concessão da sua exploração foi atribuída e no caso positivo, a quem!
O que sabemos é que destinar o edifício do Casino a restaurante/ bar e gelataria, é asneira grossa e, ainda que a estória fique por aqui, o que já não será pouco, não deixa de merecer a nossa desaprovação expressa e veemente.
O que é que terá passado pela cabeça dos responsáveis para tomarem uma decisão singular desta natureza?
Como justificarão os tais responsáveis a redução deste espaço originalmente multidisciplinar, a um restaurante/bar e gelataria?
Como justificarão tais responsáveis o investimento público deste montante, no contexto orçamental conhecido, para uma exploração privada que certamente amortizará o investimento em muitos e longos anos?
Como justificarão os responsáveis tal investimento público na óptica da concorrência aberta que tal vocação constitui para os investidores privados da Vila, cuja oferta de serviços de idêntica natureza existe e em quantidade apreciável para a procura?
Gostaríamos de obter respostas a estas perguntas e sobretudo que as mesmas nos convencessem. Infelizmente, nem uma coisa nem outra irá suceder!
E não irá suceder porque não pode existir neste projecto, nem em qualquer das suas variantes sustentação lógica, económica e muito menos turística.
O antigo Casino, o mini-golf e outras despesas com o desenvolvimento urbano e lúdico da Vila à época (1958) foi um investimento público destinado a criar condições para a captação de turismo, aliando às condições naturais extraordinárias da Baía de Armação de Pêra, os equipamentos necessários a dar resposta a uma procura, então ainda incipiente, mas cujos fluxos essencialmente estrangeiros mas também nacionais se encontravam em evidente progressão, como viria a ficar demonstrado à exaustão nas décadas seguintes.
Desde logo o edifício do Casino foi preenchido com as instalações da Junta de Turismo, compostas de um “posto” de atendimento permanente ao turismo, em várias línguas, e uma sala de leitura, onde se encontravam diariamente jornais e outras publicações.
Por outro lado e contigua à sala de Leitura, encontrava-se uma sala de jogo, bem dimensionada para a época e procura.
Desenvolvia-se, na sala principal a zona de espectáculos, circundada por espaço destinado à restauração/bar, consoante a hora do dia, que era limitado integralmente por janelas que permitiam desfrutar de vistas amplas sobre o mar e a Baía.
A zona de espectáculos, composta por uma pista de dança e palco, mais frequentemente utilizada para a dança ao som de orquestra, recebeu artistas nacionais e alguns estrangeiros que ai actuaram.
Já nos anos sessenta, foi inaugurado um restaurante e “boite” de carácter mais intimista, igualmente debruçado sobre a praia através de extensas janelas que percorriam o seu perímetro a sul.
E todo o perímetro exterior a sul dispunha de uma zona de esplanada que o acompanhava, circundando o Casino, sobre a praia e o mar, culminando num agradável jardim fronteiro à baía e à Junta de Turismo, de dimensões generosas, proporcionalmente falando.
Por outro lado, para além das instalações técnicas necessárias aos fins que visava prosseguir, o Casino dispunha igualmente de instalações próprias para albergar dignamente os seus funcionários.
Na verdade, dados, o estádio de desenvolvimento económico do pais e o sub desenvolvimento do então lugar de Armação de Pêra, não se verificando uma movimentação da oferta de trabalhadores como nos tempos actuais, a mão de obra especializada para a restauração, não podendo ser contratada entre os autóctones, por falta de oferta, teve de ser contratada fora, razão pela qual o edifício foi concebido com essa valência.
Finalmente ainda foi o edifício apetrechado com estabelecimentos de tabacaria e cabeleireiro, que ainda hoje existem.
Dignas de realce ainda são a qualidade da sua arquitectura, a harmonia, a modernidade e a integração paisagística.
Atentas as necessidades da altura a obra teve uma dimensão de rasgo e deu conta das necessidades durante muitos anos.
Armação de Pêra, por acção de filhos seus, foi uma estância de veraneio moderna, capaz de satisfazer a procura sustentadamente durante quase duas décadas e pode ombrear com o que de melhor existia no país.
A obra de que o Casino é parte integrante foi concebida, planeada e executada, sem prejuízo da qualidade humana dos seus interpretes mas sobretudo atendendo às condições de que dispunham num contexto económico conhecido, por gente de grande sensibilidade, visão, ambição e empreendimento, de dimensão impar e pouco comum, então como, infelizmente, hoje.
A reabilitação do Casino poderia, por conseguinte constituir um bom ponto de partida para outra, de muito maior rasgo e dimensão que é a da reabilitação de Armação de Pêra.
Sabemos, no entanto, que esta reabilitação maior é uma obra para gigantes e que, para já, a autarquia só dispõe de pigmeus, mas poderia constituir um bom pretexto para alojar a esperança de que esta terra ainda vai melhorar…
Armação de Pêra não necessita de mais um restaurante/bar e gelataria e se algum dia necessitar, os investidores privados encarregar-se-ão de satisfazer a procura!
A autarquia não pode aplicar os dinheiros públicos, mesmo em bens públicos, para criar condições atractivas para a exploração privada de bens que não prossigam um interesse público.
A autarquia não pode aplicar os dinheiros públicos em empreendimentos cuja natureza não vise satisfazer uma necessidade evidente, ou, alternativamente, para criar condições para satisfazer necessidades importantes pela via da iniciativa privada, a qual em função da especificidade do empreendimento, não esteja particularmente motivada a fazê-lo, ou estando, não justifique o mesmo pelo retorno expectável a dimensão do seu investimento.
A autarquia não pode nem deve promover, com dinheiros públicos, a concorrência aos investidores privados de Armação, contribuintes líquidos para o orçamento concelhio, rarefazendo o mercado e o tecido empresarial da Vila, que mal sobrevive fora do Verão.
À falta de melhores ideias, o que só pode ter sido motivado por falta de um concurso de ideias, porque não reabilitar o projecto original do Casino?
-Porque um espaço de baile que hoje, revivalisticamente, entusiasma todo o Pais, não terá adesão em Armação?
-Porque um espaço de Leitura não tem simpatizantes e não constitui uma pedagogia para a população, a qual estatisticamente é uma das que lê menos na Europa?
- Porque um espaço mais intimista não tem interessados ou tem concorrência na Vila?
-Porque um espectáculo, sobretudo no Verão, mas não só, não tem espectadores?
-Porque um jardim, por existirem tantos, não vai ter usufrutuários?
-Porque a assistência ao turista não justifica qualquer investimento?
-Porque as soluções precárias encontradas para a utilidade do Casino como a Feira do Livro, não têm qualquer utilidade, justificação ou interesse e existem outros espaços onde podem prosseguir a sua oferta?
-Porque, no mesmo contexto, o mesmo se deve dizer da Galeria de Arte?
-Porque o Casino não representa para um Armacenense o mesmo que o Castelo representa para um Silvense?
Não podemos deixar de questionar directamente o poder autárquico, através da sua Presidente, quanto a meia dúzia de questões em contraponto com a acção dos pioneiros:
Que sensibilidade tem a autarquia para as nossas especificidades?
Que vocação ou competência tem para a gestão das mesmas?
Que visão tem a autarquia para a gestão turística da nossa Vila?
Que ambição prossegue a autarquia vocacionando o Casino para restaurante/bar/gelataria?
Que antevisão se augura com este investimento?
Que lição retirou da história dos pioneiros do desenvolvimento turístico de Armação?
Alguma vez ouviu falar disso?
Que faz a gestão autárquica aos dinheiros dos impostos gerados em Armação?
Será que, da lição do seu correlegionário Isaltino Morais, só aprendeu a fazer rotundas de concepção e execução técnicas duvidosas e fontanários?
Que dimensão tem afinal V.Exa, Senhora Presidente da Câmara de Silves?







